Michael Jackson é acusado de novos abusos por 'segunda família': "Não é o homem que todos pensam"
Quarteto da família Cascio concedeu polêmica e extensa entrevista ao programa 60 Minutes, da Austrália, no último domingo (10)
Publicado em 12/05/2026 às 09:50,
atualizado em 12/05/2026 às 10:50
Michael Jackson voltou ao centro de uma grave acusação de abuso sexual infantil. O programa 60 Minutes, da Austrália, exibiu uma reportagem com integrantes da família Cascio, que foram próximos do cantor durante décadas e agora afirmam ter sido vítimas de manipulação e abuso quando eram crianças. "Não é o homem que todos pensam", garantiram eles, cujo conteúdo está repercutindo no mundo inteiro nas últimas horas.
Edward, Dominic, Aldo Cascio e Marie-Nicole Porte dizem que Jackson se aproximou da família nos anos 1980, depois de conhecer o pai deles, que trabalhava em um hotel frequentado pelo artista. A relação se tornou tão próxima que o cantor passou a tratar os Cascio como uma espécie de segunda família.
Na reportagem, o programa exibiu fotos e vídeos caseiros que mostram a convivência entre o artista e as crianças. Para os irmãos, no entanto, o material ganhou outro significado com o passar dos anos. "É doloroso, porque você vê a empolgação no rosto de todos nós. Dá pena daquela família, que foi tão manipulada por ele", disse um dos entrevistados.
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Michael Jackson teria seduzido família com dinheiro para ganhar confiança, afirmam

Os irmãos afirmam que o astro usou fama, dinheiro, presentes, viagens e convivência íntima para ganhar a confiança da família. Segundo eles, a relação teria evoluído para um processo de aliciamento e abuso sexual ao longo dos anos. "Nós somos uma família muito unida, e ele se aproveitou disso", afirmou Eddie Cascio.
Em outro trecho da entrevista, os irmãos disseram que Jackson fazia cada um acreditar que era o único a viver aquela situação com ele. “Ele nos convenceu de que aquilo só acontecia com a gente”, declarou um deles. “É uma lavagem cerebral total. Nós fomos levados a acreditar nisso”, completou outro integrante da família.
Eddie Cascio disse que conheceu Michael Jackson ainda criança e que, aos 11 anos, durante uma turnê, a relação mudou. Segundo ele, o cantor passou a tratá-lo como alguém especial. "Foi quando meu mundo começou a mudar", afirmou. Em outro momento, Eddie declarou que Jackson "disfarçava aquilo como amor".
Dominic Cascio também falou sobre a proximidade com o cantor na infância. Ele contou que via Jackson como uma figura divertida e próxima. "Ele era como um tio legal. Era sempre divertido estar perto dele", disse. Segundo Dominic, a sensação de pertencer ao círculo íntimo do artista era intensa. "Parecia que eu tinha conseguido", declarou.
Marie-Nicole Porte também acusa o cantor de abuso. Na entrevista, ela afirmou que Jackson naturalizava situações impróprias e dizia que determinadas atitudes faziam parte de algo especial entre os dois. "Ele dizia que aquilo era algo especial entre mim e ele, e que eu não poderia contar para ninguém da minha família".
Os supostos abusos de Michael Jackson
Os irmãos também disseram que o cantor os preparava para negar qualquer situação suspeita caso fossem questionados. Aldo Cascio afirmou que Jackson simulava abordagens de autoridades e treinava respostas. "Ele me treinou para dizer não se alguém perguntasse se algo estava acontecendo", contou.
Segundo Aldo, havia medo de que qualquer revelação destruísse a vida do cantor e da própria família. "Ele colocava medo na gente. Dizia que, se aquilo acontecesse, ele teria problemas, nós teríamos problemas, a vida dele seria arruinada e a nossa também", declarou.
A família também falou sobre a entrevista concedida ao programa de Oprah Winfrey em 2010, quando defendeu publicamente Jackson e negou qualquer comportamento impróprio. Agora, os irmãos dizem que ainda estavam presos à obrigação de protegê-lo.
"Nós ainda estávamos com a mesma mentalidade, de que precisávamos continuar protegendo Michael”, afirmou um dos Cascio. “Ninguém estava pronto para contar a verdade. Todos nós estávamos com medo", acrescentou.
A virada, segundo eles, ocorreu após o lançamento do documentário Leaving Neverland, em 2019, que trouxe acusações de Wade Robson e James Safechuck contra o cantor. Os Cascio afirmam que reconheceram semelhanças entre os relatos do documentário e as próprias experiências.
“Pensei: meu Deus, ele fez isso com outras crianças. Aquilo foi suficiente para a minha coragem aparecer”, disse Aldo.
Foi a partir daí que a família diz ter começado a falar internamente sobre o assunto. Aldo contou que reuniu os parentes na casa dos pais e afirmou que as acusações feitas por outras pessoas eram verdadeiras porque também teriam acontecido com ele. A revelação abriu caminho para que os irmãos compartilhassem relatos semelhantes. “Foi a coisa mais difícil para mim: admitir”, afirmou um dos entrevistados.
Outro disse que os pais ficaram muito abalados ao ouvir os relatos. “Eles perguntaram se tinha acontecido comigo também. Eu disse: sim, comigo também.”
Na reportagem, Eddie Cascio afirmou que quer que o público conheça outra face do cantor. “Michael Jackson não é o homem que todos pensam que é. Michael Jackson abusou sexualmente de mim, da minha família e de muitas outras pessoas”, disse. Ele também afirmou que o artista “não era aquela pessoa no coração”, apesar de ter escrito músicas como Heal the World e We Are the World.
Dominic também criticou a celebração atual da imagem do cantor. “É um tapa na cara ver que ainda fazem parecer que ele era uma pessoa inocente e maravilhosa. O talento dele é inquestionável. A música dele, sim. Não dá para negar. Mas há mais sobre ele do que isso”, declarou.
O espólio de Michael Jackson nega as acusações. A defesa sustenta que a família Cascio passou anos defendendo publicamente o cantor e acusa os irmãos de buscarem compensação financeira.
Jackson morreu em 25 de junho de 2009, aos 50 anos. Em vida, ele enfrentou um julgamento criminal por abuso sexual infantil e foi absolvido de todas as acusações em 2005.
Mesmo diante da contestação, os irmãos afirmam que decidiram falar para romper o silêncio. “Espero que isso dê coragem a outras vítimas para aparecerem e serem fortes conosco, porque, no fim das contas, ele era o monstro, não nós”, disse um dos Cascio.
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