Preta Gil detonou novela na Record e reclamou de bispos: "Me dava agonia"
"Eu lia o roteiro e olhava meu extrato do banco e chorava. Os dois eram péssimos", cravou a artista, que aceitou convite "por causa de grana"
Publicado em 21/07/2025 às 13:45
Preta Gil detonou a novela Os Mutantes, em que atuou entre 2007 e 2008, e reclamou da interferência de bispos da Record durante as gravações. Em sua autobiografia Os Primeiros 50, lançada no ano passado, a cantora – que morreu no domingo (20), aos 50 anos, vítima de câncer – conta que aceitou o convite da Record “por causa de grana”.
“Eu lia o roteiro e olhava meu extrato do banco e chorava. Os dois eram péssimos. Eu não preciso de muito para viver, mas é angustiante não ter dinheiro nem para começar um projeto, nem para ir comer uma pizza na esquina. Não tem muito o que fazer, vou fazer o quê? Uma novela na Record chamada Os Mutantes”, diz um trecho da publicação.
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Ela ainda narrou: “Quando li o roteiro, tive uma síncope. Era uma imitação de uma onda que estava rolando nos Estados Unidos, uma coisa de super-heróis. E fui para uma reunião com o Alexandre Avancini, que era o diretor, muito disposta a dizer não, pois eu estava meio constrangida com o roteiro. E ele foi tão persuasivo e tão entusiasta, dizendo que estavam trazendo uma equipe de fora, de Los Angeles, para efeitos especiais maravilhosos”.
“A novela marcou época e acabou sendo um divisor de águas na emissora, mas eu não estava feliz. Tinha colegas de trabalho que me conheciam, mas eu não me sentia em casa, diferentemente da Globo, onde eu sempre me sinto em casa: passa um diretor que é meu amigo, passa outro que também é meu amigo.”
Preta Gil no livro Os Primeiros 50

O fato de a Record ser uma “emissora evangélica”, presidida pelo bispo Edir Macedo, também interferiu na experiência. “Nada contra os evangélicos. Se tem uma coisa que respeito é a religião das pessoas. Tanto que cheguei a frequentar igrejas evangélicas (com fervor!)”, escreveu Preta. O incômodo era relacionado à interferência dos religiosos na trama.
“O problema é que sempre entrava algum bispo no estúdio dando suas opiniões sobre as cenas. Em uma delas, minha personagem rezava e, como o autor [Tiago Santiago] também não era evangélico, no roteiro tinha velas e eu unia as mãos para representar. Então, um bispo entrou e disse que não podia ter vela nem rezar com as mãos unidas pois era ‘coisa de católico’.”
Preta Gil no livro Os Primeiros 50
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Na autobiografia, Preta lembra que teve “criação católica, candomblé, tudo junto”. “Então, velas, mãos unidas, sempre foi algo comum para mim. Toda misturada e ecumênica, como sempre fui, eu tinha muita intimidade com a religião evangélica. Mas aquilo de entrar um pastor no estúdio e cochichar com o diretor me dava agonia. A gente sabia que iam mudar tudo.”
A artista já havia tido experiências na TV, como a novela Agora é que são Elas (2003), na Globo, e o programa Caixa Preta (2004), na Band. Ao contrário desta última atração, ela afirmava ter feito Os Mutantes “só pelo dinheiro”. “Como sou uma pessoa digna, me propus a fazer a novela com dignidade. E fiz o meu melhor.”
Na trama, ela interpretou Helga, casada com o vilão Eric (Tuca Andrada) e amante do próprio cunhado, Ramon (Alexandre Barillari).
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