Disney oferece aposentadoria antecipada a executivos e avisa que cortes continuarão
Programa voluntário faz parte de uma nova etapa de redução de custos; companhia já eliminou mais de mil postos neste ano
Publicado em 26/08/2026 às 10:50
A Disney passou a oferecer um programa de aposentadoria antecipada a executivos veteranos em meio a uma nova etapa de redução de custos. A iniciativa, porém, não encerra o processo de enxugamento da companhia. Em um memorando interno, a empresa avisou que demissões involuntárias já começaram em algumas áreas e continuarão ao longo de 2027.
Batizado de Voluntary Early Retirement Offer (VERO), o plano foi apresentado na última segunda-feira (24) por Sonia Coleman, vice-presidente executiva sênior e chefe de Recursos Humanos da Disney. A oferta é direcionada a profissionais baseados nos Estados Unidos, do nível de diretor até vice-presidente executivo, desde que não trabalhem sob contrato.
Para participar, é necessário ter pelo menos 50 anos, 10 anos de companhia e somar 65 pontos entre idade e tempo de serviço. A adesão é voluntária e terá uma janela específica para que os executivos elegíveis decidam se querem deixar a empresa.
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No comunicado, Coleman afirmou que a Disney continua realizando mudanças na maneira como opera e está concentrada em reduzir custos para direcionar recursos a áreas consideradas estratégicas, como conteúdo, tecnologia e experiências.
"Esta é uma das várias ações que estamos tomando para remodelar nossa organização", escreveu a executiva. Segundo ela, as reduções involuntárias de pessoal já começaram em determinados setores e "continuarão no próximo ano".
A Disney também explicou que pretende oferecer aos profissionais elegíveis a oportunidade de tomar a decisão antes que mudanças mais amplas na estrutura sejam concluídas.
Disney oferece pacote para saída de executivos
Quem aderir ao programa terá direito a um pacote ampliado de saída. Segundo informações obtidas pelo Deadline, a indenização pode chegar a um ano de remuneração, com manutenção da cobertura médica pelo mesmo período.
O plano também prevê continuidade da aquisição de direitos sobre ações já concedidas e manutenção do Silver Pass, benefício que permite acesso aos parques da Disney dentro das regras estabelecidas pela companhia. Não haverá cláusula de não concorrência, o que libera os executivos para assumir outro trabalho depois da saída.
A empresa argumenta que o objetivo é reconhecer os anos de serviço e permitir que os profissionais façam uma escolha pessoal antes da definição de outras medidas de reorganização.
Disney fez duas grandes rodadas de cortes em 2026
Em abril, a Disney eliminou aproximadamente mil postos de trabalho. Os cortes alcançaram áreas de marketing, estúdios de cinema e televisão, ESPN, produtos e tecnologia, além de funções corporativas. Foi a maior redução promovida pela companhia desde a onda de demissões de 2023.
Uma nova rodada aconteceu em julho e atingiu centenas de profissionais. A Pixar ficou entre as divisões mais afetadas do lado dos estúdios, enquanto a National Geographic concentrou boa parte dos desligamentos na área de televisão. Também houve cortes na ESPN, na Disney Entertainment Television e em funções corporativas.
A reestruturação acontece sob o comando de Josh D'Amaro, que assumiu a presidência executiva da Disney em março. No balanço divulgado em 5 de agosto, ele e o diretor financeiro Hugh Johnston já haviam avisado aos investidores que o trabalho de redução de despesas ainda estava em andamento.
Johnston afirmou que a companhia procura diminuir de maneira significativa custos, incluindo gastos com pessoal e despesas administrativas, para liberar recursos destinados às áreas de crescimento.
O movimento dá continuidade a um processo iniciado ainda na gestão de Bob Iger. Em 2023, a Disney anunciou a eliminação de sete mil postos como parte de um plano para economizar US$ 5,5 bilhões, em um período marcado pela pressão para melhorar a rentabilidade do streaming e reduzir despesas em diferentes divisões.