Lázaro Ramos acredita no sentimento de Jendal por Alika: "O problema é o que ele faz com esse amor"
Ator diz que basta vestir o figurino para sentir a imponência do vilão de A Nobreza do Amor
Publicado em 18/03/2026 às 04:05
Antes de A Nobreza do Amor estrear, era improvável imaginar Lázaro Ramos no papel de vilão. Não por ser incapaz, longe disso. Mas pelo ator trazer o humor na veia e aquele tempero baiano no sangue.
A proposta da novela e todo o seu contexto, assim como a oportunidade de dar vida ao Jendal, foram fatores primordiais para ele aceitar o papel. Um grande desafio, como afirmou ao NaTelinha, e demais veículos de imprensa, no lançamento do folhetim.

"Nossa, ele apronta, viu? Não estava nos meus planos fazer um vilão, mas esse é um personagem que tá me desafiando a abrir mão dos meus recursos como ator, de entender esse personagem que tem tantas atitudes reprováveis. Ao mesmo tempo, tá dando um prazer imenso, porque o texto tem uma qualidade tão grande que eu tô estudando como se fossem os meus primeiros anos no teatro, sabe?".
Lázaro Ramos
De acordo com o ator, o seu personagem é um cara com muitas facetas. "Ele tem um humor que é patético. É um personagem patético, meio malvadão, muito ambicioso e manipulador. Vaidoso e com o poder nas mãos, ele vai causar muitos problemas", listou.
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Questionado sobre as referências para o papel, Lázaro Ramos acredita na existência de vilões como o Jendal espalhados por aí desde que o mundo é mundo, e no poder da novela de reflexão.
"Há muito tempo, a história do mundo é feita dessas pessoas [Jendal] que querem ter poder e, com o poder nas mãos, viram tiranos", disparou. "Quando uma novela tem esse ponto de entreter, se divertir, ter reflexão e identificação, ela vira um clássico", previu.
"Essa é a novela que o Brasil estava sonhando"

A última novela de Lázaro Ramos na Globo foi o remake de Elas por Elas (2023). Na época, o ator confessou que a oportunidade de interpretar o icônico detetive Mário Fofoca, papel do saudoso Luis Gustavo (1934-2021), foi muito comemorada.
Agora, retorna à tela em uma trama de época, com nuances de fábula, e que fala sobre a cultura afro-brasileira. Para ele, o público brasileiro estava precisando de um folhetim como A Nobreza do Amor.
"Antes de saber detalhe do personagem, eu me encantei pela estética e pelo texto. Quando eu escutei: humor, ironia, uma fábula construída, eu quis estar dentro dessa novela, eu queria fazer essa história", recordou Lázaro.
"Essa estética do continente africano... A gente vai explorar essa nova cultura. A gente está em um momento tão lindo, uma novela que eu tô feliz de fazer, tô encantado. Tô aprendendo e fazendo com paixão, com um comprometimento imenso com a produção".
Lázaro Ramos
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Na trama escrita por Duca Rachid, Júlio Fisher e Elísio Lopes Jr., a princesa Alika (Duda Santos) foi prometida a Jendal ao nascer, mas quando cresce quebra o acordo. Se sentindo traído, o vilão dá um golpe de estado e usurpa o trono do rei, mas continua à procura da princesa que foge da África para o Brasil.
Sobre os sentimentos do vilão pela mocinha, Lázaro acredita que seja verdadeiro. "Eu não quero defendê-lo, mas eu acho que ele tem afeto... Pela filha... E eu acho que ele ama de verdade a Alika. O problema é o que ele faz com esse amor, né?", observou o ator.

"É um homem que foi rejeitado e, a partir disso, ele quer que todo mundo sofra. Mas eu também acho que é afeto. A gente não sabe discernir quando se trata de afeto...".
Lázaro Ramos
A virada de chave do personagem acontece logo nos primeiros capítulos, quando Jendal toma o trono e se intitula rei de Batanga. Lázaro Ramos confessa que o figurino ajudou bastante na composição do vilão.
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"Nossa, eu me sinto poderoso! [risos]. A palavra é essa. A [novela] tem uma estética, uma pesquisa em cima da estética do continente africano, que é muito rica", revelou.
"O meu personagem, eu tava estudando ele sem ver a estética. Quando eu coloquei a roupa, eu entendi ele. Eu entendi o lugar que ele queria ocupar no mundo. É um personagem grande, com peças grandes, pesadas, isso diz muito sobre ele".
Lázaro Ramos
Lázaro explica que cada personagem tem o símbolo Adinkra (ideogramas ancestrais que representam provérbios, valores morais, filosofia de vida e conceitos abstratos), que é um ensinamento africano. "Eu tô torcendo muito para que as pessoas identifiquem e mergulhem mais [cultura]", pontuou.
Embora a novela traga um tema forte e o seu personagem seja essa pessoa abominável, o ator garante que o clima das gravações tem sido de muito afeto, como ele sempre gostou de trabalhar.
"No geral, a gente recebe o que dá. Eu gosto de trabalhar em ambientes amorosos, afetuosos. Eu prezo muito pelo momento do trabalho, que é um momento de prazer, que muitas vezes a gente passa mais tempo com os colegas de trabalho do que com a família".
Lázaro Ramos
"A gente tá com uma equipe, um time, com convidados que estão celebrando muito a existência dessa novela., Assim, o ambiente fica mais amoroso ainda. Essa é a novela que a televisão, o Brasil estava sonhando há muito tempo. Então, não há outra maneira de se relacionar a não ser desse jeito carinhoso e amoroso", concluiu.
O NaTelinha divulga todos os dias os resumos dos capítulos, detalhes dos personagens, entrevistas exclusivas com o elenco e spoiler da novela A Nobreza do Amor.
Veja a abertura de A Nobreza do Amor: