Por que Três Graças foi uma das melhores novelas da Globo nos últimos anos
União do formato tradicional à linguagem dos dias de hoje garantiu o saldo positivo da trama, que termina nesta sexta-feira (15)
Publicado em 15/05/2026 às 04:44
Três Graças termina nesta sexta-feira (15) como uma das melhores novelas da Globo nos últimos anos. Na comparação com as antecessoras no horário nobre, o saldo final do atual cartaz das 21h é equiparado apenas a Um Lugar ao Sol (2021), Pantanal (2022) e Renascer (2024), superior aos demais títulos da faixa.
Os autores Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva souberam unir o jeito tradicional de fazer novela à linguagem dos dias de hoje, próxima ao dinamismo das redes sociais. Uma união que muitos novelistas têm se desdobrado para desenvolver, quase sempre sem sucesso.
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Causou estranhamento uma trama que teve a maternidade solo como ponto de partida terminar redimindo homens abusivos e pais ausentes. Ao privilegiar a complexidade dos personagens e das relações entre eles, contudo, abriu-se mão de uma abordagem excessivamente moralizante do assunto.
O desenvolvimento paulatino do enredo não resultou em uma trama arrasada. Ao contrário, quase todo capítulo dava compensações ao telespectador. Com um texto consistente, as boas cenas eram frequentes, mesmo que os acontecimentos em curso não fossem os mais relevantes.
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Nas vezes em que a narrativa estacionou, Três Graças se valeu do carisma dos atores. A direção inventiva de Luiz Henrique Rios – substituído por Luis Felipe Sá na reta final – extraiu o melhor do elenco e brincou com os recursos do formato. Os supercloses exagerados, por exemplo, deram uma marca própria à novela.
O texto soube gerar memes sem que o diálogo com os internautas soasse apelativo ou grosseiro. Com uma obra repleta de sucessos, Aguinaldo Silva usou e abusou das autorreferências. Além de citar novelas antigas, trouxe de volta tipos populares como Crô (Marcelo Serrado) e Téo Pereira (Paulo Betti).
Certas apostas para impulsionar a repercussão – como unir em cena Belo e Viviane Araujo – foram divertidas sacadas. O maior acerto nessa seara foi mesmo o casal Lorena (Alanis Guilen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky), que extrapolou a produção original e ganhou até uma novela vertical.
Gerluce cativou o público logo de cara, e Sophie Charlotte livrou a heroína do ranço cansativo, típico das mocinhas. Grazi Massafera e Murilo Benício mostraram sintonia e pareciam se divertir em cena tanto quanto o público na pele dos vilões Arminda e Ferette, tão caricatos quanto irresistíveis.
Também merecem elogios: Arlete Salles (Josefa), Andreia Horta (Zenilda), Dira Paes (Lígia), Marcos Palmeira (Joaquim), Fernanda Vasconcellos (Samira), Daphne Bozaski (Lucélia), Alana Cabral (Joélly), Paulo Mendes (Raul), Gabriela Loran (Viviane), entre outros.
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Investir na comicidade de protagonistas e antagonistas, ainda que em uma trama dramática, garantiu a simpatia do público pela produção. A condução, tanto pelo texto bem urdido quanto pela direção criativa, consolidou o êxito. Três Graças, enfim, lembrou à audiência o que é uma boa novela.