Warner e Paramount ficam mais perto da fusão após aval do Reino Unido
Operação avançou nesta quinta-feira (6); governo britânico deu sinal verde
Publicado em 06/08/2026 às 10:00,
atualizado em 06/08/2026 às 12:29
Warner e Paramount ficaram mais perto de se transformar em um único serviço. O Reino Unido aprovou nesta quinta-feira (6) a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, em uma operação avaliada em US$ 110 bilhões.
O sinal verde britânico não representa a união imediata das plataformas, mas elimina mais um obstáculo para o negócio. A Paramount anunciou em março que pretende reunir os dois streamings depois que a aquisição da Warner for concluída.
A operação foi liberada tanto pelo critério de concorrência quanto pelo de interesse público. A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido concluiu que o negócio não provocará uma redução significativa da competição na distribuição de filmes, nos canais infantis e no mercado de streaming.
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Em junho, o governo britânico chegou a ameaçar abrir uma investigação mais ampla. As preocupações foram retiradas depois que David Ellison, CEO da Paramount, apresentou uma série de compromissos que passaram a ter força legal.
Entre as garantias, o grupo prometeu preservar as identidades editoriais de seus canais e serviços no Reino Unido. O jornalismo do Channel 5 também deverá permanecer separado da CNN International e da CBS News.
A Paramount classificou a decisão como um "marco importante" para concluir a aquisição.
HBO Max e Paramount+ serão "fundidos"
David Ellison revelou em março que o plano da empresa é criar um único serviço a partir da união de HBO Max e Paramount+. Na época do anúncio, as plataformas somavam mais de 200 milhões de assinantes em todo o mundo.
A nova empresa reunirá produções da HBO, Warner Bros., DC, CNN, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon. O catálogo incluirá franquias como Harry Potter, Game of Thrones, Missão: Impossível, Top Gun, Bob Esponja e o universo de Yellowstone.
A Paramount ainda não informou qual será o nome da plataforma, quanto custará a assinatura ou quando a mudança chegará aos consumidores. Ellison afirmou, porém, que a HBO continuará funcionando de forma independente e terá sua identidade preservada.
Negócio ainda enfrenta batalha nos Estados Unidos
Apesar do avanço no Reino Unido, a compra da Warner ainda não pode ser concluída. A operação foi aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas enfrenta ações apresentadas pela Califórnia e por outros 11 estados.
Os governos estaduais alegam que o negócio poderá reduzir a concorrência na produção e na distribuição de filmes e programas de televisão. O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos também tenta barrar a aquisição por considerar que ela diminuirá as oportunidades de trabalho no setor.
O julgamento está marcado para março de 2027. A Paramount concordou em não concluir a compra até que a Justiça apresente uma decisão ou até junho do próximo ano, o que acontecer primeiro.
No Brasil, o Cade já aprovou a operação sem restrições. A análise considerou que HBO Max e Paramount+ juntas continuarão com uma participação inferior a 20% no mercado nacional de streaming por assinatura. A Comissão Europeia também já autorizou o negócio.
Confira abaixo, na íntegra, o documento da CMA (Autoridade de Concorrência e Mercados). Ele pode ser lido originalmente aqui.
Aquisição prevista da Warner Bros. Discovery, Inc. pela Paramount Skydance Corporation
Decisão sobre situação de fusão relevante e redução substancial da concorrência
ME/7144/26
Visão geral da decisão da CMA
1. A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) concluiu que a aquisição da Warner Bros. Discovery, Inc. (WBD) pela Paramount Skydance Corporation (Paramount) não gera uma perspectiva realista de redução substancial da concorrência (SLC, na sigla em inglês) no Reino Unido.
2. A Paramount firmou o acordo para adquirir a WBD em 27 de fevereiro de 2026. A CMA denomina essa aquisição de Fusão. Paramount e WBD são denominadas Partes e, nas referências ao futuro, Entidade Resultante da Fusão.
Quem são as empresas e quais produtos e serviços oferecem?
3. As Partes atuam em uma ampla variedade de atividades ao longo das cadeias de valor de conteúdo cinematográfico e audiovisual (AV). As principais atividades consideradas na investigação da CMA incluíram a distribuição de filmes nos cinemas; a produção e o licenciamento de conteúdo audiovisual; a oferta varejista de conteúdo audiovisual não linear por meio dos serviços de vídeo sob demanda por assinatura (SVOD) Paramount+, HBO Max e Discovery+; e a oferta por atacado de canais infantis lineares de televisão, como Nickelodeon e Cartoon Network.
Por que a CMA analisou esta fusão?
4. A CMA tem o dever de investigar fusões que possam gerar preocupações concorrenciais no Reino Unido, desde que tenha competência para fazê-lo. Neste caso, a CMA concluiu que possui competência para analisar a Fusão com base no teste de faturamento, uma vez que a empresa-alvo, WBD, possui receitas superiores a 100 milhões de libras no Reino Unido.
Quais provas foram analisadas pela CMA?
5. A CMA considerou uma ampla variedade de provas, incluindo as manifestações das Partes e documentos comerciais e estratégicos internos, além das opiniões de todas as partes interessadas que responderam ao convite da CMA para o envio de comentários. A CMA também conversou com clientes e concorrentes e reuniu provas fornecidas por eles para compreender o cenário competitivo e o provável impacto da Fusão.
E quanto aos efeitos da Fusão sobre a concorrência?
6. A CMA analisou se a Fusão provocaria uma redução substancial da concorrência na distribuição de filmes nos cinemas e na oferta por atacado de canais infantis lineares de televisão no Reino Unido. A CMA também considerou, mas descartou, quaisquer preocupações decorrentes de outras sobreposições e relações verticais no setor audiovisual, incluindo a produção e o licenciamento de conteúdo audiovisual, a oferta varejista de conteúdo não linear por meio de serviços de vídeo sob demanda por assinatura e o possível fechamento do mercado a concorrentes situados nas etapas posteriores da cadeia.
7. Na distribuição de filmes nos cinemas, a CMA concluiu que, embora as Partes concorram diretamente, elas não parecem competir entre si de forma mais próxima do que com Universal, Disney ou Sony. Embora a Entidade Resultante da Fusão se torne a maior distribuidora do Reino Unido, ela continuará enfrentando a concorrência desses três grandes estúdios e de várias outras empresas menores.
8. Em relação aos canais infantis lineares de televisão, concluímos que, embora as Partes ocupem uma posição forte na oferta de canais infantis lineares de TV paga, os consumidores dispõem de várias alternativas, incluindo canais de televisão aberta e conteúdos infantis oferecidos por serviços de vídeo sob demanda por assinatura. A procura por canais infantis lineares de TV paga e a importância desses canais para as operadoras de televisão por assinatura estão diminuindo. De modo geral, a Entidade Resultante da Fusão continuará enfrentando pressão concorrencial suficiente na oferta de canais infantis lineares de televisão.
9. Em relação à oferta de serviços de vídeo sob demanda por assinatura, concluímos que outros concorrentes — como Netflix, Apple, Disney e Amazon Prime —, além de serviços que não funcionam por assinatura, como as plataformas de vídeo sob demanda mantidas por emissoras — entre elas BBC iPlayer e ITVX —, continuarão proporcionando concorrência suficiente à Entidade Resultante da Fusão. Também permanecerá uma pressão concorrencial suficiente, após a Fusão, nas demais áreas em que as Partes possuem atividades sobrepostas, inclusive na produção e no licenciamento de conteúdo audiovisual.
O que acontece agora?
10. A CMA não considera que a Fusão resulte ou possa vir a resultar em uma redução substancial da concorrência em qualquer mercado ou conjunto de mercados no Reino Unido. Portanto, a Fusão não será encaminhada para uma investigação de segunda fase, nos termos das seções 33(1) e 34ZA(2) da Lei das Empresas de 2002.