TVs repetem dramas nas novelas para evitar risco comercial
Novelas da Globo vivem crise criativa: roteiros previsíveis, mas com estética sofisticada
Publicado em 29/03/2026 às 08:00
As novelas da Globo sempre ocuparam um lugar central na cultura brasileira, funcionando não apenas como entretenimento, mas também como espelho, ainda que imperfeito, da sociedade. No entanto, as novas produções têm gerado um debate crescente sobre perda de identidade, repetição de fórmulas e distanciamento do público.
Um dos principais pontos de crítica é a previsibilidade narrativa. Muitas novelas atuais parecem seguir uma cartilha rígida: triângulos amorosos pouco inovadores, vilões caricatos e reviravoltas que já não surpreendem.
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A sensação é de que o risco criativo foi substituído por uma busca excessiva por segurança comercial. Em contraste, obras marcantes do passado apostavam em conflitos mais complexos e personagens moralmente ambíguos, capazes de provocar reflexão.
Outro aspecto relevante é a dificuldade de conexão com o público. Apesar de abordarem temas contemporâneos, como diversidade, desigualdade social e questões identitárias, essas pautas frequentemente surgem de forma superficial ou didática demais, como se fossem inseridas para cumprir uma agenda e não como parte orgânica da narrativa. Isso pode gerar um efeito contrário ao desejado: em vez de engajar, distancia.
A estética também passou por mudanças significativas. A qualidade técnica evoluiu, com fotografia mais sofisticada e produção visual comparável a séries internacionais. Mas esse avanço nem sempre compensa a fragilidade do roteiro.
Há uma percepção de que a forma tem se sobreposto ao conteúdo, criando novelas visualmente bonitas, mas emocionalmente menos impactantes.
Falta de renovação nas histórias
Além disso, a concorrência com plataformas de streaming transformou o comportamento do espectador. O público atual está mais exigente, acostumado a narrativas mais dinâmicas e menos dependentes de longas extensões. As novelas, com seus capítulos diários e duração prolongada, enfrentam o desafio de se reinventar sem perder sua essência.
Isso não significa que todas as produções recentes sejam descartáveis. Há tentativas de inovação e momentos de brilho, especialmente quando autores conseguem romper com padrões estabelecidos.
O panorama geral sugere uma necessidade urgente de renovação, não apenas estética, mas principalmente narrativa. Enfim, as novelas da Globo continuam relevantes, mas vivem um momento de transição. Para manter sua força cultural, será preciso mais ousadia, autenticidade e, acima de tudo, respeito à inteligência do público.