Novos ares

Paramount ameaça deixar Hollywood por impasse na compra da Warner

Novos estados americanos já entraram como alternativas


Logo da Paramount em caixa com Hollywood ao fundo
Destino da Paramount pode estar fora de Hollywood - Foto: Jae C. Hong

A Paramount pode deixar Hollywood e transferir a maior parte de seus empregos de estúdio para outro estado dos Estados Unidos. A mudança ocorreria caso o impasse judicial em torno da compra da Warner Bros. Discovery não seja resolvido até 1º de outubro. David Ellison, CEO da Paramount, apresentou o plano aos 12 integrantes da cúpula da empresa durante uma reunião realizada na quarta-feira (5). Duas pessoas com conhecimento direto do encontro confirmaram as informações ao site Puck, que revelou o plano de ação na manhã desta terça (11).

O executivo afirmou que ainda pretende manter a futura companhia e seus cerca de 30 mil postos de trabalho no sul da Califórnia. No entanto, avisou que retirará a Paramount ou o grupo resultante da fusão do estado se o procurador-geral Rob Bonta não aceitar negociar um acordo.

A ameaça permaneceria válida independentemente do resultado do julgamento. Tennessee, Texas e Geórgia estão entre os possíveis destinos. Ellison já mantém conversas com diferentes governos estaduais em busca de incentivos econômicos para a mudança.

A saída da Califórnia também representaria uma economia considerável. Segundo Ellison, a Paramount poderia poupar aproximadamente US$ 500 milhões por ano em impostos ao transferir suas operações para outro estado.

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Paramount prepara plano para deixar Hollywood

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A sede seria a primeira parte da Paramount a deixar a Califórnia. Em seguida, um planejamento com duração de cinco anos transferiria gradualmente a maior parte dos empregos ligados aos estúdios. O conselho de administração controlado por Ellison já teria aprovado a estratégia. O próprio executivo, porém, demonstrou confiança na vitória da empresa durante a reunião e reforçou que sua prioridade continua sendo concluir a aquisição da Warner.

A mudança representaria uma ruptura histórica. A Paramount mantém seu estúdio em Hollywood há mais de um século, enquanto a Warner concentra suas principais operações na região de Los Angeles.

A publicação da Puck ponderou que ainda não é possível medir até que ponto Ellison realmente pretende executar o plano. A possibilidade de deixar a Califórnia também funciona como uma forma de pressionar as autoridades responsáveis pela ação contra a fusão.

Compra da Warner enfrenta batalha judicial

A Paramount fechou um acordo de aproximadamente US$ 110 bilhões para comprar a Warner Bros. Discovery. A transação, no entanto, foi contestada por procuradores-gerais de 12 estados, liderados pela Califórnia, e pelo Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos.

Os autores da ação alegam que a união daria poder excessivo à companhia no mercado de filmes, televisão por assinatura e streaming. A concentração poderia aumentar os preços, reduzir a produção de conteúdos e diminuir as opções oferecidas aos consumidores.

O julgamento está marcado para começar em 2 de março de 2027. A Paramount defende que a operação é legal e aumentará a concorrência com empresas como Netflix, Disney e Amazon.

"Estamos absolutamente abertos a encontrar uma solução fora dos tribunais, mas também acreditamos realmente que venceremos no julgamento. Acreditamos que os fatos e a lei estão do nosso lado", declarou Ellison durante a apresentação do último balanço da empresa.

A demora também terá um custo elevado. A partir de 1º de outubro, o valor da compra será acrescido em aproximadamente US$ 7 milhões por dia até a conclusão do negócio. A conta poderá ultrapassar US$ 1 bilhão antes mesmo do início do julgamento.

Caso a aquisição seja definitivamente impedida por razões regulatórias, a Paramount terá que pagar US$ 7 bilhões à Warner Bros. Discovery. A fusão já recebeu o aval dos acionistas e de autoridades dos Estados Unidos, do Brasil, da União Europeia e do Reino Unido.

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