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Funk entra na disputa do mercado e vira potência com MC IG: "A gente quer levar a cultura"

MC IG virou empresário e vem investindo em levar o funk para todo o mundo


MG IG em foto
MC IG investe no funk brasileiro para o mundo - Foto: Divulgação

O funk brasileiro deixou de ser apenas um movimento cultural periférico para disputar cifras milionárias, audiência global e espaço com outros gêneros dominantes na indústria fonográfica. Artistas do segmento passaram a estruturar as próprias carreiras sob uma ótica corporativa, assumindo o papel de executivos e criando selos para negociar diretamente com distribuidoras internacionais. Um retrato desse movimento é Guilherme Sérgio Ramos de Souza, o MC IG, que, além dos palcos, atua na gestão de novos talentos e na internacionalização do ritmo.

A inserção do funk em mesas de negociações de alto valor ficou evidente com o recente acordo envolvendo MC Lele JP, artista gerido por IG. O funkeiro tornou-se o primeiro brasileiro a assinar com a distribuidora norte-americana Vydia, em um contrato avaliado em US$ 4 milhões (cerca de R$ 22 milhões na cotação da época). O negócio colocou o brasileiro em um catálogo que conta com nomes como Snoop Dogg, Post Malone, Rick Ross e Usher.

Os resultados comerciais dessa gestão também se refletem em volume de audiência: Lele JP acumula quase 1 bilhão de reproduções no Spotify, atinge 15 milhões de ouvintes mensais, figura no Top 4 da plataforma no Brasil e alcançou o Top 10 em Portugal.

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Para entender como os próprios artistas estão desenhando essa profissionalização por dentro da indústria, o NaTelinha conversou com exclusividade com MC IG. Ele explica que a visão de mercado foi construída com o objetivo de transformar o gênero em um ativo corporativo sólido, descentralizando o poder das gravadoras tradicionais.

"Eu sempre tive uma visão empreendedora e quis participar da administração dos meus negócios; fiz um curso de gestão empresarial, onde tive contato com áreas como marketing, publicidade e e-commerce, e sempre enxerguei o artista como uma marca, além do ser humano", detalha MC IG ao NaTelinha. "Nos últimos cinco anos comecei a colocar essa visão em prática de forma mais intensa e, há cerca de dois anos, passei a investir ainda mais no mercado da música e em novos talentos."

Para centralizar essas operações, o artista atua à frente da Gringos World — produtora fundada em 2021 que hoje gerencia nomes como Nego Micha, Neguinho PRT, DJ TC, DJ Hyago, Menor Wil e JV MC — e da Blessed Boss, um braço criado especificamente para conectar o mercado brasileiro ao global.

"Acredito que o principal diferencial na Gringos World e na Blessed Boss seja a juventude, tanto na gestão quanto nos artistas", pontua IG. O executivo compara o atual momento de exportação da música urbana com outras marcas nacionais.

"A gente quer levar a cultura do funk para fora do Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer o gênero aqui dentro, porque quando aquilo que é nosso ganha reconhecimento lá fora, também conquista mais valor e respeito no Brasil, as Havaianas são um exemplo disso. Queremos fazer algo diferente, criando um ecossistema para o funk, abrindo espaço para novos artistas e ajudando o gênero a conquistar cada vez mais espaço."

Intercâmbio na indústria musical

O movimento do funk em direção ao mercado internacional não se baseia apenas na exportação de brasileiros, mas também na atração de artistas estrangeiros para os selos criados no país. Um dos marcos dessa estratégia foi a parceria firmada entre a Blessed Boss e o cantor holandês Jmani, conhecido por combinar hip hop, afrobeat e soul. O acordo é o primeiro projeto da empresa focado em estabelecer um fluxo de mão dupla com o exterior.

Essa dinâmica aponta para uma redefinição de como o entretenimento urbano se posiciona economicamente. “Hoje, a minha missão é abrir caminhos e mostrar que o artista brasileiro não precisa apenas esperar as oportunidades acontecerem — nós podemos criar os nossos próprios ecossistemas e liderar negócios globais”, avalia MC IG. "Trazer parceiros como o Jmani e fechar acordos históricos, como o do Lele JP, prova que o funk e a música urbana do Brasil têm tamanho e peso para sentar em qualquer mesa de negociação no mundo."

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