Karol Lannes fala de Avenida Brasil 2 e dá detalhes de personagem sexy em nova série da Netflix
Atriz, que interpretou Ágata, relembra cenas de gordofobia e opina sobre continuação da novela na Globo
Publicado em 05/02/2026 às 04:05,
atualizado em 05/02/2026 às 10:51
Ainda menina, Karol Lannes fez sucesso como Ágata, filha e alvo recorrente das maldades de Carminha, a vilã vivida por Adriana Esteves em Avenida Brasil. Fenômeno de popularidade em 2012, a novela ganhará uma continuação, programada para 2027, no horário nobre da Globo. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, a jovem atriz, hoje aos 25 anos, fala sobre o projeto.
“A galera tem a impressão de que eu parei de trabalhar só porque eu não estou na Globo, mas sigo trabalhando, produzindo”, diz Karol Lannes. Ela conta que ainda não recebeu o contato da Globo para a sequência da novela, ainda em fase inicial de produção.
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Ela concilia a expectativa em ser chamada com especulações sobre a nova história – em uma das supostas premissas, Ágata reaparece em cena como uma das personagens centrais. “Estou super aberta, mas vamos dar tempo ao tempo”, diz a atriz, que a aprova a ideia de dar seguimento à novela original.
“Se mantiver a galera que fez Avenida Brasil ser Avenida Brasil, acredito que a continuação terá a mesma qualidade e será um estouro também, porque tem muito pano para manga com esses personagens, com novas linhas de histórias e novos arcos”, prevê Karol.
Até hoje, cenas em que Carminha maltrata a própria filha são compartilhadas nas redes sociais. Nos bastidores, a então atriz mirim recebia o carinho de Adriana Esteves antes e depois das gravações. “Naquela época, eu sofri mais gordofobia fora do que dentro da novela. Criança é muito maldosa. Na escola, usavam os apelidos da Carminha para me zoar.”
Desde criança, Karol soube lidar com o preconceito e rebatia o bullying com desdém – ao contrário dos colegas, ela estava na novela das nove. Assumidamente lésbica, ela pede por histórias diversas no audiovisual além de abordagens sobre o preconceito. “Falta mostrar o gay bandido, trambiqueiro, que dá golpe em todo mundo, a gorda que é puta (risos)”, cobra.
Karol dá vida a uma mulher sexy e desejada em Os 12 Signos de Valentina, seu primeiro trabalho para a Netflix – as gravações terminam em março, e a série deve ser lançada ainda em 2026. No cinema, poderá ser vista no filme Nico, contracenando com Murilo Benício, numa relação bem diferente daquela entre Ágata e Tufão.
Além dos trabalhos como atriz, ela tem se dedicado a produzir conteúdo para as redes sociais, com posts e vídeos divertidos sobre a carreira e sobre comportamento. Atualmente, conta com mais de 420 mil seguidores e alguns contratos de publicidade. “Entendi que, como artista, tenho que ter letramento em várias linguagens.”
Leia a íntegra da entrevista com a atriz Karol Lannes

NaTelinha: Você vai estar em Avenida Brasil 2? Já entraram em contato para falar sobre o projeto?
Karol Lannes: A princípio, não recebi nenhum contato. A produção também está muito nos primórdios ainda. Entrei em contato com a minha agente, pedi que ela procurasse saber. São muitas especulações. Acredito que vá, sim, acontecer a continuação em 2027, mas realmente ainda não movimentaram todo o elenco.
"Da minha parte, a Ágata é uma das personagens mais importantes da minha carreira, então poder realizá-la agora, na fase adulta, e ter essa oportunidade que poucos atores têm de reviver um personagem em uma outra fase, crescer junto com ele… Ia ser incrível! Ia ser outro marco na minha carreira. Então, óbvio que estou super aberta, mas vamos dar tempo ao tempo."
O que eles acharem que for melhor para a produção, eu digo “amém”. Avenida Brasil nunca vai deixar de ser um grande marco na minha carreira. Por enquanto, estamos no aguardo, como todo mundo.
NaTelinha: Então você aprova a ideia de uma continuação da novela...
Karol Lannes: A galera tem esse receio das continuações, existe aquela “maldição” do segundo produto, mas também existe a possibilidade, ainda mais em uma novela tão icônica, de dar seguimento a personagens que as pessoas amam tanto.
Avenida Brasil teve uma produção muito boa, roteiro, direção… Se mantiver a galera que fez Avenida Brasil ser Avenida Brasil, acredito que a continuação terá a mesma qualidade e será um estouro também, porque tem muito pano para manga com esses personagens, com novas linhas de histórias e novos arcos.
NaTelinha: A relação entre Ágata e Carminha era tratada com comicidade, mas havia ali um discurso muito violento, de gordofobia. São cenas que repercutem até hoje. Havia um cuidado com vocês nos bastidores?
Karol Lannes: Eu tinha 12 anos na época, e sempre houve um cuidado muito grande comigo, tanto da produção quanto da parte da Adriana, como pessoa e como colega de trabalho. Ela sempre conversava comigo de igual para igual: ‘A gente vai fazer tal cena, mas você sabe que não é isso que eu penso de você. Você é linda, tenho um carinho enorme por você’. A gente almoçava juntas, às vezes ela me levava para a farmácia, para comprar algum remédio. Havia um carinho muito grande uma pela outra.
Sempre tive essa habilidade de diferenciar o que era vida real e o que era cena, desde muito pequenininha. A primeira novela que eu fiz, eu tinha 7 anos [Duas Caras, em 2007]. E a produção [de Avenida Brasil] sempre me tratou muito bem, me elogiavam muito. Tive festinha de aniversário, ganhei vários presentes… Era a única criança no set, então era muito mimada por eles.
"Naquela época, eu sofri mais gordofobia fora do que dentro da novela. Criança é muito maldosa. Na escola, usavam os apelidos da Carminha para me zoar, mas eu, sempre muito narcisista, falava: 'Gente, vocês estão me zoando, mas eu estou na novela das nove, amor! Eu estou recebendo, vocês estão fazendo o quê?!'. Sempre tive esse approach, então para mim foi tranquilo."
NaTelinha: Como você vê aquelas cenas hoje? Caberia uma abordagem assim em uma novela em 2026?
Karol Lannes: Esse é um debate muito atual. Fazendo um paralelo com as cenas do casal de lésbicas em Três Graças, é legal ter essa representatividade, mas também podemos falar sobre homofobia, sobre gordofobia, sem o viés de expor como o preconceito é e mais sobre o que pode ser feito para combater e viver sem ele. Não gosto muito da ideia de que grupos marginalizados ou minorias tenham que ser tratados sempre como vítima. “Ah, tadinha da sapatão, da gorda, porque sofre muito.”
Hoje, talvez, não fosse a melhor maneira de abordar esse assunto. É possível trazer outro viés, como de uma filha que luta contra esse discurso da mãe. Ou que fosse menos brincadeira e mais no sentido de conscientizar.
Para a época, fazia muito sentido e ajudou muitas pessoas, porque a Nina [personagem de Débora Falabella] sempre defendia a Ágata. Muitas meninas que sofriam gordofobia na família se sentia acolhidas na novela. Tem muita gente que me diz: “Cresci sendo gordinha, minha mãe não gostava de mim, mas eu via você lá dançando charme e aí eu me sentia bem”. Essa devolutiva é muito importante.
Hoje, a abordagem teria que ser menos de um lugar de vitimizar essas minorias e mais em um lugar de empoderar. Não é porque é gorda que ninguém vai querer. Cadê a gorda que todo mundo quer? A gente sabe que na vida real, todo mundo quer, todo mundo gosta, não é esse sofrimento o tempo inteiro.
“Falta mostrar o gay bandido, trambiqueiro, que dá golpe em todo mundo. A gorda que é puta (risos). Está faltando essa abrangência. Já há certa representatividade, mas precisamos ir ajustando como o audiovisual enxerga esses grupos.”
NaTelinha: Você postou recentemente sobre seu papel em uma série da Netflix. O que pode contar sobre esse projeto?
Karol Lannes: Estou no elenco fixo de Os 12 Signos de Valentina, que é baseada em uma saga de livros, e por isso deve ter pelo menos uma segunda temporada. É meu primeiro trabalho na Netflix, então, mesmo não sendo uma protagonista, estou extremamente feliz.
"Minha personagem faz parte em uma equipe de criação de conteúdo. Ela é uma chefe de recursos humanos, mas é bem doida, bem sexy. Está sendo muito bom trazer esse outro lado, da gostosa, e do discurso que reforça que um corpo padrão pode ser desejado."
NaTelinha: Quais são seus outros trabalhos recentes?
Karol Lannes: Gravei no ano passado um filme com o Murilo Benício chamado Nico, que estreia em abril. É o primeiro trabalho que fizemos juntos depois de tanto tempo. Fiz uma participação. É uma comédia, e o Murilo está em um papel totalmente diferente do que o que ele costuma fazer. Temos cenas de interações muito legais, bem diferente das cenas entre Tufão e Ágata.
NaTelinha: Além dos projetos de atriz, em filmes e séries, você também tem produzido conteúdos para as redes sociais. Como concilia esse novo trabalho?
Karol Lannes: Do último ano para cá, tive uma mudança muito grande de mindset em relação às redes sociais. Por mais que eu seja muito nova, ainda sou da geração que acreditava que ator era ator, e influenciador era influenciador, e que manchava um pouco a imagem do ator ser tão ativo nas redes sociais. É uma coisa de quem começou a trabalhar sem essas plataformas.
Mudei muito essa visão, porque entendi que, como artista, tenho que ter letramento em várias linguagens. Querendo ou não, as redes sociais são uma nova forma de linguagem audiovisual. As novelas verticais vieram aí para quebrar mesmo essa diferenciação.
Atores muito grande, como Fernanda Torres, estão se apropriando cada vez mais desses espaços, porque entendem que há um alcance enorme. Um vídeo meu pode chegar em Londres, e talvez outro trabalho, não. Então, como posso ser uma artista que vai cada vez mais longe? Através das redes sociais.
Quando eu fiz as pazes com isso, comecei a entender que não preciso produzir o que todo mundo produz. Se eu acho alguma coisa fútil, não preciso fazer a mesma trend, o mesmo vídeo. É um espaço onde eu posso ser a artista que eu sou, criar os vídeos que eu quiser. Posso postar cenas, monólogos, posso falar da minha família, da série que estou gravando, e assim também consigo que me vejam como atriz, não só como criadora de conteúdo.
Tem dado muito certo, tenho criado uma comunidade legal. Financeiramente, ser artista no Brasil é muito desafiador, porque você não tem trabalhos fixos. Então, a rede social traz uma certa segurança, porque tenho fechado muita publicidade, e trabalhar com as marcas também traz esse gingado do marketing, de me vender, que tem muito a ver com a profissão de atriz também.
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