Por que a TV aberta é a maior mídia do Brasil
Fernando Morgado analisa dados que mostram a liderança dos canais abertos em audiência, investimento publicitário e impacto na economia brasileira
Publicado em 18/09/2026 às 04:05,
atualizado em 18/09/2026 às 18:49
Ainda que as primeiras transmissões da TV Tupi tenham ocorrido no Rio de Janeiro, conforme fartamente documentado pela imprensa da época, a data de inauguração da TV Tupi de São Paulo é tomada como o nascimento da televisão brasileira. Neste 18 de setembro, portanto, comemoram-se os 76 anos de existência da TV aberta nacional.
E a TV aberta permanece sendo a maior mídia do país. Os dados, vindos de diferentes fontes, são contundentes. De acordo com o Painel Cenp-Meios, os canais abertos lideram em investimento publicitário: foram R$ 4,2 bilhões no primeiro semestre de 2026 contra R$ 3,3 bilhões do segundo colocado, display e outros.
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Em audiência, o primeiro lugar da TV aberta também é folgado. O meio concentra mais da metade de todo o consumo de vídeo no Brasil. Nas telas grandes (TV/CTV), justamente as mais disputadas atualmente, os canais abertos ficam com 66,1% do share de audiência. A título de comparação, o festejado YouTube tem 14,9%, ou seja, um share 4,4 vezes menor. Os dados se referem ao mês de agosto e são do Ibope.
Mas é importante ressaltar que essa audiência não é esporádica. Estamos falando de uma massa de milhões de pessoas extremamente fiéis. Pesquisa da Quaest encomendada pela MIDIACOM-RJ e realizada no estado do Rio de Janeiro revela que 72% dos telespectadores de TV aberta são heavy users do meio, que é líder em fidelidade.
Tanta força ajuda a combater os chamados desertos de notícia, quer dizer, cidades que não possuem um veículo de comunicação sediado nelas. Cada estação de TV aberta, seja ela geradora ou retransmissora, cobre, com seu sinal e seus conteúdos, uma miríade de municípios. Conforme consta na base de dados da Anatel, consultada em 16 de setembro último, o Brasil tem 15.409 canais licenciados.
Trata-se de um dos maiores sistemas de televisão do planeta, alcançando todo o território nacional, além de países vizinhos, através das emissoras situadas na fronteira.
De acordo com levantamento da Oxford Economics, todos esses canais formam o setor que mais gera riqueza no audiovisual brasileiro: foram 307,6 mil empregos diretos, indiretos e induzidos em 2024. Segundo o mesmo estudo, a televisão aberta contribuiu com R$ 14,9 bilhões para o PIB e gerou R$ 4,9 bilhões em impostos.
A força da TV aberta no dia a dia do brasileiro
Mas a presença da TV aberta vai muito além dos números. Está nos bordões que todo mundo repete, no conteúdo da plataforma de streaming, na conversa de bar, nos eventos que o país inteiro se reúne para ver, no instante em que alguém liga a televisão para conferir se aquilo que leu na rede social realmente aconteceu, no sonho de quem deseja trabalhar em uma emissora, no nome de quem nasceu enquanto uma novela de sucesso estava no ar e os pais quiseram homenagear uma personagem.

Outro exemplo de que gosto e que demonstra a força da televisão aberta está na cidade baiana de Feira de Santana, mais precisamente no bairro de Gabriela. Pelo nome, percebe-se a referência às novelas. E elas estão em todas as ruas de lá: a rua Imigrantes faz esquina com a rua Bravo, que é paralela à rua Escalada, que é cortada pela rua Bem-Amado.
O bairro também tem sua avenida Brasil, que é paralela à rua Salve Jorge, que cruza a rua Caminho das Índias, que é perpendicular à rua Laços de Família. Pantanal e Riacho Doce, que disputavam a audiência em 1990, fazem esquina. Em tempo: um centro de beleza chamado Mais Você fica na rua Semi-Deus, 39.
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Quando alguém diz que a TV aberta morreu, não apenas contradiz os dados e a realidade em si, mas também busca apagar parte fundamental da cultura popular e da identidade nacional. É na tela mais democrática que existe que o país se vê, inclusive pelo fato de todos os canais serem de propriedade de brasileiros, com nome completo e endereço conhecidos, ao contrário do que acontece nas big techs. É uma presença que atravessa gerações e tecnologias, moldando muito daquilo que nós (e o mundo inteiro) entendemos como Brasil.
Fernando Morgado é consultor e palestrante com quase 20 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.