O ex-goleiro Bruno comunicou nesta quinta-feira (15) que desistiu de um encontro que estava marcado com o filho Bruninho Samúdio, de 15 anos, que seria o primeiro contato direto entre os dois. A decisão foi divulgada por meio de um texto publicado em seu perfil no Instagram e confirmada em nota oficial assinada por seus advogados.
Segundo as declarações, o encontro foi cancelado após a apresentação de exigências consideradas incompatíveis com as garantias legais que cercam o caso.
Bruninho é filho do ex-atleta com Eliza Samúdio, assassinada em 2010. O ex-atleta foi condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, como mandante do assassinato. Ele cumpriu parte da pena e está em liberdade condicional desde 2023.
Desde a infância, o adolescente é criado pela avó materna, Sônia Fátima Moura, e nunca manteve contato direto com o pai em razão de medida protetiva judicial.
No texto publicado, Bruno afirmou que o encontro havia sido tratado com sigilo. “Eu tinha um encontro marcado com meu filho, algo que sempre quis que acontecesse e que seria um dia muito importante para mim e para ele. Fiz questão de manter tudo em sigilo, sem expô-lo e sem me expor”, escreveu.
+ Mãe de Eliza Samudio se revolta com o ex-goleiro Bruno e rebate: "Pare!"
De acordo com o ex-goleiro, o encontro não ocorreu porque “a avó dele, junto com a advogada, colocaram diversas exigências para que o encontro acontecesse, exigências que fogem completamente da normalidade”.
Entre as condições relatadas, ele destacou a exigência de comparecer sozinho, sem advogado. “Entre essas exigências, estava a condição de que eu deveria ir sozinho, sem a companhia sequer do meu advogado”, afirmou. Ele também mencionou a existência de uma medida protetiva em vigor.
“Como todos sabem, a Justiça definiu uma medida protetiva que me impede de me aproximar do meu filho, decisão que venho respeitando ao longo de todos esses anos. Por isso, se eu tivesse ao menos o meu advogado ao meu lado, eu teria mais segurança nesse encontro.”
Segundo o ex-goleiro, a situação levantou suspeitas sobre os objetivos da reunião. “Eu já estava suspeitando que isso fosse uma armação e, logo em seguida, fiquei sabendo que havia um repórter famoso envolvido, cujo nome não posso citar”, escreveu.
No mesmo texto, ele afirmou que o encontro poderia ter outra finalidade. “Creio que a intenção dela nunca foi que eu conhecesse meu filho. Isso era uma armadilha para que eu falasse alguma coisa relacionada à Eliza, mãe do meu filho.”
O ex-jogador também declarou que teria tomado conhecimento da existência de gravações no local. “Havia câmeras escondidas na casa, e eles queriam que eu falasse algo relacionado à mãe dele para que isso repercutisse no suposto documentário que estão fazendo sobre o Bruninho”, afirmou.
Ao final da mensagem, dirigiu-se diretamente ao filho. “Quero dizer ao meu filho, Bruninho, que tenho muita vontade de poder abraçá-lo e conversarmos. Sigo à disposição dele para que esse encontro aconteça.”
Defesa de Bruno também se posicionou

continua depois da publicidade
A defesa do ex-goleiro divulgou nota reforçando a versão apresentada. Segundo os advogados, Bruno teria sido “reiteradamente coagido pela madrinha de Bruninho e advogada, Sra. Maria da Graça, a comparecer a um encontro envolvendo ela própria, a Sra. Sônia e também o próprio filho”.
A nota afirma que o comparecimento estaria condicionado a exigências consideradas incompatíveis com as garantias legais, como a obrigação de se apresentar sozinho e em local previamente desconhecido, que só seria informado após sua chegada ao Rio de Janeiro.
Os advogados também relataram que houve ameaça de adoção de medidas judiciais caso Bruno não aceitasse as condições.
“Diante das ameaças de que, em caso de não comparecimento, seria requerida judicialmente uma Medida Protetiva de Urgência, a defesa orientou seu constituinte a não participar do referido encontro, por evidente risco jurídico pessoal decorrente da situação imposta”, diz o texto assinado pelo escritório Migliorini e Miranda Advogados.
Na nota, a defesa destacou que, ao longo dos anos, o ex-goleiro foi proibido de manter contato com o filho por determinação da avó, o que teria sido respeitado.
+ Mãe de Eliza Samudio publica carta emocionada e faz pedido sobre neto, filho do goleiro Bruno
O documento também afirma que, após a divulgação de informações relacionadas ao passaporte de Eliza Samúdio encontrado em Portugal, a avó e a madrinha do adolescente teriam adotado uma postura de pressão para a realização do encontro nos termos propostos por elas.
Atualmente com 15 anos, Bruninho atua como goleiro nas categorias de base do Botafogo e já foi convocado para treinos da Seleção Brasileira sub-16.
Segundo a defesa de Bruno, o ex-atleta permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e mantém interesse em conversar com o filho, “desde que respeitados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a segurança jurídica de todos os envolvidos”.