Morre Mauro Marcondes, aos 72 anos, ícone que uniu a MPB ao alto escalão da economia
Compositor de Copacabana e ex-presidente da Finep deixa rastro de sofisticação e herança artística
Publicado em 11/07/2026 às 18:00
O cantor, compositor e executivo Mauro Marcondes morreu na última sexta-feira (10), aos 72 anos. A informação foi confirmada por sua assessoria de imprensa por meio de uma nota oficial. Com trajetória dividida entre a música e o serviço público, ele ficou conhecido por construir uma carreira singular, conciliando a produção artística na MPB com cargos de destaque na área de desenvolvimento econômico do Brasil.
Carioca e criado em Copacabana, Mauro teve contato desde cedo com o ambiente da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira. Aos 17 anos, participou do IV Festival Universitário da extinta TV Tupi, dando início a uma trajetória como compositor que seria marcada pela influência de nomes como Milton Nascimento, Chico Buarque, Edu Lobo e Dori Caymmi.
Os primeiros passos no violão aconteceram com o amigo Vicente Saboya, antes de aperfeiçoar a técnica com Luiz Roberto, integrante do grupo vocal Os Cariocas.
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Ao longo da carreira, participou do festival MPB-80, da Globo, com a canção "Como se Fosse", composta em parceria com o letrista Caito Spina, um de seus colaboradores mais frequentes. Nas décadas seguintes, manteve a produção autoral e ampliou o círculo de parcerias, assinando composições também com Paulo César Feital e Zéjorge.
Paralelamente à música, Mauro Marcondes construiu uma sólida trajetória no setor público. Atuou durante anos no BNDES, ocupou cargos ligados ao planejamento governamental, presidiu a Finep, agência federal de fomento à ciência e tecnologia, e também trabalhou em Washington como diretor do BID, participando de iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à integração regional.
Últimos anos Mauro Marcondes
Nos últimos anos, decidiu deixar definitivamente a carreira executiva para dedicar-se integralmente à produção musical. O período marcou uma intensa retomada artística, com o lançamento independente de álbuns, EPs, singles e videoclipes, buscando compensar o tempo em que conciliou a atividade musical com as responsabilidades no serviço público.
Sua discografia inclui trabalhos como Perfil de Sal (2003) e Mar Azul (2005). Em 2025, lançou seu quinto álbum autoral, O Tempo e o Amor, com arranjos do maestro Leandro Braga e participações especiais de Áurea Martins e João Cavalcanti, consolidando o retorno aos estúdios.
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