Em novelas, Benedito Ruy Barbosa defendeu os sem-terra e a reforma agrária
Autor de clássicos como Pantanal, Renascer e O Rei do Gado morreu nesta terça-feira, aos 95 anos
Publicado em 07/07/2026 às 11:20,
atualizado em 07/07/2026 às 14:50
Autor de clássicos da TV como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra, Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos. Discussões políticas atravessaram a obra do escritor, defensor dos sem-terra e da reforma agrária em algumas dessas histórias.
Em O Rei do Gado (1996), um de seus maiores sucessos, a briga entre os Berdinazzi e os Mezenga começa no início do século XX, justamente por conta das propriedades das duas famílias rivais. No decorrer da trama, a reforma agrária e o movimento dos trabalhadores sem-terra entrou em cena.
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No calor das discussões sobre o assunto nos anos 1990, Ruy Barbosa criou um romance entre um latifundiário, Bruno Mezenga (Antonio Fagundes), e uma boia-fria, Luana (Patrícia Pillar).
A novela chegou ao fim com a seguinte mensagem: “Deus, quando criou o mundo, não deu terra pra ninguém, porque todos que aqui nascem são seus filhos. Mas só merece a terra aquele que a faz produzir, para si e para os seus semelhantes. O melhor adubo da terra é o suor daqueles que trabalham nela”.
Questões históricas e sociais também tiveram espaço em Meu Pedacinho de Chão (1972), Cabocla (1979), Sinhá Moça (1986), Renascer (1993) e Terra Nostra (1999), além dos remakes que algumas dessas criações ganharam a partir dos anos 2000, assinados ora pelas filhas Edmara e Edilene Barbosa, ora pelo neto Bruno Luperi.
Em sua obra-prima, Pantanal (1990), o maior êxito da extinta Manchete, o autor novamente tratou da ligação do homem com a terra e a natureza. Apostou na beleza do realismo mágico em personagens antológicos como Juma Marruá (Cristiana Oliveira), que virava onça ao ficar com “reiva”, e o Velho do Rio (Claudio Marzo), figura mística transformada em sucuri.
Novamente, encerrou sua história com uma mensagem direta ao telespectador:
“O homem é o único animal que cospe na água em que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte. Palavras do Velho do Rio, meu pai”.
A produção, inicialmente rejeitada pela Globo, foi um marco na teledramaturgia ao ser levada ao ar na Manchete, garantindo a ida de Benedito ao horário nobre da emissora carioca. Era o auge da criatividade de um nome fundamental na consolidação da TV no Brasil, atuante no veículo desde os anos 1960.
Tramas dedicadas ao Brasil profundo, ao clima bucólico, às sagas de famílias e de imigrantes na construção do país deram a Benedito um estilo e uma identidade própria, inconfundível. A fuga que proporcionava ao telespectador para o campo garantiu ao novelista o status de campeão imbatível de audiência.

A morte de Benedito Ruy Barbosa
Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo (SP), aos 95 anos, em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica. O corpo será velado no Funeral Home, na Bela Vista, região central da capital paulista.