Juliette alerta contra 'cultura redpill' e misoginia: "Se sentem autorizados a odiar"
Em longo desabafo, advogada defende que a violência de gênero começa na normalização de palavras de ódio
Publicado em 13/07/2026 às 22:00,
atualizado em 20/07/2026 às 11:02
Juliette usou as redes sociais nesta segunda-feira (13) para fazer um desabafo sobre o combate ao feminicídio e à misoginia. Em uma sequência de vídeos publicados nos stories do Instagram, a cantora revelou que acompanhava o início do Tribunal do Júri do caso de sua amiga de infância, Clarissa, vítima de feminicídio no ano passado, e aproveitou o momento para defender mudanças na legislação e cobrar a votação de um projeto de lei voltado ao combate à misoginia.
Logo no início do relato, a artista falou sobre a expectativa pelo julgamento e demonstrou confiança na atuação da Justiça. "Hoje eu acordei com o coração apertado. Tá acontecendo agora o Tribunal do Júri do caso da minha amiga Clarissa, que foi vítima de feminicídio no ano passado. Eu acredito muito na justiça, não só de Deus, mas dos homens, dos profissionais envolvidos nesse caso. Tenho certeza que a justiça será feita. Nada ameniza essa dor, mas a justiça precisa ser feita", afirmou.
Na sequência, Juliette ampliou a discussão e defendeu que o enfrentamento ao feminicídio deve envolver toda a sociedade. "A luta contra o feminicídio é de todos. Não é sobre partido, não é sobre ideologia. É uma luta coletiva. O feminicídio não começa na agressão, ele começa na palavra, começa numa cultura, quando alguns comportamentos passam a ser normalizados", disse.
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A cantora argumentou que, além da educação, mudanças legislativas também são necessárias para alterar comportamentos. Como exemplo, citou leis relacionadas ao consumo de álcool ao volante e à proibição do cigarro em ambientes fechados.
"A cultura também é modificada através da legislação. A gente precisa de leis que mudem a cultura e que punam comportamentos misóginos. As pessoas precisam entender: 'Eu não posso fazer isso'. Senão, esses comportamentos vão sendo alimentados até terminarem em crimes de feminicídio", declarou.
Juliette defende PL da Misoginia

Ela também criticou a demora na tramitação de um projeto de lei que prevê a criminalização da misoginia. Segundo ela, a proposta já passou pelo Senado, mas ainda aguarda análise na Câmara dos Deputados.
"No discurso todo mundo está preocupado com o feminicídio, mas, na prática, fazem inúmeras manobras políticas para atrasar algumas ações. O projeto de lei da misoginia está sendo adiado sob o argumento de que é um tema polêmico e que poderia ferir a liberdade de expressão. Ódio às mulheres é diferente de liberdade de expressão", afirmou.
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Ao comentar o calendário do Congresso, a influenciadora pediu que a proposta seja analisada antes do início do recesso parlamentar.
"Essa é a última semana. Se isso não for feito agora, só Deus sabe quando. Eu queria tanto que os discursos se tornassem ações, que pensassem muito mais na proteção das mulheres e menos em interesses secundários. Essas atitudes refletem diretamente nessa cultura redpill, no ódio às mulheres. Eles se sentem muito autorizados a falar e a espalhar esse discurso", concluiu.
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