Band pode ser responsabilizada por veiculação de "Game Phone" e "Super Bônus", diz MPF

"Game Phone", "Top Game" e "Super Bônus" são recentes programas caça-níqueis que enfrentam dúvidas sobre sua idoneidade

"Super Bônus", Band é um dos canais que veicula esse tipo de programa - Reprodução/TV Bandeirantes

Publicado em 10/10/2017 às 09:46:46 , atualizado em 10/10/2017 às 09:50:27

Por: Thiago Forato

Com um formato que se perpetua há 20 anos, os programas classificados como quiz TV, ou popularmente conhecidos como caça-níqueis, seguem em plena evidência.

No ar em diversos canais nanicos e em grandes redes abertas como a Band, atrações como o "Super Bônus" (antigo "Game Phone") e "Top Game", dentre outros, continuam esvaziando o bolso dos telespectadores, e enchendo o das emissoras e produtoras.

Muita gente se pergunta: de quem é a responsabilidade por veicular esses programas? Embora as emissoras deixem claro no início de cada um deles que "a responsabilidade é de seus idealizadores", para o Ministério Público Federal não é bem assim que a coisa funciona.

Procurado pelo NaTelinha, o órgão disse que há uma investigação sendo conduzida desde 2015 contra o "Game Phone" (agora identificado como "Super Bônus") em função das recentes denúncias registradas por cidadãos a respeito de irregularidades nos programas.

O quiz é produzido pela Avatar Mobile Technologies e sua operação é desenvolvida em parceria com a prestadora de telefonia Cambridge Telecomunicações. O MPF investiga a possível lesão aos telespectadores (eventual violação ao direito de informação por parte do programa) e se está sendo respeitado o direito de liberdade de escolha da prestadora de telefonia pelo usuário. A atração não pode condicioná-lo à escolha de uma só prestadora de longa distância, no caso a Cambridge.

O MPF destaca que a Cambridge é a sucessora da IPCorp (Falkland Tecnologia em Telecomunicações), prestadora que, após a requisição do MPF neste inquérito, foi alvo de fiscalização e sanções por parte da Anatel, em razão da ausência de interconexões com as demais redes de telefonia. A maioria das chamadas, de acordo com o órgão, não estavam sendo entregues ao destino, mas na mesma localidade onde foram originadas. O MPF já requisitou à Anatel a verificação da regularidade da conduta da Cambridge.

Por fim, a investigação abrange a atual situação da Band, que continua veiculando o programa. A responsabilidade da emissora, segundo o MPF, está diretamente vinculada ao resultado das investigações.

A idoneidade desse tipo de programa é rotineiramente questionada. O youtuber Rogério Betin, entrevistado em duas reportagens anteriores, que denuncia esse tipo de formato, fez diversos vídeos no intuito de provar a possível fraude.


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Em um deles, reúne vozes aparentemente iguais, o que reforça a tese de que a produção repete, por vezes, a mesma pessoa para ludibriar o telespectador. Confira a partir dos 10 minutos:

Com as denúncias, Rogério Betin ganhou um belo de um processo. A Avatar, produtora do "Super Bônus" e "Game Phone", alega danos morais. Até o começo do ano que vem, segundo o youtuber, deve sair a sentença.

No processo contra Betin, a Avatar garante que "atua com transparência junto aos seus telespectadores e que está no mercado de produção artística independente de programas de TV desenvolvendo atrações do tipo há 20 anos, exibindo diversos programas com nomes diferentes".

Com um minuto custando R$ 5,99 para responder a "concursos culturais", o telespectador é persuadido por rostos bonitos a pontuar nesses concursos para se credenciar a entrar ao vivo e responder a grande questão e faturar o "grande prêmio".

Ao vivo, o telespectador tem que responder "onde está o erro" na tela, geralmente muito simples e de fácil visualização. Muitos, no entanto, não acertam.

Segundo apurado pelo NaTelinha, o contrato entre a Band e a Avatar vai até o dia 31 de dezembro e deve ser renovado. Segundo fontes do site, a emissora embolsa cerca de R$ 2 milhões mensais da produtora. A Band não confirma os valores.

O NaTelinha enviou vários questionamentos à Avatar Mobile há três meses. A produtora leu todas as perguntas, mas preferiu não responder. A página que ela mantinha no Facebook foi apagada depois das reportagens realizadas pelo site.

A Band, questionada sobre sua responsabilidade na veiculação desse gênero de programa e se está ciente das denúncias contra eles, não se manifestou.



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