Opinião

Atuação da Semana: Leandra Leal emociona com vilã cheia de camadas em Coração Acelerado

Leandra Leal é uma atriz experimentada e mostra versatilidade na novela das sete


Leandra Leal em Coração Acelerado
Leandra Leal brilha como Zilá em Coração Acelerado - Foto: Reprodução/Globo

Uma vilã normalmente é uma personagem complexa e com mais nuances do que uma mocinha, principalmente pela falta de limites éticos. No caso de Coração Acelerado, Zilá já mostrou várias vezes que é tão má quanto sua complexidade exige e muito desta perspectiva se dá pelo talento de Leandra Leal.

Quando Coração Acelerado estreou, Zilá já mostrava traços de sua complexidade, mas se tratava de uma personagem um tanto quanto reta em relação à sua personalidade. Desde aquele momento, em que a personagem era fútil, cheia de maldade e capaz de tudo para se dar bem, a atriz já se destacava e mostrava que tinha elementos em mãos para ir além nessa construção narrativa.

Na reta final da história de Maria Helena do Nascimento e Izabel de Oliveira, a antagonista ganhou contornos menos sóbrios, abraçou a vilania de vez e foi tomando atitudes quase de insanidade. Em todas essas sequências, Leandra mostrou que tinha toda a estrutura da personagem na palma da mão e sabia exatamente o que tinha de fazer para manter Zilá com verossimilhança e sem perder a coerência.

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Porém, na semana mais recente, ante à solidão e as consequências de uma série de atitudes erradas, a vilã começou a sentir o peso da humanidade, afinal, jamais foi apresentada como uma mulher sem coração. Em várias cenas, ela foi obrigada a se lembrar de um passado muito distante em que a felicidade era o lema de sua vida e não o poder e em todos estes momentos Leal abraçou a complexidade e conseguiu transmitir a dor humana de uma mulher má.

Quando uma antagonista começa a mostrar algumas camadas, há o risco da atriz cair no caminho fácil de se vitimizar e buscar os traços de mocinha, já que muitas delas interpretaram protagonistas em outras histórias. Leandra Leal sabia que este não era o ideal para manter a coerência narrativa criada para Zilá, afinal, a mulher segue sendo perversa, mas com uma dose de humanidade e de desamor que ela plantou a vida toda e agora está colhendo.

Leandra Leal acertou ao mostrar o desespero da personagem, mas acertou ainda mais ao transformar cada sequência de dor em uma espécie de punição e consequência por uma vida de amargura. Não houve um só traço de composição como um choro de vítima ou de uma mocinha injustiçada. Zilá chorava de ódio e de uma dor que ela jamais imaginou ser capaz de existir e tudo isso estava expresso no rosto de uma atriz que conhece todos os atalhos da interpretação.

A atriz sai maior do que entrou em Coração Acelerado porque recebeu uma vilã muito difícil de compor e termina com o dever cumprido e com um aumento de camadas de uma personagem que poderia cair na caricatura de uma malvada de histórias em quadrinhos. Leandra Leal sabe das coisas.

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