Entrevista exclusiva

Luís Salém opina sobre mudanças em Vale Tudo e diz que final de Eugênio é surpreendente

“Não é um personagem muito grande, mas, na medida do que me foi dado, tentei fazer com dignidade, imprimindo alguma personalidade”, comenta o ator


Luís Salém como Eugênio na novela Vale Tudo, que está em reta final na Globo
Vai ser surpreendente para as pessoas, no sentido do que ele resolve fazer com a vida dele”, antecipa Luís Salém sobre final de Eugênio em Vale Tudo - Foto: Globo/Fábio Rocha
Por Walter Felix

Publicado em 01/10/2025 às 04:05,
atualizado em 01/10/2025 às 11:21

Foi em meio à rotina intensa da última semana de gravações de Vale Tudo que Luís Salém conversou com o NaTelinha. Em entrevista exclusiva, concedida durante um intervalo do trabalho, o ator opinou sobre as mudanças feitas no remake em relação à primeira versão da novela – que foi ao ar entre 1988 e 1989 – e deu detalhes sobre o final de Eugênio, personagem vivido por ele na atual trama das 21h.

“O Eugênio não é um personagem muito grande, mas, na medida do que me foi dado, tentei fazer com dignidade, imprimindo alguma personalidade”, comenta Luís Salém. Para o ator, o papel levantou um tema importante: “Mostramos a solidão desse trabalhador em uma casa de pessoas riquíssimas. Às vezes, a pessoa se sente parte integrante da família sem ser”.

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Na trama original, o mordomo interpretado por Sérgio Mamberti (1939-2021) tinha como traço principal fazer comentários sobre a família Roitman relacionando o dia a dia dos patrões a clássicos do cinema. As citações a filmes ficaram de fora na adaptação feita pela autora Manuela Dias, em uma das mudanças criticadas por fãs da obra original.

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“É uma nova novela, e o Eugênio foi humanizado de alguma forma. Não é só um mordomo cinéfilo, mas uma pessoa que tem uma vida, uma família, é um sobrevivente do Bateau Mouche [embarcação que naufragou em 1988]. Ele passa a existir como personagem”, comenta Salém, que aprova a releitura feita do personagem e de todo o enredo. “A novela foi por um caminho humano”, defende.

As gravações de Vale Tudo terminam no sábado (4), e o ator já sabe o que acontece com Eugênio. “Vai ser surpreendente para as pessoas, no sentido do que ele resolve fazer com a vida dele”, antecipa. A possibilidade de ser o assassino de Odete Roitman (Débora Bloch) é remota, segundo o intérprete. “Seria uma cena bárbara, mas eu não apostaria no Eugênio.”

Leia a íntegra da entrevista com Luís Salém, o Eugênio de Vale Tudo

NaTelinha; Qual balanço você faz do trabalho em Vale Tudo agora que a novela está chegando ao fim? Como define essa experiência?

Luís Salém: Achei muito bacana participar desse remake, fiquei satisfeito com o meu trabalho. O Eugênio não é um personagem muito grande, mas, na medida do que me foi dado, tentei fazer com dignidade, imprimindo alguma personalidade.

Mostramos a solidão desse trabalhador em uma casa de pessoas riquíssimas. Às vezes, a pessoa se sente parte integrante da família sem ser. Acho que eu consegui, com a construção do personagem, chegar no que eu queria.

NaTelinha: Por ser um remake, vocês, atores, e também a autora Manuela Dias tiveram que lidar com muitas expectativas do público. Isso representou um desafio a mais?

Luís Salém: Todo o trabalho, toda a novela, é um desafio, seja remake ou não. Essa não foi a minha primeira experiência em remake. Fiz anteriormente o Benny em Anjo Mau (1997), um personagem que nem existia na versão original e, ainda hoje, as pessoas se recordam muito dele.

Houve uma expectativa maior com Vale Tudo por ser “a novela das novelas”. No decorrer do processo, as pessoas foram se distanciando um pouco da ideia de que era uma repetição da obra, mas que teria traços novos, coisas novas. E atingimos o sucesso, tanto que é uma das novelas mais bem-sucedidas da Globo.

Sérgio Mamberti em Vale Tudo
Sérgio Mamberti como Eugênio na primeira versão de Vale Tudo - Foto: Divulgação/Globo

NaTelinha: Alguns fãs da novela original se frustraram pelo fato de o Eugênio ter deixado de ser cinéfilo no remake. O que você achou da mudança?

Luís Salém: Realmente, mas veja: foram as pessoas que assistiram à primeira versão da novela e que ficaram ainda agarradas naquele personagem, que era do [Sérgio] Mamberti, muito bem interpretado por ele. Era cinéfilo, mas a Manuela achou por bem não colocar essa característica.

Esta é uma nova novela, e o Eugênio foi humanizado de alguma forma. Não é só um mordomo cinéfilo, mas uma pessoa que tem uma vida, uma família, é um sobrevivente do Bateau Mouche. Ele passa a existir como personagem.

NaTelinha: As mudanças feitas na novela original, de uma forma geral, foram positivas, na sua opinião?

Luís Salém: Sim, acho que foram muito positivas. A novela foi por um caminho humano. A própria vilã demonstra sentimentos, e não é que não existissem, mas não eram revelados na primeira versão, assim como acontece com todos os outros personagens.

"O Eugênio não tinha uma história, era um mordomo. Acho que o Mamberti nunca chegou a sair da casa dos Roitman, só uma ou duas vezes. Nesta novela, o Eugênio foi humanizado, tem um passado, uma família no Maranhão, canta no karaokê, se envolve com o Freitas e tem outras características."

Freitas (Luís Lobianco) e Eugênio (Luís Salém) em Vale Tudo
Freitas (Luís Lobianco) e Eugênio (Luís Salém) vivem um affair na reta final de Vale Tudo - Foto: Reprodução/Globo

NaTelinha: Sobre o par romântico formado com o Freitas na reta final, como vê a aproximação entre eles? Esse casal tem futuro?

Luís Salém: Eu adorei! Era um cara que servia água saborizada o tempo inteiro e, de repente, ele tem uma vida, tem um interesse em uma pessoa. O Freitas também vive, não digo explorado, mas não respeitado pelo patrão, em uma relação abusiva. Achei muito legal ter essa possibilidade de encontro. Vamos ver no que vai dar.

NaTelinha: Outra adaptação foi a inclusão de cenas com um tom crítico sobre a relação entre patrões e empregados. O Eugênio cumpriu um papel de alerta?

Luís Salém: Acredito que o Eugênio tenha denunciado essas relações. Mais do que a relação que ele estabeleceu com essa família, é uma relação que, às vezes, nós permitimos, como empregado, cidadão ou pessoa. Por vezes, nos colocamos em situações que deixam a nossa autoestima muito baixa, a ponto de dar a nossa vida para outras pessoas.

“O final do Eugênio vai ser surpreendente para as pessoas, no sentido do que ele resolve fazer com a vida dele.”

Espero que o Eugênio sirva de exemplo para quem vive nessas situações de tanta dedicação, de esquecimento de si próprio. Para mim, foi revelador viver o Eugênio. Comecei a perceber, em mim, que eu deveria melhorar um pouco a minha relação comigo mesmo, com o mundo e com todas as coisas.

Temos que cuidar bem da gente, nos colocar em primeiro plano. Estou falando isso em relações de trabalho, mas também em relações afetivas, com familiares até. Temos sempre que nos respeitar, nos defender e buscar o caminho da felicidade na vida plena. É algo que aprendi com o Eugênio e levo para mim.

Vale Tudo
Celina (Malu Galli), Eugênio (Luís Salém) e Odete Roitman (Débora Bloch) em Vale Tudo - Foto: Globo/Fábio Rocha

NaTelinha: Sobre a possibilidade de ser o Eugênio o assassino da Odete Roitman, quais são suas expectativas? Esse parece ser um final bastante provável.

Luís Salém: As pessoas sempre caem nesse lugar de que o mordomo é o suspeito. Pelo que eu tenho entendido, o Eugênio não teria uma razão específica para matar Odete, apesar de ter lá as suas desavenças e não gostar muito dela.

Acho que ele não mataria, até porque ele é um homem muito doce, na dele, gentil, cordato, mas seria uma cena bárbara de fazer. Vamos ver o que Manuela Dias tem aí, mas eu não apostaria no Eugênio.

NaTelinha: Quais seus planos com o fim da novela? Pretende emendar outras após Vale Tudo?

Luís Salém: Volto para minha casa, em Salvador, onde desenvolvo já há algum tempo um trabalho de capacitação de jovens da periferia para o mercado audiovisual. Devo retomar esse trabalho e levar minha vida.

"A vida do artista é sempre uma surpresa, a gente nunca sabe o que vem pela frente. É uma coisa boa, mas ao mesmo tempo agoniante. Espero em breve voltar às novelas depois desses 13 anos que fiquei afastado, que surjam outros convites. Estou aberto e disponível."

Sempre pretendemos trabalhar, mas em televisão não depende só da nossa vontade. Depende do autor escrever, do diretor te convidar, de ter um personagem que seja adequado ao seu perfil. Espero voltar em breve, claro.

Fazer novela é superbacana, é sempre um prazer absoluto, desenvolver um personagem do início ao fim de uma trama é muito bacana. Eu espero de coração poder voltar, não só para a minha alegria, como para a alegria do público que gosta de mim (risos).


Vale Tudo é escrita por Manuela Dias e tem direção artística de Paulo Silvestrini. O remake é baseado na novela exibida entre 1988 e 1989, criada por Gilberto Braga (1945-2021), Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (1926-2004) e que teve direção de Dennis Carvalho e Ricardo Waddington.

O NaTelinha divulga todos os dias os resumos dos capítulos, detalhes dos personagens, entrevistas exclusivas com o elenco e spoilers da novela Vale Tudo. Confira!

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