Opinião

Quem Ama Cuida tem potencial para ser a melhor novela do autor às 21h

Atual cartaz é o quinto trabalho de Walcyr Carrasco na faixa; agora, ele assina em parceria com Claudia Souto


Elisa (Isabela Garcia), Otoniel (Tony Ramos), Mau Mau (João Victor Gonçalves) e Adriana (Letícia Colin) em Quem Ama Cuida, novela que a Globo exibe às 21h
Elisa (Isabela Garcia), Otoniel (Tony Ramos), Mau Mau (João Victor Gonçalves) e Adriana (Letícia Colin) em Quem Ama Cuida: bom elenco mantém o nível da novela - Foto: Globo/Manoella Mello

Quem Ama Cuida tem potencial para se consolidar como a melhor novela do autor Walcyr Carrasco na faixa das 21h. Agora assinando em parceria com Claudia Souto, o veterano já escreveu para o horário Amor à Vida (2013), O Outro Lado do Paraíso (2017), A Dona do Pedaço (2019) e Terra e Paixão (2023).

O que se vê desde maio é uma trama envolvente e que captura a atenção do telespectador com facilidade. É difícil ficar indiferente à saga de Adriana, tão bem defendida por Letícia Colin, porque o enredo da protagonista é baseado em injustiças extremas, algo que mexe com todo ser humano.

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A história tem sido bem contada, ainda que com um estilo próprio de Carrasco. Para acompanhá-la, é preciso relevar os exageros e, por vezes, os absurdos de um melodrama despudorado. É uma novela de tintas carregadas e sem muito espaço para sutilezas.

A complexidade do enredo aparece em momentos pontuais, acentuada pela direção artística de Amora Mautner, bastante inspirada desta vez em apresentar cenas fora do convencional.

Algumas tramas paralelas, assertivas em seus propósitos, também se destacam. Na semana passada, a relação conflituosa de Mau Mau (João Victor Gonçalves) com o avô homofóbico Otoniel (Tony Ramos), assim como o apoio que o rapaz tem da irmã Adriana, garantiu belas cenas, com ótimos desempenhos dos intérpretes.

O elenco, no geral, tem se mostrado competente. Chay Suede, ainda que repita maneirismos de outros personagens, faz do herói da vez, Pedro, um tipo interessante e cativa o público na luta para defender a mulher que ama. Poucos galãs da TV têm o talento dramático dele.

Isabel Teixeira como Pilar em Quem Ama Cuida
Isabel Teixeira como Pilar, com a cachorrinha Maria Antonieta, em Quem Ama Cuida - Foto: Globo/Manoella Mello

 Sempre ótima, Isabel Teixeira faz o que lhe é exigido como Pilar, que parece saída de um folhetim mexicano: uma vilã tão divertida quanto odiável, sempre com a cachorrinha Maria Antonieta a tiracolo. Com um lado dramático poucas vezes visto, Tatá Werneck e sua Brigitte também têm sido gratas surpresas.

Pode-se atribuir os acertos de Walcyr Carrasco à parceria formada com Claudia Souto, que já mostrou ter uma escrita mais coesa e de menos excessos em novelas das 19h. A dupla deu liga, como se um acrescentasse à escrita do outro, suprindo aquilo em que cada um costuma acertar ou errar.

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Para que mantenha o bom nível, há alguns desafios pela frente. O primeiro é fazer da vingança de Adriana algo proporcional ao calvário vivido pela heroína, de forma verossímil e condizente com o enredo – o que não ocorreu em O Outro Lado do Paraíso, outra criação do autor sustentada na revanche de uma mocinha.

Outra missão será manter o interesse do espectador e o bom nível em uma trama de tão longa duração. Quem Ama Cuida fica no ar até janeiro de 2027, somando mais de 200 capítulos. Sinal de que a Globo acredita na atração, e também de que o trabalho de todos os envolvidos será árduo.

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