Sangramento anormal: miomas uterinos, adenomiose ou endometriose? Especialista explica
Especialista explica as principais diferenças e semelhanças do sangramento anormal
Publicado em 23/07/2025 às 17:35
Problemas ginecológicos como miomas uterinos, adenomiose e endometriose são bastante comuns em mulheres durante a idade reprodutiva (primeira menstruação até a menopausa) e, apesar de apresentarem sintomas semelhantes, trata-se de condições distintas e que exigem diagnóstico e tratamentos específicos. Compreender as diferenças entre elas é fundamental para o cuidado com a saúde da mulher.
Segundo o Dr. Marcos Tcherniakovsky, Ginecologista e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), provavelmente essas são as três patologias mais comuns no dia a dia do médico ginecologista. “As três doenças são extremamente benignas mas, muitas vezes, têm um comportamento maligno ou agressivo. O mais importante é que a paciente precisa entender o que ela tem e, na maioria das vezes, o médico não sabe explicar corretamente a doença, ocasionando um grande atraso no tratamento”, afirma o especialista.
Os sintomas se confundem
Dor durante o ato sexual, dor no abdômen, menstruação dolorosa ou anormal, fluxo intenso, infertilidade e cólicas são alguns dos sintomas que podem estar presentes nas três condições. “Essas semelhanças, muitas vezes atrasam e confundem o diagnóstico. Já é comum que a mulher conviva com os sintomas por anos, acreditando que são parte normal da menstruação", diz Tcherniakovsky.
A diferença entre as doenças
- Mioma: também conhecido como fibroma, o mioma é um tipo de tumor benigno que se forma no tecido muscular do útero. O problema acomete 70% das mulheres em idade fértil, entretanto, não são todas que desenvolvem sintomas. Seus sintomas mais comuns são: sangramento uterino, dor pélvica, dor durante o ato sexual, sensação de inchaço, por conta do aumento do volume do mioma; dores abdominais e infertilidade
- Adenomiose: é a presença do tecido endometrial dentro do útero, que acaba se infiltrando e causando situações inflamatórias e muita dor. A principal diferença com a endometriose é o fato de a menstruação ser muito mais intensa. Em alguns casos, as pacientes são diagnosticadas com endometriose e adenomiose. Seus sintomas mais comuns são: sangramento uterino intenso, cólica menstrual forte, infertilidade e, por vezes, queixas intestinais e urinárias.
- Endometriose: é a saída do tecido endometrial do útero, se implantando na região pélvica e abdominal, causando grande desconforto para a mulher. Ela acomete 10% de todas as mulheres que menstruam no mundo todo. Seus sintomas mais comuns são mais relacionais ao ciclo menstrual: dor pélvica crônica há mais de seis meses, dor durante a menstruação, muitas vezes incapacitantes; dor durante o sexo, cólica intensa, inchaços abdominais e infertilidade.
"Uma paciente não opera de mioma, endometriose ou adenomiose, ela opera porque tem repercussão dessas doenças, sendo muito comum que uma mulher tenha três doenças ao mesmo tempo", diz o médico.
De acordo com o especialista, durante a vida de uma mulher, a chance de que ela tenha miomas varia entre 70% a 80% de chance. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 10 mulheres no mundo pode ter adenomiose no período reprodutivo.
Já o Ministério da Saúde diz que a estimativa é de que uma a cada 10 mulheres sofra com os sintomas da doença e desconheça a sua existência, por isso é comum que ela tenha duas ou três dessas doenças ao mesmo tempo.
Sobre o especialista
Dr. Marcos Tcherniakovsky- Ginecologista e Obstetra, é especialista em Endometriose e Vídeoendoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). Atualmente é Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose.(SBE),

Instagram: https://www.instagram.com/dr.marcostcher/