Efeito colateral

Globo ou CazéTV? Pesquisa aponta que 26% do público estão sem saber onde assistir aos jogos

Não é só no Brasil: EUA, Reino Unido e outros mercados também têm "excesso de players"


Torcedor assistindo futebol e comemorando
Brasil é um dos países que tem jogos fragmentados em TV e streamings - Foto: Ilustração

Você sabe onde vai passar o próximo jogo do seu time? A multiplicação de canais e plataformas que transmitem eventos esportivos vem provocando um efeito colateral para o consumidor. Não só no Brasil. Uma pesquisa global da Gracenote, divisão de inteligência de conteúdo da Nielsen, mostra que 26% dos torcedores afirmam que sempre ou frequentemente não conseguem descobrir onde assistir a uma determinada partida ou competição.

O levantamento intitulado Home Screen Advantage, divulgado nesta semana, ouviu três mil adultos em seis países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, México, Alemanha e Austrália. Foram cerca de 500 entrevistados em cada país. Por aqui, os principais torneios são exibidos por Globo, Record, SBT, ESPN/Disney, CazéTV, HBO Max/TNT, Paramount+ e Prime Video.

Os participantes precisavam ter pelo menos 18 anos e acompanhar esportes pela televisão. Para a Gracenote, o resultado expõe um paradoxo criado pelo atual mercado de mídia: ao mesmo tempo em que o público ganhou mais opções para acompanhar competições, a distribuição dos direitos entre diferentes canais e serviços tornou mais difícil localizar as transmissões.

O problema é ainda maior entre os mais jovens. Na faixa dos 18 aos 34 anos, 36% dizem que frequentemente não conseguem identificar onde está disponível o evento esportivo que desejam assistir.

Até mesmo recorrer à internet nem sempre resolve a situação. Mais de dois terços dos entrevistados usam mecanismos de busca para tentar encontrar as transmissões. No Brasil, 37,9% afirmaram que as buscas frequentemente não apresentam informações precisas sobre quais jogos estão disponíveis.

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Torcedores querem TV que mostre onde assistir aos jogos

A dificuldade para encontrar as transmissões aumentou o interesse por ferramentas que concentrem essas informações em um único lugar. Segundo a pesquisa, 85% dos fãs gostariam que a própria tela inicial da televisão mostrasse os próximos jogos de seus times e ligas favoritos e indicasse onde cada evento pode ser assistido.

Outro dado mostra o tamanho do problema: 19% dos fãs levam mais de 10 minutos para encontrar a transmissão que procuram.

A Gracenote apresentou aos participantes uma demonstração de uma interface capaz de reunir programação da TV linear e dos serviços de streaming, além de informar horários, canais, aplicativos disponíveis, estatísticas e links para acessar diretamente os conteúdos.

Após conhecerem a ferramenta, 91% dos entrevistados afirmaram que a concentração dessas informações facilitaria a descoberta dos jogos e eventos esportivos que pretendem acompanhar.

A busca por uma experiência mais simples ocorre em um cenário no qual o esporte se tornou uma das principais armas das plataformas para conquistar e manter assinantes.

Esporte já faz público contratar mais streamings

O estudo também mostra o peso das transmissões esportivas sobre as decisões de assinatura. Entre os entrevistados, 68% pagam por pelo menos um serviço devido à oferta de esportes.

Quase um em cada quatro fãs já paga por três ou mais assinaturas para conseguir acompanhar conteúdos esportivos. Mesmo assim, 50% afirmam que considerariam contratar outro serviço caso fosse necessário para assistir aos eventos ao vivo de seu interesse.

O consumo também não se limita às partidas. De acordo com o levantamento, ainda, 77% acompanham conteúdos relacionados a esportes além das competições ao vivo, enquanto 38% dizem preferir assistir aos melhores momentos em vez dos jogos completos.

Para a Nielsen, os resultados indicam que ampliar a distribuição não significa necessariamente facilitar o acesso. Com eventos espalhados entre televisão aberta, canais pagos e diferentes serviços de streaming, a capacidade de informar ao telespectador onde encontrar cada transmissão passou a ser uma parte importante da disputa pelo público.

Confira os dados mais relevantes do relatório envolvendo o consumidor brasileiro:

Indicador Brasil Média global
Não conseguem identificar onde assistir a um jogo sempre ou frequentemente 26,5% 26,1%
Buscas na internet falham em mostrar corretamente onde o jogo está disponível 37,9% 32,2%
Pagam por ao menos uma assinatura por causa da oferta esportiva 82,1% 68,3%
Considerariam contratar outra assinatura por causa de esportes ao vivo 63,2% 50%
Pagam por três ou mais assinaturas para assistir a esportes 31,6% 23,8%
Assistem a conteúdos esportivos além dos eventos ao vivo 87,9% 77%
Querem que a tela inicial da TV mostre os próximos jogos e onde assisti-los 94% 84,9%
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