A Nobreza do Amor tem estreia promissora, bebe da água de Cordel Encantado, mas tem risco
Estreia de A Nobreza do Amor chamou atenção só por coisas boas, mas vive um perigo real
Publicado em 16/03/2026 às 19:30
O primeiro capítulo de A Nobreza do Amor, que estreou nesta segunda-feira (16) no horário das 18h da Globo, chamou a atenção por ser promissora e ter entregue um dos mais interessantes inícios dos últimos tempos em qualquer horário. Bebendo da fonte de Cordel Encantado (2012), a novela promete entregar muito e garantir grandes momentos, porém também apresentou um perigo já vivenciado anteriormente.
Duca Rachid mostrou seu DNA, presente em Cordel Encantado, maior novela das seis do século XXI e que nunca mais repetiu a dose nem de perto. A autora, que escreve a atual ao lado de Julio Fisher e Elisio Lopes Jr., tem experiência e apostou no épico neste brilhante capítulo de estreia, cheio de significados. A epopeia se aliando ao Nordeste é uma espécie de marca registrada dela, que deu tão certo em 2012.
As sequências iniciais de guerra foram muito bem dirigidas e mostraram que, não à toa, Gustavo Fernandez é visto como o mais interessante diretor da nova geração da Globo. Um início corajoso, sem falas em que o visual era o texto e não era necessário diálogo para explicar nada ao telespectador. Corajoso, ao mesmo tempo em que foi 100% funcional.
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Por outro lado, as cenas no Brasil mostraram um didatismo importante para o telespectador se familiarizar com a verdadeira história, já que a trama vai se passar por essas bandas. Numa clara primeira fase, os dois universos estão distantes, mas conectados por alguns personagens que se entrelaçarão no futuro, e isso já ficou claro para qualquer um que assistisse ao capítulo.
Lázaro Ramos foi o grande destaque do capítulo e causará uma surpresa. Se ao fim da novela, o ator não for um dos grandes destaques no ano na TV brasileira, já surgindo como favorito para abocanhar todos os prêmios, inclusive os internacionais. Experiente, ele parece ter recebido um papel que há muito não se via, que seja digno do tamanho de seu talento e com oportunidades para construir a complexidade necessária.
O grande mérito de A Nobreza do Amor nessa estreia é transformar uma epopeia numa trama visualmente linda, ao mesmo tempo em que foi o tempo todo palatável para o grande público. Ao mesmo tempo em que tratou o naturalismo do núcleo brasileiro com a seriedade e o espaço necessário para trazer compreensão à história.
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Embora tenhamos vislumbrado o melhor primeiro capítulo de uma novela das seis em muito tempo, a trama também apresenta um perigo real. Assim como Cordel Encantado, Duca Rachid escreveu, ao lado de Thelma Guedes também, Órfãos da Terra (2019). A produção mostrou um primeiro capítulo impressionante no mesmo nível do exibido agora. Porém, diferentemente de Cordel, ela não conseguiu manter o ritmo.
Diferentemente da novela de 2012, em que o enfoque era no Brasil, com a epopeia sendo pincelada, Órfãos da Terra começou na epopeia e depois migrou para o Brasil. O mesmo acontece agora com A Nobreza do Amor. É no país fictício que acontece a ação e o Brasil é só um quadro pintado para preparar a narrativa.
O risco se dá de repetir o erro de 2019, quando a novela perdeu força ao sair da epopeia e viver no naturalismo. Se conseguir driblar este perigo e mostrar que aprendeu com o erro, Duca Rachid, ao lado de seus parceiros de cena, podem entregar a melhor novela das seis da década.