Opinião

A Nobreza do Amor apresenta uma África além do "We are the World"

Novela da Globo propõe um novo olhar para a cultura afro-brasileira


Ronald Sotto, Duda Santos, Érika Januza e Lázaro Ramos
Parte do elenco de A Nobreza do Amor - Divulgação
Por Taty Bruzzi

Publicado em 19/03/2026 às 06:30,
atualizado em 19/03/2026 às 10:32

A Nobreza do Amor acaba de chegar à tela da Globo. Criada por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., a nova novela das seis aposta na fábula, formato que já funcionou muito bem nessa mesma faixa de horário, para contar a história da princesa Alika.

O diferencial desta para outros folhetins do gênero começa pela origem da personagem. Interpretada por Duda Santos, a mocinha é herdeira do trono de Batanga, região localizada na África.

A Nobreza do Amor apresenta uma África além do \"We are the World\"

No passado, o fictício reino era uma colônia portuguesa. Ganhou a liberdade no final do século XIX, quando Cayman II (Welket Bunguén) venceu a guerra e foi coroado rei. Foi neste cenário pacífico que a protagonista nasceu.

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Já adulta, a princesa viu o nobre sofrer um golpe de estado, perdendo o trono para Jendal (Lázaro Ramos). Forçada a se casar com o tirano, a mocinha foge para o Brasil, indo ao encontro de José/Zambi (Bukassa Kabengele), irmão do seu pai.

A partir daí, a trama entrelaça esses dois países, abordando a forte conexão que existe entre eles através da nossa teledramaturgia, e de uma forma nunca antes vista na televisão brasileira.

Estamos preparados para A Nobreza do Amor?

A Nobreza do Amor apresenta uma África além do \"We are the World\"

Quando se pensa em dramaturgia, a novela é o produto mais forte da nossa cultura. Não à toa, ainda é difícil responder se a maior paixão nacional é o futebol ou as novelas?

O tempo em que os folhetins eram vistos apenas pelas mulheres, aliás, ficou no passado. A teledramaturgia tem um poder que vai além do entretenimento. Ela fomenta opiniões e, por isso, atingir o público requer um trabalho árduo.

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Hoje, já não existe mais um formato obrigatório para escrever uma novela. A dramaturgia nos dá um leque de possibilidades que vão desde as obras abertas, exibidas na TV, passando pelas fechadas, para o streaming, até chegar nas produções curtinhas e ágeis, conhecidas como verticais.

Histórias contemporâneas ou de época, não importam. O tempero que o autor irá dar para a trama é o que agrada ou não o telespectador. Mas em sua maioria, o que se vê é uma predileção pelos formatos tradicionais.

Quase sempre o público resiste ao que é novo ou fora do "padrão", mesmo sabendo que as novelas são retratos da vida real, e que os autores tendem a acompanhar as mudanças do mundo moderno.

A Nobreza do Amor apresenta uma África além do \"We are the World\"

Foi assim quando surgiram os primeiros casais homoafetivos, ou quando o negro deixou a "senzala para ocupar a "casa grande", por exemplo. A verdade é que a nossa sociedade flerta entre o passado e o presente.

Não faz muito tempo, uma protagonista preta acabou sendo preterida pelo próprio contador da história. 

Ainda é muito cedo para afirmar se A Nobreza do Amor vai agradar ou não ao espectador. Ainda mais se tratando de uma novela cuja proposta é deliciosa, ousada e que derruba estereótipos.

A produção, aliás, não sugere uma releitura sobre a cultura afro-brasileira, mas um olhar que vai muito além daquele que nos foi apresentado desde os primórdios da nossa história.

Tem mocinhos e vilões, amor e traição, poder e ambição, aventura e romance... Velhos e novos clichês? Sim! Mas em um cenário atípico, uma África antes nunca vista. Bem longe da miséria, da guerra e dos rituais satânicos...  Ah, e uma princesa que não é da Disney.

Fica aqui a minha reflexão. Agora, é com você!

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