Atuação da Semana: Lázaro Ramos constrói vilão épico em A Nobreza do Amor
Lázaro Ramos estreou na novela das seis com uma força raramente vista
Publicado em 22/03/2026 às 13:00
Existem atores que parecem ter nascidos para a arte da atuação. É o caso de Lázaro Ramos. Toda vez que desempenha um papel, ele parece ter nascido para interpretar aquele personagem, tamanha a vivacidade e verossimilhança que entrega nas construções. Logo no primeiros capítulos de A Nobreza do Amor é possível enxergar isso com nitidez na composição de seu vilão.
Jendal é um típico vilão de uma epopeia, mas cheio de armadilhas para quem precisa construi-lo ao longo dos inúmeros capítulos de uma novela das seis. Nos primeiros episódios exibidos de A Nobreza do Amor, o vigor artístico de Lázaro se faz presente a cada aparição. Aliás, sua primeira sequência dando vida ao personagem já demonstrava sua força cênica e o potencial do que poderia vir a seguir.
+ Atuação da Semana: O grande trabalho de Xamã em Três Graças
+ Atuação da Semana: Letícia Sabatella e a economia de gestos em Êta Mundo Melhor
A trama, que tem alguma semelhança narrativa com Cordel Encantado, encheu a tela na primeira semana de exibição e conta om inúmeros adjetivos. Entre eles, o principal, é Lázaro Ramos. O ator parece ter entendido exatamente o que é necessário para transmitir veracidade a Jendal e faz sem qualquer esforço. É muito difícil encontrar o tom, principalmente nos tempos atuais, de um personagem que é cruel da primeira à última cena, sem qualquer traço de bondade humana.
Ainda assim, o intérprete soube achar nuances importantes num texto recheado de significados. O novo rei é mau e isso não cabe discussão. Mas suas motivações nem sempre são claras e é nesta dubiedade de interesses que repousa toda a composição de Lázaro. Esperto, o ator sabe as armadilhas de criar um estereótipo da maldade sem sentimentos e encheu seu personagem de sensações, inquietudes e laços que trafegam entre o ódio e a paixão exacerbada.
O personagem tinha um risco grande de cair no caminho fácil da caricatura - e ainda o tem - mas o ator parece ter compreendido e brindado o público com uma das grandes composições recentes da TV. A tirar pelo desenrolar da história, ainda há muito o que ele vai oferecer ao telespectadores nos próximos dias.
Com o golpe aplicado, Jendal vai, por óbvio, virar um tirano, desses que acompanhamos todos os dias na TV, pelo jornalismo em terras orientais ou mesmo na América Latina. Neste ponto, o ator terá uma missão ainda mais difícil: manter o charme do personagem ao mesmo tempo que o faz ser odiado, sem cair no clichê de se tornar insuportável a ponto de ninguém mais torcer por suas maldades. A pitada do ódio é necessária na dramaturgia e passa obrigatoriamente pelo artista. Mas Lázaro Ramos parece saber para onde quer ir com eu vilão e torná-lo épico na TV brasileira.