Só dá ele: Walcyr Carrasco é o "senhor eficiência" da Globo
Às vésperas de completar 75 anos, Carrasco mantém uma média de trabalho incomum anualmente e sua "taxa de acerto" é extremamente alta
Publicado em 07/08/2026 às 05:27
Você pode até não gostar das novelas dele. Autor de vilões sem escrúpulos, mocinhas bobocas que não percebem o óbvio e reviravoltas sem o menor compromisso com a realidade, Walcyr Carrasco é o verdadeiro significado de eficiência quando se trata de resultados. Quem Ama Cuida está no ar - e fazendo sucesso - para provar mais uma vez que o homem é incansável e praticamente imune ao significado da palavra fracasso.
Desta vez, leva ao ar uma história em parceria com Claudia Souto. A dupla se complementou. Mais do que isso, as características mais marcantes do novelista continuam lá, mas agora potencializadas com profundidade, algo que faltou em vários dos trabalhos do veterano.
Em muitas das suas obras, Walcyr Carrasco pode ter pecado pelo excesso, mas jamais pela falta. Seu histórico mostra que ele tem a sensibilidade de dar ao público o que ele quer consumir. E, do ponto de vista mercadológico, mantém uma média de quase um trabalho por ano.
Não há nenhum autor tão rendoso quanto ele neste século. Não por acaso, as últimas vezes que uma novela das nove conseguiu emplacar 30 e 40 pontos de média semanal foram com folhetins que levaram sua assinatura: Terra e Paixão (2023-2024) e A Dona do Pedaço (2019), respectivamente.
Também levam sua assinatura os maiores sucessos de audiência das duas sessões de reprise da Globo nos anos 2020: Êta Mundo Bom! (2016), que teve 21,6 pontos quando foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, em 2020, e O Cravo e a Rosa (2000-2001), que fechou com 14 pontos quando foi exibida, entre 2021 e 2022, na então recém-inaugurada faixa intitulada Edição Especial.
Obra aberta é outra na mão de Walcyr Carrasco
O conceito de obra aberta cabe perfeitamente no estilo de Carrasco. Enquanto alguns autores veem suas novelas virarem de cabeça para baixo e até se descaracterizarem por completo, o veterano usa isso a seu favor quando as ondas da audiência não estão favoráveis.
Se necessário (como já foi), joga capítulos pela janela, antecipa reviravoltas e cria outras. Há quem faça o mesmo, mas sem ter a sorte - ou competência - de fazer o público comprar o produto.
Às vésperas dos 75 anos de idade, que serão completados em 1º de dezembro, Walcyr Carrasco é quem melhor lê a audiência de massa e sabe o que pode dar certo. E até errado.
Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br