Um dos maiores

Benedito Ruy Barbosa, autor de Pantanal e O Rei do Gado, morre aos 95 anos

Corpo será velado nesta tarde


Benedito Ruy Barbosa aos 95 anos e nos anos 90
Benedito Ruy Barbosa escreveu inúmeros sucessos na carreira - Foto: Divulgação

Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 95 anos. O autor estava internado no HCor, na capital paulista, e faleceu em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica. O corpo será velado nesta terça, das 15h às 21h, no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo.

Autor de novelas como Pantanal (1990), Renascer (1993), O Rei do Gado (1996-1997) e Terra Nostra (1999-2000), Benedito construiu uma obra marcada por sagas familiares, disputas por terra, paixões intensas e personagens rurais que entraram para a história da televisão brasileira.

Nascido em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, o autor passou a infância em Vera Cruz, região de cafezais marcada pela presença de imigrantes japoneses e italianos. Filho mais velho de cinco irmãos, precisou trabalhar cedo depois da morte do pai, Otávio Barbosa.

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Antes de chegar à televisão, Benedito trabalhou como auxiliar em firma comercial, vendedor de verduras, faxineiro, jornalista e revisor. O contato com a escrita veio ainda jovem e o levou ao teatro. Seu primeiro romance, Fogo Frio, acabou adaptado para os palcos e abriu caminho para a carreira de dramaturgo.

A estreia na televisão aconteceu em 1966, com Somos Todos Irmãos, na TV Tupi (1950-1980). Depois, passou por emissoras como Excelsior (1960-1970), Record, TV Cultura e Globo. Em 1971, escreveu Meu Pedacinho de Chão, exibida em parceria pela TV Cultura e pela Globo.

Na emissora carioca, consolidou uma trajetória de sucesso a partir dos anos 1970. O grande "boom", contudo, veio nos anos 1990.

O sucesso de Benedito Ruy Barbosa

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Em 1990, Benedito surpreendeu o país com Pantanal, na TV Manchete (1983-1999). A novela apostou em locações externas, explorou a força do bioma brasileiro e foi um fenômeno de popularidade.

Poucos anos depois, voltou à Globo e emplacou Renascer, em 1993. A trama ambientada no interior da Bahia apresentou a saga de José Inocêncio e abriu uma nova fase na carreira do autor. Décadas mais tarde, a obra ganharia uma nova versão escrita por seu neto, Bruno Luperi.

Em O Rei do Gado, Benedito tratou da rivalidade entre famílias de origem italiana, da reforma agrária e da disputa pela terra. A novela se tornou um dos maiores sucessos da Globo nos anos 1990 e eternizou personagens como Bruno Mezenga, Luana e o senador Caxias.

Já em Terra Nostra, o autor voltou a tratar sobre a imigração italiana. A história de Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil, virou outro marco de sua carreira.

Os últimos anos de Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa, autor de Pantanal e O Rei do Gado, morre aos 95 anos

Seu último trabalho inédito na televisão foi Velho Chico (2016), há 10 anos. A novela, ambientada no sertão nordestino e às margens do Rio São Francisco, não foi um grande sucesso como outras de suas obras.  Terminou, à época, com a terceira pior média geral na faixa das nove.

Nos últimos anos, parte do legado de Benedito passou a ser conduzida também por familiares. As filhas Edmara e Edilene Barbosa seguiram na dramaturgia, assim como o neto Bruno Luperi, responsável pelos remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2024) na Globo.

"Porque você vive em São Paulo, uma cidade que te agride o tempo todo, Rio de Janeiro, mesma coisa. Você trabalha 8 horas, fica duas horas para chegar no serviço, pode ficar duas horas para voltar para casa, você vai, senta na frente lá (da TV), você vai ver Paulista, vai ver Copacabana, Leblon. De repente, se você liga, você vê verde, vê boi no pasto, vê uma canção mais ingênua, mais gostosa, mais romântica. Os personagens são machos para burro, é um tipo de gente forte, as mulheres também são maravilhosas".

Benedito Ruy Barbosa, em 1997, no Roda Viva

O primeiro contrato com a Globo e a trajetória de Benedito Ruy Barbosa

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  • Início na Globo (Horário das 18h): Assinou com a emissora em 1976 e estreou com O Feijão e o Sonho. Na sequência, consolidou seu sucesso no horário com as adaptações À Sombra dos Laranjais (1977) e Cabocla (1979).

  • Filosofia de escrita: Defendia que o elemento principal para segurar a trama de uma novela é, antes de tudo, uma grande história de amor entre os protagonistas.

  • Passagem pela Bandeirantes e retorno: Teve uma curta passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu Os Imigrantes (1981). Ao retornar para a Globo, escreveu sucessos como Paraíso (1982), Sinhá Moça (1986), além de dirigir e reformular episódios do Sítio do Picapau Amarelo.

  • O fenômeno Pantanal na Manchete: Em 1990, transferiu-se para a TV Manchete e escreveu Pantanal. O estrondoso sucesso da obra garantiu o seu retorno imediato à Globo.

  • Consolidação no Horário Nobre: De volta à Globo, escreveu Renascer (1993). A partir daí, consolidou seu estilo inovador na teledramaturgia, marcado pela abordagem de temas rurais e o uso massivo de cenas externas. 

A era das grandes sagas:

  • O Rei do Gado (1996): Sucesso estruturado em duas fases, formato que o autor defendia por permitir que o público conhecesse as origens dos personagens.

  • Terra Nostra (1999): Uma de suas obras favoritas, inspirada em reminiscências de sua própria infância, abordando a imigração italiana.

  • Esperança (2002): Seguiu a mesma temática de saga e imigração italiana, ambientada na década de 1930.
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