O Diabo Veste Prada 2 sobrevive à era do cancelamento e do compliance
Miranda Priestly encontra um mundo insólito em 2026, e isso rende os melhores momentos do filme, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas
Publicado em 30/04/2026 às 04:05,
atualizado em 30/04/2026 às 10:29
Quando O Diabo Veste Prada chegou aos cinemas, há 20 anos, a internet ainda não era onipresente e não se discutia tanto sobre assédio moral nas empresas. É neste cenário insólito para Miranda Priestly que a implacável editora de moda vivida – brilhantemente, ontem e hoje – por Meryl Streep reencontra o público, na agradável sequência que chega aos cinemas nesta quinta-feira (30).
Não demora muito para o espectador perceber que a fera, mesmo disposta a se adaptar à nova realidade, ainda mostra suas garras. Agora, Miranda precisa lidar com o cancelamento das redes sociais, a transição da mídia impressa para o digital e a ameaça constante de ter seu comportamento impiedoso com subalternos denunciado às equipes de recursos humanos, que cuidam do compliance.
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A chefona da Runway reencontra a antiga assistente Andrea (Anne Hathaway) – de quem ela mal se lembra –, contratada como editora de reportagens especiais. Sua outra secretária do passado, Emily (Emily Blunt), virou executiva de uma marca de luxo e toma as decisões publicitárias da grife, o que afeta diretamente as finanças da revista.
A dinâmica entre os personagens principais se repete: Andrea questiona sua profissão e luta para provar sua competência em meio a questões pessoais; Emily segue servindo de contraponto à antiga colega; Nigel (Stanley Tucci) continua sendo o protetor da moça e braço direito de Miranda; e esta, apesar de agora tentar medir as palavras e os gestos, jamais perde a pose.
Com direção de David Frankel e roteiro de Aline Brosh McKenna, o filme também tem no elenco Lucy Liu, Kenneth Branagh, Simone Ashley, Justin Theroux e B.J. Novak, entre outros nomes – incluindo participações especialíssimas. O lançamento é da 20th Century Studios, da Disney.
Marco na cultura pop dos anos 2000, O Diabo Veste Prada virou um verdadeiro tratado sobre moda, jornalismo e relações de trabalho. A continuação aproveita e explora as principais mudanças nesses segmentos, passadas duas décadas.
A indústria em que a revista Runway está inserida sobrevive ao avanço da inteligência artificial e à troca do sofisticado pelo prático e econômico – mas “até quando?”, como questiona Miranda a certa altura da história. Ver a megera ser obrigada a se submeter a esse novo universo é um sinal dos tempos e garante alguns dos momentos mais divertidos do filme.
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Um ponto em que o roteiro fica devendo em relação ao original é a forma simplista com que os conflitos são resolvidos. Ao contrário de antes, desta vez o espectador não vê as batalhas de Andy para alcançar os feitos que impressionam Miranda – as maiores façanhas da vez são realizadas com uma facilidade pouco crível, com breve interações ao celular.
Se o enredo não se desenvolve com a mesma força de antes, O Diabo Veste Prada 2 vale pelo retorno do humor classudo visto em 2006. Há também o reencontro da plateia com figuras tão marcantes, que seguem em ótima forma. Os quatro atores principais ainda desfilam com charme e elegância em ótimas atuações, e cada um dos personagens tem muito a dizer aos novos tempos.
Assista ao trailer de O Diabo Veste Prada 2: