Saúde

Perfuração do intestino durante colonoscopia é rara: especialista explica por que o exame continua essencial

Mulher morreu em São Paulo após ter o intestino perfurado durante exame


Exame e mulher que morreu
Caso de mulher que morreu após exame de colonoscopia chama atenção

A notícia que uma mulher morreu após ter o intestino perfurado durante uma colonoscopia assustou muita gente. Afinal, ninguém espera sair de um exame de rotina para uma cirurgia de emergência ou até mesmo sem vida. Mas o episódio, embora grave, representa uma complicação rara segundo estudos internacionais que mostram que a perfuração acontece, em média, em menos de 0,1% das colonoscopias e, nas realizadas apenas para rastreamento do câncer de intestino, o índice cai para cerca de 0,03%, ou três casos a cada 10 mil exames.

Entenda o caso

Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, passou por cirurgia de emergência após ter o intestino perfurado durante o exame de colonoscopia no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, mas ela não resistiu às complicações e morreu. O caso deixou muita gente preocupada já que esse exame é muito importante, mas também temido por muita gente.

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Afinal, o exame é perigoso?

Para o Dr. Anderson Oliveira, Médico Clínico e Cirurgião geral, especialista em UTI, e Gestão de Saúde, embora a perfuração intestinal seja uma complicação possível, ela é considerada rara. Na imensa maioria dos casos, a colonoscopia é um procedimento seguro e continua sendo a principal ferramenta para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de intestino, um dos tipos de câncer que mais cresce entre pessoas com menos de 50 anos.

O exame permite que o médico visualize todo o intestino grosso e se encontrar pólipos, pequenas lesões que podem se transformar em câncer, faça a retirada na mesma hora. É justamente essa característica que faz da colonoscopia um exame capaz não apenas de detectar a doença, mas também de impedir que ela apareça.

“A colonoscopia é um procedimento no qual é introduzido um aparelho de aproximadamente 1,2 a 1,8 metro pelo canal anal, avançando pelo intestino grosso até próximo à região ileocecal, região anatômica que marca a transição entre o intestino grosso e o intestino delgado. Para realizar esse procedimento, é necessário utilizar medicamentos analgésicos e sedativos por via endovenosa, até que o paciente esteja confortável e dormindo.” explica Dr. Anderson Oliveira.

Muitos dos fármacos utilizados também podem ser empregados em anestesia geral e, por isso, existem riscos inerentes ao procedimento. Desde efeitos adversos dos medicamentos até condições clínicas do próprio paciente podem aumentar esses riscos.

Alguns efeitos colaterais dos medicamentos anestésicos são alterações na frequência cardíaca e hipotensão arterial, que podem acarretar instabilidade hemodinâmica e, em situações graves, até mesmo parada cardiorrespiratória.

Segundo o médico, outro ponto de alerta é a própria condição clínica e anatômica do paciente. Por exemplo, a colonoscopia pode ser contraindicada em determinadas situações de doenças em atividade aguda, como diverticulite aguda ou doenças inflamatórias intestinais, a exemplo da retocolite ulcerativa e da doença de Crohn.

“Essas doenças, durante as fases de intensificação, podem aumentar o risco de perfuração intestinal, pois a mucosa encontra-se friável e a parede intestinal, mais vulnerável. Outro risco de perfuração está relacionado à própria insuflação de ar ou gás em um tecido doente, neoplásico ou que apresente alguma variação anatômica.” enfatiza o médico

Dr. Anderson Oliveira também explica que casos em que a própria perfuração pode ser ocasionada pela tração e movimentação do aparelho dentro da alça intestinal. Quando isso acontece, pode ser necessário encaminhar o paciente com urgência ao centro cirúrgico para realizar a correção da perfuração e, dependendo da gravidade e extensão da lesão, procedimentos para reconstrução do trânsito intestinal. No caso da paciente de 41 anos que morreu após uma possível perfuração intestinal, a causa e as circunstâncias do ocorrido somente poderão ser esclarecidas após a conclusão da investigação e da sindicância do próprio hospital.

É essencial o rastreamento

No Brasil, a recomendação geral é que pessoas com risco habitual iniciem o rastreamento por volta dos 45 anos. Quem possui histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou outros fatores de risco pode precisar começar antes, sempre com orientação médica.

Alguns sinais também merecem atenção e exigem investigação, independentemente da idade. Sangue nas fezes, alteração persistente do funcionamento do intestino, perda de peso sem explicação, anemia e dores abdominais frequentes nunca devem ser ignorados.

Exame exige preparo

A colonoscopia exige preparo intestinal adequado que é orientado pelo médico, sedação e deve ser realizada por equipe experiente, em ambiente apropriado.  Também é obrigatório a presença de acompanhante ao paciente.

Esses cuidados reduzem ainda mais a possibilidade de complicações.

O caso da moça serve de alerta à população em geral. Ao realizar esses procedimentos, é imprescindível que o paciente informe adequadamente suas condições clínicas, cumpra as orientações e restrições de medicamentos determinadas pelo médico assistente e comunique o surgimento de sintomas, especialmente dores abdominais associadas a febre ou outros sinais inflamatórios.

Caso apresente sintomas antes do exame, deverá comunicar a equipe multidisciplinar responsável :médicos, enfermagem e equipe administrativa, para que a situação seja devidamente avaliada antes da realização do procedimento.

"Toda cautela faz parte do cuidado. O risco de descobrir um câncer em estágio avançado por deixar de fazer o exame é muito maior do que o risco de uma complicação grave durante a colonoscopia." finaliza Dr. Anderson Oliveira

 Perfuração do intestino durante colonoscopia é rara: especialista explica por que o exame continua essencial

Dr. Anderson Oliveira, Médico Clínico e Cirurgião geral, especialista em UTI e Gestão de Saúde

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