Codinome: cinema

Diretor Tico Barreto fala sobre carreira e analisa audiovisual brasileiro: "Momento especial"

Cineasta é natural de Guarulhos e atualmente se dedica à divulgação de um curta-metragem


Tico Barreto
Tico Barreto analisou o atual momento do audiovisual brasileiro e falou sobre sua carreira - Foto: Divulgação

Depois de mais de 20 anos de atuação no audiovisual brasileiro, o cineasta Tico Barreto vive um momento de expansão profissional. No momento, enquanto o seu último curta-metragem, Desertores, inicia a circulação nos festivais, o diretor participa de alguns dos principais eventos do setor.

Barreto, que é natural de Guarulhos (SP), construiu sua carreira entre cinema independente, publicidade, direção de atores, preparação de elenco, formação audiovisual e desenvolvimento de projetos culturais, colaborando com produções como Sintonia (Netflix), Segunda Chamada (O2 Filmes/Globo), Pico da Neblina (O2 Filmes/HBO) e Carcereiros (Globo/Gullane Filmes), além de dirigir obras como Nove, Impulso, Aeroponto e Canto dos Cantos.

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Em entrevista, Tico fala sobre seu atual momento, o amadurecimento dos projetos e os próximos passos. "Vejo [essa fase] como consequência de uma construção de muitos anos. Sempre trabalhei em diferentes frentes do audiovisual, dirigindo, formando pessoas, preparando atores e desenvolvendo projetos. Agora começo a ver essas frentes se encontrando ao mesmo tempo. É um momento muito especial", comenta.

O cineasta também analisa o caminho a ser trilhado por Desertores nos festivais. "Representa o encontro do filme com o mundo. Todo realizador sonha com esse momento. O festival é onde a obra começa a dialogar com novos públicos, críticos, programadores e outros cineastas. Estamos muito felizes com esse início de caminhada", diz.

Há, inclusive, a possibilidade de o curta ser transformado em um longa. "Existem conversas acontecendo e possibilidades sendo avaliadas. O universo de Desertores é muito rico e entendemos que ainda existem histórias que podem ser aprofundadas. É um projeto que continua despertando interesse", adianta.

No papo, Tico Barreto também aborda as aulas que dá na Escola Wolf Maya. "Trabalhar com atores me ensinou que cinema é, antes de tudo, relação humana. A formação me ajuda a entender processos, potencialidades e desafios de cada intérprete. Isso reflete diretamente na forma como conduzo meus projetos", revela.

"Muitas vezes o público enxerga apenas o resultado final, mas existe um trabalho muito importante antes das filmagens começarem. A preparação de atores cria um espaço para que a obra seja pensada para além da técnica e da execução. É o momento de aprofundar personagens, relações, conflitos e tudo aquilo que não pode ser medido apenas por uma câmera ou por um roteiro", explica o profissional.

Tico Barreto fala sobre atuação no audiovisual

Diretor Tico Barreto fala sobre carreira e analisa audiovisual brasileiro: \"Momento especial\"

Na conversa, Tico Barreto também analisa a sua atuação de anos dentro do audiovisual. "Porque essa foi a minha origem. Muitas portas se abriram para mim graças a pessoas que acreditaram no meu trabalho. Hoje sinto a responsabilidade de fazer o mesmo por outras pessoas. Formar talentos, criar oportunidades e ampliar acessos também faz parte da missão do audiovisual", declara.

"Estamos vivendo um momento em que a tecnologia avança numa velocidade impressionante. A inteligência artificial veio para ficar, tem seu valor e pode contribuir muito com diversos processos criativos. Mas acredito que existe algo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a experiência humana", reflete.

"O que me move é preservar isso. É continuar trabalhando com atores, com emoções reais, com histórias que nascem das pessoas e dos seus conflitos. É buscar verdade nas relações, nos personagens e nos encontros que o cinema proporciona", afirma o cineasta.

"Talvez por isso eu tenha dedicado tantos anos à direção de atores e à formação de novos talentos. Eu acredito no olhar, na escuta, na vulnerabilidade e na capacidade que uma boa história tem de gerar identificação e transformação", conclui Tico.

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