Luísa Sonza relembra processo por racismo e faz reflexão: "Sempre tentei ser perfeita"
A cantora falou sobre o caso que aconteceu em 2018 envolvendo uma advogada
Publicado em 01/07/2026 às 16:07,
atualizado em 01/07/2026 às 16:17
Luísa Sonza abriu o jogo sobre o processo por racismo que respondeu na Justiça. Em 2018, durante um festival em Fernando de Noronha (PE), a cantora pediu a uma advogada que a servisse com água, achando que ela era uma das funcionárias do local. A mulher acionou a cantora e alegou que o episódio se deu em razão de sua cor. Cinco anos depois, as partes chegaram a um acordo e o imbróglio foi encerrado.
Em entrevista ao videocast Desculpa Alguma Coisa, apresentado por Tati Bernardi, a loira foi questionada sobre a questão do seu amadurecimento pessoal e relembrou a situação. "Tem muita coisa que eu patrocino, mas gosto de ser quem sou e não tentar me justificar, não tem necessidade", disse.
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"Eu ajudo há sete anos o projeto TPM [Todas Podem Mixar], focado em mulheres - principalmente mulheres pretas - e é uma mulher preta que encabeça tudo. Foram Tasha & Tracie que me indicaram e faz muitos anos que estamos nessa. Se colocar e se entender como mulher branca é muito importante, e acho também que, com o tempo, a gente vai conseguindo entender mais", afirmou a ex de Whindersson Nunes.
"Na verdade, sempre fui muito consciente, de verdade, e muita coisa aconteceu na minha vida em que pensei: 'Só segue fazendo, e se porte do jeito que você é, não como as pessoas falam que você é'. Acredito que, um dia, muita coisa vai se desenrolando, mas não sou eu que vou lá falar e tentar me defender. Não sou a pessoa que se defende, sou uma pessoa que faz, que cresce, que ajuda, que acredita. Que tenta entender como pode fazer melhor, não como resposta, e sim como pessoa", completou Luísa Sonza.
"'Quando você vê, toma um susto do tipo: 'Meu Deus, eu sou a vilã'. Mas ao mesmo tempo, não sente que é, porque, por exemplo, o processo que aconteceu, não foi uma coisa que que eu tive a intenção. Eu tinha 18 anos, aconteceu muitos anos atrás. Eu estava cantando e me virei e aconteceu. Depois, você não entende, até antes do início dos 20 anos. Mas é que não é sobre mim, é sobre o outro. É sobre como o outro se sente", refletiu a intérprete.
"E meu comportamento, não de pessoa individual, mas como pessoa social, que atinjo muitas pessoas, tem que contribuir para não seguir essa estrutura que é racista, elitista, machista, enfim. E, como eu devo me portar como uma mulher branca e, principalmente, como uma pessoa pública? Você tem que ter um tato maior e um entendimento mais profundo das coisas", declarou Luísa Sonza.
Luísa Sonza reflete sobre privilégios

No papo, Luísa Sonsa fez uma reflexão sobre seus privilégios. "O que eu busco fazer é sempre estar me atualizando, sempre buscando o melhor e sempre, claro, por trás das câmeras. Acho que a melhor justificativa ou a melhor desculpa são as atitudes. E isso eu busquei sempre. Sempre tentei ser perfeita, mas é impossível ser", falou.
"Hoje, também acho que perdoo a ignorância da Luísa de 10 anos atrás e entendo como eu devo me portar em relação a todas essas questões. E não é porque eu não estou na sua pele que eu não deva sentir sua dor. Isso, para mim, é uma das coisas mais difíceis de você entender. No sentido de você olhar para si mesma e falar: 'Você precisa ser melhor do que você'", ponderou.
"E você ainda pensa: 'Nossa, mas na minha cabeça eu já era tão legal, tão boa, fazia tudo". E aí, você fala: 'É, Luísa, mas às vezes não é sobre você'. Acho que é isto que nós, como mulheres brancas, temos que carregar de forma muito forte: a luta contra o racismo e o problema do racismo é com a gente, não com as pessoas pretas. A gente tem esse dever. E mesmo em outras em outras causas. Acredito muito nisso", reforçou Sonza.
"Por que eu estou aqui?. Queria fazer ainda mais, acho que nunca vou estar fazendo o suficiente. Porém, acho que é aí que vem a desculpa e a melhora como ser humano, com o que eu faço e as coisas que eu não falo que faço. Com o tempo, isso se mostra sozinho. Mesmo que as pessoas comecem a divulgar todo o meu trabalho por trás, as coisas que vivi e que acontecerem quando eu morrer. Você cresce e não tem o que fazer", concluiu Luísa.
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