Tragédia

Décio Piccinini revela ter encontrado a esposa morta na cama: "Fiquei pirado"

Jornalista relembrou sofrimento ao ficar viúvo: "Só conseguia dormir debaixo da minha cama com ela"


Décio Piccinini
Décio Piccinini recorreu a tratamento psiquiátrico para superar a morte da mulher, em 1989 - Foto: Reprodução
Por Walter Felix

Publicado em 20/05/2026 às 13:30,
atualizado em 20/05/2026 às 13:49

Décio Piccinini, de 80 anos, revelou ter encontrado a esposa morta na cama. O caso, ocorrido em 1989, foi narrado pelo jornalista em participação no podcast Intervenção, comandado por Roger Turchetti. Ele contou ainda ter recorrido a um tratamento para superar o trauma.

A segunda mulher de Décio Piccinini se chamava Heloísa, era professora e deu a ele seus dois primeiros filhos, Fernando e Marcos. O casamento durou de 1974 até a súbita morte da moça, 15 anos depois. “Quando cheguei no meu quarto, minha mulher estava morta”, contou.

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Décio detalhou a experiência: “Sempre que eu sentava na cama, quando eu deitava depois dela, havia um movimento qualquer dela, ainda que inconsciente. Naquela noite, não aconteceu nada. Pensei: ‘Teve uma queda de protocolo aqui, o que está acontecendo?’”.

“Quando acendi a luz, ela estava com o olho aberto, e eu percebi o que tinha acontecido.”

Décio Piccinini

Ele relembrou: “Passei quatro anos e meio viúvo, completamente pirado. Fiz cada bobagem, cada loucura. Mas consegui criar os dois meninos, um tinha 7 e o outro 13 para 14 anos. Eu não queria mais viver, mas me perguntava: ‘E os meus filhos, quem cria?’.”

O veterano pensava que, como os filhos já não tinham a mãe, não poderiam ficar também sem o pai. “Dei muito trabalho para psiquiatra. Felizmente, encontrei um que ficou comigo muitos anos.”

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“Foi um inferno em vida”, definiu Décio sobre o período de luto. “Com muita ajuda de amigos, parentes e de alguns médicos, eu consegui me recuperar, mas tinha fases de chegar em casa, depois do trabalho, muito cansado, e começava a me dar uma ansiedade muito forte.”

“Eu só conseguia dormir se eu entrasse embaixo da minha cama com ela. Eu pegava o travesseiro e me enfiava debaixo da cama. Lá, eu estava um pouco mais seguro.”

Décio Piccinini

Ele recorreu a tratamentos, com remédios psiquiátricos que o ajudaram a “não ficar maluco”. “Consegui me reerguer. Não é fácil, até hoje não é fácil”, afirmou. Ele se casou novamente, nos anos 1990, com Maria Auxiliadora, conhecida como Dora, e teve uma filha, chamada Veridiana.

“O melhor tratamento foi que, depois de quatro anos e meio, eu fui trocar o óculos na loja que costumo ir e tinha uma moça lá, de jaleco branco, e é a minha mulher hoje. Estamos casados há 33 anos.”

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