Opinião

O maior momento da história prova que o BBB é uma novela

Morte do pai de Ana Paula Renault transformou o BBB 26 num momento didático sobre a escolha artística da direção do programa


Ana Paula chorando no BBB 26
BBB 26 virou uma novela com dor de Ana Paula - Foto: Reprodução/Globoplay
Por Daniel César

Publicado em 20/04/2026 às 18:34,
atualizado em 20/04/2026 às 18:34

A morte do pai de Ana Paula Renault foi, talvez, a mais midiática dos últimos anos. Sob os holofotes do programa de maior repercussão do país em muito tempo, o anúncio chamou a atenção de boa parte dos brasileiros e mostrou que a Globo é expert em transformar qualquer assunto e todo formato no que ela faz de melhor no planeta: as novelas.

Desde que Ana Paula voltou do confessionário, já sabendo da tragédia que marcou sua vida, e optando por permanecer no confinamento, o ritmo da direção do PPV mudou significativamente. A forma como a loira revela sua dor a Juliano Floss chamou a atenção pelos cortes que a direção fez de câmera, em momento tão perfeito que parecia ensaiado.

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Se no Globoplay, a dor da filha perdendo o pai já havia se transformado num drama para o país inteiro, quando o programa começou na TV aberta, tudo ganhou outros contornos. Tadeu Schmidt mostrou o grande apresentador que é e como encontrou nesta edição o ritmo e identidade próprio dele: a humanidade no trato com os temas sensíveis do BBB 26. Muito da revelação só funcionou graças a ele e a forma como o jornalista conduziu diante do público todos os momentos.

Mas foi quando Ana contou para Milena sobre a morte é que a Globo foi rápida para chamar a atenção do público. Logo após a saída de Boneco, ela se ajoelha no gramado e, aos prantos apenas diz: "Tia Milena, meu pai morreu". A maior aliada fica sem palavras e não consegue sequer reagir diante do choque. Neste ponto, ao vivo na Globo, o público assiste sem ar, também cortes no tempo correto e takes dignos de uma novela das nove, com uma trilha sonora irretocável.

Para além disso, a decisão da direção e do próprio Tadeu em revelar sobre a morte do irmão do apresentador, o ídolo do basquete nacional Oscar Schmidt, mostrou-se não apenas humana, mas eficaz, já que acalentou o coração de Ana Paula e a ajudou a decidir permanecer no jogo. Sob o ponto de vista dramático, somente aumentou a alta voltagem de uma noite já cheia de emoção, com direito a choro e reação nervosa dos participantes e também do apresentador, que não segurou as lágrimas.

Ainda cabe debate se a condução da Globo foi a mais adequada para Ana Paula ou se passou do ponto, migrando para a exploração da dor humana. Mas se o Big Brother é colocar as emoções à flor da pele, indiscutivelmente funcionou, ainda que de uma forma torta e trágica. 

Desde que o Big Brother nasceu, ficou claro que na TV aberta o objetivo da Globo é transformar o programa numa novela, com vilões e mocinhos, coadjuvantes e figurantes e, principalmente, com linha narrativa dramática.

O BBB 26 serviu até para isso, para mostrar o avanço da dramaturgia. Ana Paula tinha tudo para ser vilã, mas, como disse Pedro Bial em 2016, foi abraçada pelo público como uma anti-heroína que enfrentou rivais ainda piores, superando a tudo e a todos e não mais uma mocinha que só reage. Na noite mais importante da história do reality, isso ficou nítido. No BBB 26 a Globo provou que é a maior de todas em fazer novelas. Seja no formato que for.

Veja os momentos dramáticos da noite histórica do BBB 26

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