Entrevista exclusiva

Giulia Gam detalha trabalho em novela vertical e revela se pretende voltar à TV

Atriz está no elenco de O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, que estreia neste mês no Globoplay


Giulia Gam
Giulia Gam interpreta Antonieta, uma mulher rica, líder de uma companhia aérea, na novela vertical O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas - Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin

Giulia Gam está no elenco da novela vertical O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, que estreia em 21 de julho no Globoplay. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, a atriz, afastada das tramas da TV desde Boogie Oogie (2014), há mais de uma década, dá detalhes sobre o trabalho de atuação para a internet e revela se pretende voltar à televisão.

Aos 59 anos, com mais de 40 de carreira, Giulia Gam conta que se interessou pela “nova linguagem a ser descoberta”. Essas produções audiovisuais, criadas especificamente para serem assistidas em telas de celulares, têm alcançado grande popularidade.

Sobre O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, ela diz: “O que eu achei bacana desse roteiro é que, mesmo tendo os elementos de um folhetim, você consegue ter nuances dentro dos personagens”.

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Guilherme Leme e Giulia Gam
Guilherme Leme Garcia e Giulia Gam em O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas - Foto: Divulgação/Ricardo Bufolin

Na trama, ela interpreta a rica Antonieta, casada com Alberto (Guilherme Leme Garcia), líderes da companhia aérea e pais de Hugo (Gabriel Stauffer). O rapaz é namorado de Beatriz (Maíra Aniceto), uma das protagonistas, que troca de identidade com a irmã Berenice (Maya Aniceto).

O microdrama é escrito por Gustavo Reiz, com direção de Roberta Richard e produção da Formata. Todos os 50 capítulos estarão disponíveis gratuitamente para não assinantes no streaming da Globo a partir de 21 de julho.

Na entrevista a seguir, Giulia Gam revela os desafios desse trabalho e entrega um desejo para a carreira: fazer mais cinema. Lembrada até hoje por papéis memoráveis em novelas, como Aline de Que Rei Sou Eu? (1989), Linda Inês de Fera Ferida (1993) e Heloísa de Mulheres Apaixonadas (2003), ela não descarta a volta ao formato tradicional da TV:

“Não me fecho a essa possibilidade de jeito nenhum e, surgindo um trabalho bacana, claro, voltaria com o maior prazer.”

Giulia Gam

Leia, na íntegra, a entrevista com a atriz Giulia Gam

NaTelinha: Percebo que as novelas verticais ainda são vistas com alguma resistência por atores veteranos. Como você avalia esse novo formato?

Giulia Gam: Olha, não sei se essas novelas são vistas com alguma resistência por atores veteranos, porque o que me chamou a atenção foi o fato de ser uma nova linguagem a ser descoberta para celular. É inegável que as pessoas, hoje em dia, estão totalmente conectadas ao celular. Inclusive, as pessoas veem as novelas através de recortes para o celular.

Então, acho que a Globo, de uma certa maneira, não quis deixar passar essa oportunidade e quis desenvolver uma dramaturgia para esse mercado que está se abrindo cada vez mais, colocando a qualidade dela como produtora de dramaturgia, reconhecida internacionalmente, mundialmente, há décadas. Ela [a Globo] quis colocar essa qualidade a favor desse novo aparelho que é o celular.

Giulia Gam
Giulia Gam em foto recente publicada nas redes sociais - Foto: Reprodução/Instagram

NaTelinha: Você assistiu a outras novelas verticais? O que achou delas?

Giulia Gam: O que eu fiz foi participar de uma outra novelinha vertical — que não é bem uma novelinha, é um programa —, que é A Vida de Tina. Achei ótimo. É uma turma de São Paulo. Eu conheço a atriz que faz a Tina, conheço o Igor Marotti, que faz a câmera, e ele me convidou para fazer um episódio.

Eu fiz e adorei, achei as soluções incríveis. Usa dublagem para não ter som direto, o que permite que a gente grave em qualquer lugar, com barulho ou sem barulho, porque tudo é dublado depois. É uma linguagem irreverente, interessantíssima.

O que eu vi também, durante a gravação, foi exatamente uma novelinha do ator Reeh Augusto, que ele mesmo produz as suas próprias novelas. Achei muito bacana.

“Imagino que, talvez, quando se fala em resistência, seja por conta da interpretação, do estilo de interpretação. E por os capítulos serem curtos, as mudanças de emoção, da tristeza para a alegria, ou vice-versa, serem feitas em muito pouco tempo, do bem e do mal, feio e belo, rico e pobre.”

Giulia Gam

O que eu achei bacana desse roteiro [de O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas] é que, mesmo tendo os elementos de um folhetim, você consegue ter nuances dentro dos personagens. Você consegue ter mudanças, questionamentos dentro dos personagens. Então, achei que, nesse espaço e nesse formato, você consegue ver modificações, durante a história, no comportamento dos personagens. Isso também é uma coisa a que a Globo prestou atenção.

NaTelinha: Como esse trabalho mudou a sua atuação? Quais as principais diferenças, na prática, em relação aos outros desempenhos, seja na televisão, no cinema ou no teatro?

Giulia Gam: O que eu senti em termos de interpretação é que, exatamente como os capítulos são muito curtos, você tem que colocar uma proposta, desenvolver e criar um gancho forte para que a pessoa se interesse pelo próximo capítulo. Então, as diferenças de emoção acontecem de forma muito rápida; a ação é muito rápida.

“Sinto que você tem que ter um repertório de emoções dentro de você para conseguir fazer essas passagens rápidas e que elas fiquem minimamente verdadeiras, honestas, para não caírem na caricatura ou no estereótipo. Vejo que os atores com mais recursos têm mais repertório, para fazer essas mudanças de clima, de cena e de emoção mais facilmente.”

Giulia Gam

NaTelinha: Com décadas de carreira, ainda há algum projeto ou tipo de personagem que você deseje encarar pela primeira vez?

Giulia Gam: Bom, eu nunca pensei em um determinado papel. Sempre os projetos foram aparecendo e eu fui fazendo. Hoje, acho que já fiz um arsenal bem grande de tragédia, comédia, mocinhas. Agora já estou mais velha, então são mulheres maduras, mães.

Não tenho, no momento, um tipo de personagem ou um papel específico que eu gostaria de fazer, porque acho que já fiz muita coisa bacana no teatro e na televisão.

Fiz pouco cinema. Talvez fazer cinema fosse uma coisa que eu gostaria de fazer mais, porque o mercado de cinema oscila muito. Tem épocas em que há cinema, outras em que não há. Mas talvez cinema, que é um mercado que está vindo com força e tem tido filmes brasileiros maravilhosos. É uma coisa que me interessaria fazer neste momento.

Heloísa de Mulheres Apaixonadas
A ciumenta Heloísa de Mulheres Apaixonadas está entre as personagens mais lembradas de Giulia Gam - Foto: Divulgação/Globo

NaTelinha: Muitos fãs pedem a sua volta à TV. Podemos contar com isso em breve? É um desejo seu?

Giulia Gam: Eu fico muito feliz de ver, nos comentários do Instagram e em tudo, que as pessoas sentem muito a minha falta, que sentem muita falta de me ver na novela.

Acho que construí, provavelmente, uma galeria de personagens muito sólida, muito interessante. Eu investi nisso, de ir atrás dos bons papéis, e isso manteve a minha imagem muito viva no público. Não sei no público mais jovem, que é um público que até nem vê mais televisão, mas as pessoas assistiram às novelas, pelo menos até os 30 anos.

“Tenho vontade, sim, tenho muita vontade. Acho que me interessa, ainda mais que a Globo está cheia de projetos interessantíssimos, também de séries, não só de novelas.”

Giulia Gam

Mas eu ainda acho bacana a experiência de uma dramaturgia aberta, como é o caso da novela, em que não tem uma obra fechada. Você começa a novela e não sabe onde o seu personagem vai dar; é um dia após o outro. Gostava de fazer novela e acho interessante. Então, não me fecho a essa possibilidade de jeito nenhum e, surgindo um trabalho bacana, claro, voltaria com o maior prazer.

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