"Sair do Jornal da Record foi um momento difícil", confessa Adriana Araújo

Em entrevista exclusiva, jornalista faz um balanço de sua carreira até aqui

Adriana Araújo começou na Record em 2006, quando foi contratada para assumir o "Jornal da Record" - Fotos: Divulgação

Publicado em 10/01/2013 às 13:48:29

Por: Redação NT

Você certamente conhece Adriana Araújo, jornalista que, apesar da pouca idade (36 anos), já foi editora e repórter da Globo, âncora do principal telejornal da Record, correspondente da emissora em Nova York e, atualmente, apresentadora do “Domingo Espetacular”, jornalístico de maior audiência do canal.
 
Numa entrevista exclusiva ao repórter Breno Cunha, do NaTelinha, Adriana contou como está sendo fazer parte do dominical. “Acabo de chegar ao programa muito animada e pronta para uma parceria leal com os demais apresentadores”, disse.
 
Ela falou pela primeira vez como foi a sua saída do “Jornal da Record”, com a chegada de Ana Paula Padrão à emissora, e revelou ter recebido do canal uma proposta para ancorar um outro telejornal, mas preferiu sair do país como correspondente em Nova York.
 
“Sempre fui muito sincera em relação a isso. Sair do ‘Jornal da Record’ foi um momento difícil pra mim. Tinha grande afinidade com a equipe de trabalho e estávamos cumprindo bem nossa missão. A Record me deu a opção de me tornar âncora de outro telejornal da emissora, mas preferi, mais uma vez, o novo”, contou a jornalista.
 
Adriana Araújo também comentou sobre o dia em que entrou ao vivo, pelo “Jornal da Record”, emocionada após o resgate de mineiros que estavam há 69 dias soterrados.
 
“Nunca vou me esquecer dessa cena. Entrei ao vivo chorando, controlando as lágrimas pra não embargar demais a voz”, disse.
 
Confira a entrevista na íntegra:
 
NaTelinha - Como e quando você decidiu que queria ser jornalista?

Adriana Araújo - Nas brincadeiras de criança adorava ser a repórter da rua e mantinha todo mundo atualizado. Na adolescência, era uma voraz consumidora de informação. Lia muito, assistia a todos os telejornais.
 
Aos 14 anos disse aos meus pais que iria estudar pra  trabalhar na TV. Como fui uma das primeiras pessoas da minha família a ter acesso a um curso superior, pra eles parecia uma meta impossível. O tempo provou que não.
 
 
NT - Você concorda que as coisas em sua carreira aconteceram de forma muito rápida, já que dois anos após você ter concluído a faculdade de jornalismo, já estava trabalhando na Rede Globo? Como se deu esse início de profissão?

AA - Concordo. Foi rápido mesmo. Graças a uma reportagem que escrevi para o jornal da faculdade, consegui meu primeiro emprego num jornal de economia de Belo Horizonte, o Diário do Comércio. Meses depois, o diretor de jornalismo da Globo Minas leu meus textos e me convidou para um teste. Fui contratada como editora de TV, sem nunca ter sido repórter.
 
Dois anos depois surgiu uma vaga pra ser repórter do “Jornal Nacional” e fui escolhida sem nunca ter sido repórter dos telejornais locais. Os desafios sempre surgiram pra mim de forma repentina. Inclusive quando fui convidada pra me tornar âncora na Record. Sou grata por todas as oportunidades que tive.
 
 
NT - Quais foram os motivos que te levaram a aceitar o convite da Record, em 2006, para ancorar o principal telejornal da emissora?

AA - Foram várias razões. A primeira delas foi a motivação profissional. Eu teria a oportunidade de apresentar um jornal em rede nacional, em horário nobre, desafio que não havia surgido antes em meu caminho.
 
Além disso tive razões pessoais muito fortes. Minha filha precisava fazer um tratamento médico caro e longo que seria possível somente em São Paulo. A proposta da Record chegou na hora certa.
 
 
NT - Em 2009, com a chegada de Ana Paula Padrão para ocupar o seu lugar no "Jornal da Record", você se sentiu desprestigiada tendo que ser correspondente da emissora em Nova York?

AA - A caminho de Nova York pra ser correspondente, imagino que nenhum jornalista se sinta desprestigiado. Mas sempre fui muito sincera em relação a isso. Sair do “Jornal da Record” foi um momento difícil pra mim. Tinha grande afinidade com a equipe de trabalho e estávamos cumprindo bem nossa missão, fazendo um jornal de credibilidade e com ótima audiência.
 
A Record me deu a opção de me tornar âncora de outro telejornal da emissora, mas preferi, mais uma vez, o novo. Preferi o desafio que ainda não havia enfrentado e, assim, me tornei correspondente.
 
 
NT - E como foi a experiência profissional e pessoal de trabalhar em uma das mais importantes cidades do mundo?

AA - Cheguei aos Estados Unidos pouco antes da morte de Michael Jackson. Pra quem gosta de estar onde as notícias estão, foi um começo muito interessante. E Nova York é, de fato, o centro mundial das notícias.
 
Tudo que acontece ali repercute no mundo e vice-versa. Cobri as conferências da ONU, os reflexos da crise econômica, uma tentativa de atentado a bomba na Times Square. Enfim, foi um período de muito trabalho. Tenho certeza que fiz a escolha certa.
 
 
NT - Voltando ao Brasil, em 2010, você cobriu fatos dramáticos, como o resgate dos mineiros do Chile, em 2010, e o Acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011. Até que ponto o seu trabalho consegue mexer com você pessoalmente?

AA - Não cobri apenas tragédias. Logo depois do tsunami no Japão, teve o casamento real em Londres, digamos que foi um momento conto de fadas, depois da jornada árdua tanto nas cidades devastadas do Japão quanto no deserto do Atacama, no Chile. São esses momentos de grandes coberturas que fazem da televisão um veículo de comunicação extraordinário. Nesses momentos em que o repórter entra ao vivo, narra os fatos que despertam um interesse mundial, realmente sinto que valeu todo o esforço pra chegar até ali. 
 
 
NT - Na cobertura do resgate dos mineiros, do Chile, você chegou a entrar ao vivo com lágrimas nos olhos. Como uma reportagem pode mexer tanto com um profissional de jornalismo?

AA - Fatos assim  mexem com qualquer profissional intensamente. No Japão tivemos que escapar da vizinhança de Fukushima assim que o vazamento nuclear foi confirmado. Foi um dia muito tenso. E no Chile, entrar ao vivo para narrar o resgate do primeiro mineiro após 69 dias soterrado foi um dos momentos de maior emoção da minha carreira.
 
Eu estava no meio da multidão, narrava o que acontecia, os familiares me abraçavam chorando, pulando de euforia. Nunca vou me esquecer dessa cena. Entrei ao vivo chorando, controlando as lágrimas pra não embargar demais a voz.
 
NT - Para você, qual o grau de importância do fato de, pela primeira vez na história, a Globo não deter os direitos de transmissão das Olimpíadas, como aconteceu em 2012, em Londres?

AA - O projeto olímpico da Record levou ao ar 165 horas de reportagens e transmissão ao vivo, algo que nunca havia sido feito antes no Brasil. Isso foi muito importante, ampliar a cobertura e logo na estreia da TV como a emissora oficial.
 
Pra mim foi uma honra fazer parte da cobertura. Passei seis meses em Londres, fazendo a temporada pré-olímpica. E, durante os jogos, foquei na natação e no atletismo. Mais uma vez surgiram bons desafios como entrevistar, ao vivo, as grandes estrelas dos jogos: o nadador Michael Phelps e o corredor Usain Bolt. Foi uma vibração quando consegui falar com os dois.
 
 
NT - Agora, você está no quadro de apresentadores do "Domingo Espetacular", jornalístico de maior audiência dentro da Record. É uma realização profissional? Como você recebeu o convite da emissora?

AA - Mais uma ótima surpresa pelo caminho. Acabo de chegar ao programa muito animada e pronta para uma parceria leal com os demais apresentadores. Só assim sei trabalhar.
 
 
NT - Em algum momento, você chegou a pensar em desistir da carreira de jornalista?

AA - Jamais. Acredito que nasci pra fazer isso. Pode parecer ingênuo pra muitos, mas é exatamente o que sinto.
 
 
NT - Finalizando, para você, que já esteve em muitas situações que realmente testaram sua capacidade profissional e psicológica, qual foi o maior desafio de sua carreira até hoje?

AA - Cada pauta traz um desafio diferente. Nos últimos anos, fiz algumas entrevistas exclusivas com o então presidente Lula. Depois a primeira entrevista com a primeira presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. É um grande desafio negociar essas entrevistas e preparar os roteiros.
 
 
Em outros momentos, a pauta pode testar o seu limite físico e repórter de TV precisa ter uma baita resistência. Em 2011 estive na Bolívia, para uma reportagem especial sobre os mineiros de Potosí, homens sem oportunidades que se matam aos poucos dentro da montanha, garimpando migalhas de prata e cobre.
 
Ali dentro, debaixo de toneladas de pedras, ouvindo as explosões de dinamites a poucos metros de distância, realmente achei que não iria escapar viva. Foi uma experiência extrema.
 
Mas no geral acho que o grande desafio ainda está por vir. Depois de tantas mudanças.... BH, Brasília, São Paulo, Nova York, Chile, Japão, Londres... Costumo dizer que tenho rodinhas nos pés. E quero seguir assim, chegar aos 60 sempre esperando o próximo e grande desafio.
 


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