Como tarifaço de Trump pode afetar TV, novelas e séries brasileiras
Taxas de Trump estão deixando brasileiros de cabelo em pé
Publicado em 12/07/2025 às 18:18,
atualizado em 12/07/2025 às 19:53
Em uma decisão que surpreendeu o mercado internacional e elevou a tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou em julho de 2025 a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, válida a partir de 1º de agosto deste ano. Mas o que muda para a dramaturgia nacional?
A medida, justificada por Trump como uma resposta à “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro e supostos ataques do Brasil a empresas americanas, tem potencial para causar impactos significativos em setores estratégicos da economia brasileira. Contudo, é importante esclarecer que essa tarifa não afeta diretamente a produção de dramaturgia e programação de streaming e TV brasileiras.
Já outra decisão, mais recente e ainda em fase de regulamentação, pode impactar diretamente o mercado audiovisual nacional, especialmente filmes brasileiros que buscam espaço no mercado americano.
A tarifa de Trump para produtos brasileiros: o que muda?

A tarifa anunciada por Trump incide sobre produtos físicos exportados do Brasil para os Estados Unidos, como commodities, alimentos, aço, petróleo, entre outros bens tangíveis. O Brasil é o país que recebeu a maior taxa entre os notificados, superando inclusive tarifas aplicadas a União Europeia, México e Canadá.
A justificativa oficial do governo americano, exposta em carta enviada ao presidente Lula, é a existência de uma relação comercial “injusta” e “não recíproca” entre os dois países, além de críticas políticas relacionadas ao tratamento dado ao ex-presidente Bolsonaro. Trump também ameaçou aumentar ainda mais as tarifas caso o Brasil decida retaliar.
Essa tarifa tem caráter punitivo e político, e embora possa afetar setores exportadores brasileiros, não atinge o setor de conteúdo audiovisual, dramaturgia, formatos de TV ou streaming produzidos no Brasil. Isso porque esses produtos são considerados bens intangíveis, direitos autorais e serviços, que não são objeto das tarifas alfandegárias sobre mercadorias físicas.
O impacto sobre a dramaturgia e programação brasileira no mercado americano

Enquanto a tarifa de 50% não incide sobre conteúdos audiovisuais, existe outra medida anunciada por Trump que pode afetar diretamente filmes brasileiros e sua entrada no mercado dos EUA.
Em maio de 2025, o presidente americano anunciou a intenção de impor uma tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros importados para os Estados Unidos. Essa medida inédita e ainda em fase de regulamentação visa proteger a indústria cinematográfica americana, considerada ameaçada pelo governo americano devido a incentivos fiscais e subsídios concedidos por outros países.
Se implementada, essa tarifa poderia tornar muito mais onerosa a entrada de filmes estrangeiros, incluindo produções brasileiras, em cinemas e plataformas americanas. Filmes nacionais como O Agente Secreto, que busca distribuição nos EUA, poderiam ter sua competitividade prejudicada, pois os custos adicionais poderiam ser repassados a distribuidores e exibidores americanos, reduzindo o acesso do público norte-americano a essas obras e prejudicando a corrida para o Oscar.
O que isso significa para o mercado audiovisual brasileiro?
- Produção e exibição no Brasil: Plataformas e emissoras brasileiras continuam livres para produzir, adquirir e exibir conteúdos nacionais e estrangeiros sem impacto direto dessas tarifas americanas.
- Exportação para os EUA: A venda de direitos de séries, formatos e filmes para o mercado americano pode enfrentar barreiras significativas caso a tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros seja implementada, elevando custos e dificultando a entrada das produções brasileiras.
- Streaming e TV aberta/paga: A tarifa de 50% não afeta contratos de licenciamento e venda de conteúdos digitais, que são regidos por acordos comerciais internacionais e não por tarifas alfandegárias.
Lula pode encarecer TV e dramaturgia?

A ameaça do presidente Lula (PT) de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados dos Estados Unidos, em resposta à medida unilateral de Trump que impõe a mesma alíquota sobre exportações brasileiras, pode encarecer significativamente a produção nacional de dramaturgia e programação de TV.
Isso porque muitos dos equipamentos essenciais para a produção audiovisual — como câmeras, equipamentos de iluminação, servidores, softwares e outros hardwares tecnológicos — são importados dos EUA. Com a aplicação da tarifa, o custo desses insumos aumentará, elevando os gastos das produtoras, emissoras e plataformas de streaming brasileiras.
Esse aumento de custos pode impactar diretamente o orçamento das produções nacionais, tornando-as mais caras e, consequentemente, dificultando investimentos em novos projetos ou a manutenção da qualidade técnica.
Além disso, o encarecimento dos equipamentos pode afetar toda a cadeia produtiva, desde a captação até a pós-produção, o que pode refletir em menos conteúdo original ou maior pressão para buscar alternativas mais econômicas, o que nem sempre é viável.