Opinião

Doc Investigação é joia do 'true crime' na programação da Record

Jornalístico é parada obrigatória para quem gosta do gênero


Thais Furlan de preto em episódio sobre Eduardo Martins no Doc Investigação
Thais Furlan no Doc Investigação; jornalístico terá quarto episódio nesta quinta (13) - Foto: Reprodução/TV Record

No ar desde 23 de julho na Record, a terceira temporada do Doc Investigação é um verdadeiro deleite para quem é fã do gênero de "true crime". A atração comandada por Thais Furlan revisita casos que abalaram o país e envolve desde novos depoimentos, reconstituições, reconstruções - e até mesmo descobertas! - sobre essas histórias.

O coração do programa é justamente Thais. A jornalista ocupa uma "função diferente" a cada episódio. No caso Garnica, foi uma entrevistadora de confronto. No episódio sobre o Eduardo Martins - que prova que não é preciso ter cadáveres para fisgar o público -, ela conduz o espectador por uma investigação desenvolvida durante meses, acompanha o cruzamento de documentos, perfis falsos e registros telefônicos e chega até a proprietária (ou possível...) do perfil, apontada por indícios e por antigas vítimas como a pessoa que estaria por trás do personagem.

No mais recente episódio de Mércia Nakashima, Thais dá um passo atrás. O protagonismo passa para investigadores, familiares, testemunhas e peritos. Cabe a ela (e à produção, claro) ordenar os fatos e explicar como indícios aparentemente dispersos se transformaram em provas. Aqui, trata-se mais da capacidade da equipe de expor como a investigação chegou ao resultado.

A apresentadora, que também é repórter e produtora, não surge apenas para anunciar capítulos, fazer perguntas previamente estabelecidas e ligar um depoimento ao seguinte. Sua presença organiza o ponto de vista do programa. É Thais quem define quando a reportagem deve confrontar, quando precisa explicar e quando o melhor caminho é simplesmente sair de cena.

Doc Investigação é joia do
Thais Furlan no Doc Investigação: incisiva e atenta às contradições - Foto: Reprodução/TV Record

O equilíbrio não é simples. O true crime costuma empurrar seus apresentadores para dois extremos. Ou se tornam narradores excessivamente solenes, que parecem conhecer cada resposta antes mesmo de formular a pergunta, ou assumem uma indignação performática para dizer ao público como deve reagir.

Thais evita os dois caminhos. Sua condução é firme sem ser teatral. A gravidade está no tom de voz, na escolha das perguntas e na atenção dedicada às respostas. Não precisa arregalar os olhos, aumentar o volume ou disputar protagonismo com o entrevistado para demonstrar que compreende a dimensão do caso.

Também existe economia em sua linguagem corporal. Thais mantém o olhar direto, gesticula pouco e não antecipa com o rosto a conclusão que espera ouvir. Parece um detalhe, mas é justamente essa contenção que lhe permite entrevistar investigados, familiares e autoridades sem adotar a mesma postura diante de todos.

Ela faz perguntas certas - e por que não, até desconfortáveis para quem assiste? -, mas permite que os entrevistados desenvolvam seus relatos e retorna ao ponto central quando a resposta tenta escapar da contradição. Não transforma a conversa em bate-boca, tampouco oferece uma entrevista confortável. Seu confronto nasce da insistência sobre fatos concretos.

Para quem é fã do gênero e ainda não assistiu, o Doc Investigação vai ao ar às quintas-feiras, a partir das 22h30. Hoje (13), o jornalístico revisita a história da operação policial que impediu, em 2017, a poucos metros do cofre, um plano para roubar cerca de R$ 1 bilhão de um grande banco em São Paulo. 


Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br  

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