Terra Nostra teve 2ª e 3ª partes canceladas na Globo; saiba como seria a novela
Inicialmente, a história começaria no fim do século 19 e iria até o ano 2000; nomes como Tony Ramos e Regina Duarte entrariam no elenco
Publicado em 30/09/2025 às 05:00,
atualizado em 30/09/2025 às 10:15
Terra Nostra teria uma segunda e uma terceira parte, com mudanças de fase que levariam a história, iniciada na década de 1890, chegar até o ano 2000. Exibida originalmente em 1999 e definida pela imprensa da época como “a novela do século”, a trama está sendo reprisada em Edição Especial, na Globo.
Inicialmente, o projeto desenvolvido pelo autor Benedito Ruy Barbosa era contar a saga de imigrantes no Brasil em três fases: a primeira duraria do fim dos anos 1890 até 1930; a segunda, já com novo elenco e novas histórias, iria até 1960; já a terceira e última geração chegaria até o novo milênio.
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Terra Nostra foi lançada com status de superprodução, inserida no Brasil 500, projeto da Globo que celebrou os 500 anos do descobrimento. Entre os objetivos, estava o de recuperar a audiência perdida no horário nobre na época, prejudicado pelo fracasso de Suave Veneno (1999).
Com uma previsão de 233 capítulos – no final, foram 221 –, a novela teria cerca de 80 capítulos para cada fase. Todas seriam ambientadas em São Paulo, e o desenvolvimento e as mudanças na Avenida Paulista serviriam para ilustrar cada época. A ideia era trocar todo o elenco a cada salto no tempo.
Para a segunda e a terceira fase, alguns atores haviam sido cotados. Entre eles, Tony Ramos e Carolina Dieckmann, que acabaram protagonizando a novela seguinte, Laços de Família (2000). Outros nomes, como Regina Duarte, Gabriela Duarte e Tarcísio Meira (1935-2021), também apareceram em notas de jornais da época da novela.

A ideia era semelhante ao que o escritor já havia feito, com sucesso, em Os Imigrantes, exibida entre 1981 e 1982 na Band. A trama também havia sido dividida em fases, mas de períodos mais curtos, do fim do século 19 até a década de 1950, com mudanças constantes de atores.
Terceira fase de Terra Nostra teria romance entre primos
No fim da primeira fase, Giuliana (Ana Paula Arósio) entenderia que seu amor com Matteo (Thiago Lacerda) é impossível e voltaria para o marido, Marco Antônio (Marcello Antony), com quem tem uma filha. Já o italiano ficaria com Rosana (Carolina Kasting), também dando um filho à mulher.
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Ana Paula Arósio voltaria na terceira fase, como neta de sua personagem inicial, Giuliana. Ela viveria um caso de amor com o primo, filho de Giuliana e Matteo concebido na viagem de navio. Outros personagens também seriam descendentes das figuras que apareceram na primeira fase.
Boa audiência motivou cancelamento de novas fases

A boa audiência fez a Globo e o autor Benedito Ruy Barbosa concordarem sobre o cancelamento das novas fases da história, enquanto a novela já estava no ar. Como a trama de Giuliana e Matteo havia sido bem recebida pelo público, houve o temor que a audiência rejeitasse novos personagens.
Assim, o elenco do início da novela continuou em cena até o final. Coube ao escritor desenvolver novos conflitos para os personagens já existentes, o que acabou gerando uma demorada “barriga” – a trama ficou marcada por longos períodos em que pouca coisa de relevante aconteceu.
A imprensa noticiou, no fim de 1999, que a indefinição a respeito das outras diversas fases da trama já vinha causando transtornos nos bastidores. O diretor Jayme Monjardim começou a fazer testes de maquiagem mesmo sem saber se haveria necessidade de envelhecer os atores.
Para isso, a narrativa ganhou alguns reforços, como Cláudia Raia, que entra no decorrer da trama como a espanhola Hortência. A personagem, acredita-se, adotou o filho de Giuliana e Matteo raptado após o parto. Outros entrechos foram desenvolvidos e mais personagens tiveram destaque.
Terra Nostra 2 também foi cogitada, mas virou Esperança

Ainda na esteira do sucesso de Terra Nostra, cogitou-se uma continuação da novela,. Benedito Ruy Barbosa chegou a escrever a sinopse com a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo. Contudo, a ambientação acabou usada antes na minissérie Aquarela do Brasil (2000).
A opção do autor foi desenvolver uma outra história, mas que remetesse à anterior, sem ser uma continuação explícita. Ele então criou Esperança (2002), também com italianos como protagonistas. Tanto que, para o mercado internacional, a produção foi vendida com o título Terra Nostra 2.
Na história, Toni (Reynaldo Gianecchini), um italiano pobre, vive um amor proibido com Maria (Priscila Fantin), cujo pai não aceita o romance pela condição social do rapaz. Ele se muda para o Brasil, onde se envolve com a maquiavélica judia Camilli (Ana Paula Arósio), filha de seu patrão.
Ambientada nos anos 1930, Esperança abordou a industrialização e o movimento operário em São Paulo. A novela não fez o mesmo sucesso que Terra Nostra e derrubou os índices de audiência da Globo, em alta na época com o bom desempenho de O Clone (2001).