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Lincoln & Duas Medidas e mais: quem está na linha de frente na renovação da música baiana

Lincoln & Duas Medidas
Divulgação
Gabriel Vaquer, com Juliete Costa

Publicado em 17/02/2019 às 15:18:53

Muita gente defende a tese de que a música baiana estaria vivendo uma crise. Os argumentos acabam vindo principalmente de pessoas que não estão consigo uma renovação. Mas o ano de 2018 e a repercussão do trabalho da banda Lincoln & Duas Medidas prova. 

Juntamente com outras bandas, como Parangolé, Baiana System, entre outras, Lincoln está na linha de frente da renovação do Carnaval da Bahia, lançando músicas mais dançantes. 

Só no ano passado, graças também a repercussão que os vídeos do grupo de dança FitDance faz no YouTube - Lincoln é um dos campeões de utilização em vídeos do grupo. "La Raba", "Que Meu Ex Se Lasque", "A Cobra" e "Amiga das Tretas", foram algumas das músicas. 

Lincoln e sua galera criaram um ritmo próprio, chamado de "eletrobalance", uma mistura de axé, com música eletrônica e que tem elementos até de música clássica - usando violinos e outras batidas para as canções. 

A grande maioria das músicas são compostas pelo próprio Lincoln Senna, juntamente com o seu diretor artístico, Cassio Keys. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Lincoln faz uma avaliação do seu ano de 2018, e explica como vai ser o seu Carnaval deste ano, que promete ser de sua afirmação. 

Lincoln & Duas Medidas e mais: quem está na linha de frente na renovação da música baiana

 NaTelinha – Que 2018, hein?

Lincoln - Abençoado, só tenho a agradecer a Deus. Costumo até falar pra turma que foi o ano que o sobrenatural agiu muito em nossas vidas. E vamos começar de trás pra frente, simbolicamente, no dia 31 de dezembro a canja com o grande ídolo, o maior artista popular do país:Safadão! Tava assistindo o show e ele foi e me chamou pra cantar uma música que foi feita por nós, em um show tão simbólico, que é o ciclo do fechamento do ano e eu fiquei perplexo em poder visualizar a chave de ouro que falam. 

NaTelinha - O que vocês, fazem, é bastante único. Esse eletrobalance, que vocês criaram, conseguiram crescer devagarinho, principalmente fora da Bahia, por causa da FitDance...

Lincoln - Essa lembrança é sempre importante. Nascido e criado em Salvador, a influenciado total pela nossa musica, hoje adulto eu olho pra trás e percebo o quanto nós éramos ousados. Não que deixemos de ser algo tão bom quanto, mas houve uma transformação. A parada eu acho que era tão genuína, que surgiu dos becos e vielas, dos tambores e atabaques da cidade... surgiu tanto dessa forma genuína, que foi sendo tão bom e se tornou tão gostoso, vir do Michael Jackson, tão grande, que se tornou um comércio, que não é demérito. Mas quando se torna demais mercado, a gente passa a ter medo de não atender as expectativas que exige, a gente como artista, acaba perdendo a espontaneidade e é comigo veio a acontecer no processo inverso. Não começa espontâneo, por que a gente começa muito verde, ouvindo as diversas opiniões, pois é de uma grande humildade e de repente a gente começa a ver que é de suma e responsabilidade você transformar o que você ouve, em dialogo com o que você sente no seu coração. 

NaTelinha - E como surgiu a Eletrobalance? 

Lincoln -  Então, a gente parou de seguir tendências, e o eletrobalance surgiu há três anos atrás, a partir do "Paredão das Amigas", quando a gente começou a fazer pesquisa do que estava acontecendo no mundo e eu comecei a me fazer perguntas: Pô, eu sou formado em educação física, comecei a cantar por causa do Harmonia do Samba, sou apaixonado pelo Xanddy, quando eu ia para as festas com minha esposa (começamos com 17 e hoje estou com 31), a gente não gastava um real de água, só dançava. O tempo inteiro, quando fazia swig baiano só queria dançar, aí comecei a dar vazão a isso. A nossa música começou a entrar em repertório que não entrava, em bairros que nunca entrou e aí começamos a ter visibilidade. Comecei a entender que é de verdade, fazer músicas com temas diferentes, e daí o fit dance, foi o portal de tudo. Eu vi que a dança tava em mim o tempo inteiro, o por que que comecei a cantar, essa volta no tempo, e ai as coisas começaram a sair. Eu acredito que o melhor estar por vir. 

NaTelinha - O que as pessoas podem esperar?

Lincoln- Que pergunta, maravilhosa! Nos últimos anos, fiz aulas de canto, fiz aula de teatro, coisas dos bastidores que nem todo mundo sabe. Vocês vão começar a ver um outro lado, que é Lincoln falando de amor... já fazia no início da Duas Medidas, só que éramos invisíveis. E agora eu vou começar a resgatar isso dentro de mim, e mostrar essa pluraridade, é uma característica minha de ter a certeza de que tudo tem um momento, lugar e hora. E agora chegou a hora: já temos guardado a música com o cara que é da nossa geração, o Alvim Levine, para pós carnaval, uma MC que também está iniciando a carreira, me chamou pra gravar uma música com ela no funk. É muito bacana, ser visto pelo mercado por artistas de outras cenas, participando do projeto deles, mostrando versatilidade... Você pode esperar de Lincoln, uma verdade muito visceral! 

Não quero ser sexy simbol, não tenho potencial nenhum para fazer cara de sensual, me acho engraçado. Não quero mostrar isso!

NaTelinha – E carnaval?

Lincoln -A nossa copa do mundo! São 14 shows em 7 dias, a gente vai ta na pipoca, no camarote, nos bairros.... Viajando pro interior também, pra Madre de Deus. A gente vai trazer o reflexo de tudo que construindo, vai ser comemoração, leve, tranquilo. Só celebrar Carnaval, lançar música nova em cima do trio, pra enlouquecer!

Lincoln & Duas Medidas e mais: quem está na linha de frente na renovação da música baiana

NaTelinha - Quem é Lincoln Senna?

Lincoln -Um operário da arte, mais do que minhas palavras, eu dou o direito total pra quem não conhece, de poder presumir, de achar que... Quem está do meu lado, entende que eu não tenho tempo para falar da vida dos outros, só quero pegar o melhor de todos, pra que a gente possa juntar o nosso melhor, produzir o melhor e deixar um legado, pra o que vem depois da nossa partida. Por que o mundo vai continuar existindo depois da gente, essa parada aqui é efêmera. Eu só quero juntar o meu melhor com o das pessoas. 

NaTelinha - Quando começou a compor?

Lincoln- Quando surgiu uma necessidade maior, pois não tínhamos dinheiro para pagar compositor e a gente estava vendo que vários colegas só lançavam uma música por ano. Começamos a entender que às vezes é muito difícil pagar a obra de um compositor, pra depois colocar na rádio e fazer clipe, pra talvez essa música, se tratando do mercado, não trazer o retorno esperado, que faz com que você der continuidade ao projeto. É difícil viver de música, como fala Saulo: o que dá retorno, é a deusa música!

Começamos a ver que vários amigos estavam parando na estrada devido a isto. Então começamos a dar vazão e praticamente das 12 músicas que lançamos, 10 são nossas. Aí que eu vi que vovó tinha razão: a necessidade, faz o homem!

NaTelinha - O que espera daqui a alguns anos...

Lincoln - Estava falando com o parceiro que faz os nossos vídeos, Adrian, a gente chorando de madrugada pelo resultado de um trabalho que fizemos e falei pra ele: pow, que massa, a gente não se permitir a zona de conforto. 

Ele largou todas as faculdades para viver o sonho dele... eu vejo várias pessoas ganhando fortunas de dinheiro, sem fazer o que ama. Eu já me sinto tão feliz, que se eu puder pagar minhas contas, o tanque do carro tiver cheio e pagar um plano de saúde, vou poder viver confortavelmente. É só viver disso aqui, meu sonho! Os shows que mais gosto de fazer, são 15 anos, gosto da raiz da parada, comecei a cantar assim. Espero poder viver com pessoas de altíssima qualidade espiritual, confortavelmente fazendo minha arte.

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