TV Crítica: Pegadinhas broxantes

Publicado em 30/10/2009 às 17:57:58

Por: Redação NT

Na madrugada de sábado para domingo, logo depois da reprise do CQC, a Band exibe o Cine Privé. Em cartaz, filmes baratos e duvidosos, muitos deles já populares, como as estripulias da fogosa Emanuelle. Uma orgia mental para telespectadores que aprendem desde cedo o que é banalização do sexo e como se perpetua a imagem da mulher objeto. O horário é permissivo, 1h45. Ainda assim, tais produções estão em exibição, encruadas na programação aberta, “livres” para todas as idades, sem qualquer filtro. Basta ligar a TV. Neste caso, o apelo erótico é explícito. Menos mal. O problema acontece quando o produto vem com uma falsa embalagem, sugerindo uma proposta humorística, em um horário absolutamente inadequado. Não, caro leitor, não se trata de “A Praça é Nossa”, tampouco do “Superpop”. O buraco é mais embaixo.


Quando todos pensavam que a TV já havia conhecido o fundo do poço, Silvio Santos chega, sorrateiramente, e solta mais uma de suas pilhérias. Sem muito estardalhaço, estreou no SBT, no dia 14 de setembro, às dez da noite, o programa “Pegadinhas Picantes”. Uma série de televisão caracterizada por cenas de humor em que as pessoas são pegas de surpresa ao observar situações bizarras de nudez.

 

 

 



Produzidos na Ucrânia pela AFL Productions e Comedy Central, sob a alcunha “Naked and Funny”, os esquetes apostam em um erotismo gratuito e vazio, com atores trajando sungas com enchimento frontal e modelos nuas em situações “inusitadas”. Entre os quadros, alguns desenhos animados sugerem sexo implícito, com o objetivo de apimentar a atração. Destaque especial para a tradução dos títulos da versão brasileira que, de tão ruins, chegam a ser engraçados.


Em “Pegadinhas Picantes” nada é falado, o que deixa o programa ainda mais esdrúxulo. Acompanhados por música e onomatopéias, os quadros unem o erotismo ao pastelão, não se adequando perfeitamente em nenhuma das duas categorias. O resultado é patético. O áudio da reação das vítimas não é capturado, sendo substituído por gestos de mímica. É o tipo de programa que poucos telespectadores assumem acompanhar. Dá vergonha de admitir. No entanto, os dados apontam para uma realidade diferente. Na faixa das 22h, os esquetes rendiam até 10 pontos no Ibope.


O SBT já tem tradição em inserir o erotismo em alguns de seus programas. Difícil esquecer da polêmica e controversa banheira do Gugu, do insinuante “Cocktail”, apresentado por Miele na década de 80, e do horrendo humorístico “Sem Controle”, rifado da programação há poucos anos. Atrações que atraíram certa audiência, mas que sujaram a credibilidade da emissora e afastaram muitos anunciantes.


Com a mudança das dez para as onze da noite, na segunda-feira (26), as "Pegadinhas Picantes" perderam quatro pontos no Ibope. Às 23h, o programa caiu para 06 pontos. A troca de horário foi por conta de reclamações de telespectadores. Às 22h, o SBT colocou no ar "Boletim de Ocorrências", com Joyce Ribeiro. Outra atração popularesca para tapar o buraco da programação. Que convoquem o Chaves, então. Sai mais barato e dá retorno.


Silvio Santos adora polêmicas. E responde aos ataques com sarcasmo. Foi assim que o recado foi dado aos que “não gostam de ver belas garotas à vontade” na TV, através de uma chamada irônica, comunicando a troca de horário das “Pegadinhas Picantes”. Como se não bastasse o terrorismo gravado, editado e exibido com a Maísa, os escrachos com os convidados, como o recente episódio com a dançarina Carla Perez, agora Silvio Santos aposta na vulgaridade para alavancar os índices. Audiência barata que pouco ou nada vai agregar à programação. Para alguns pode até ser excitante. Mas para o departamento comercial e para a imagem institucional da emissora, esse decreto é broxante.



João Claudio Lins é Publicitário, especialista em Propaganda e Marketing e em Novas Mídias: Rádio e TV. Autor do Blog Circo Eletrônico (circoeletrônico.blogspot.com). E-mail: joaoclins@yahoo.com.br. Agora também no Twitter: http://twitter.com/joaoclaudiolins



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