TV aberta é central para a soberania do Brasil
Fernando Morgado analisa a evolução da televisão desde o surgimento do NaTelinha e explica por que a TV aberta é essencial para o país
Publicado em 02/06/2026 às 04:05,
atualizado em 02/06/2026 às 14:10
No ano em que o NaTelinha surgiu, em 2005, era comum ler análises sobre investimento publicitário resumindo o mercado a apenas cinco categorias: jornal, rádio, revista, televisão e outros. Hoje, o Painel Cenp-Meios divide o dinheiro vindo das agências de publicidade entre doze: áudio na internet, busca, cinema, display e outros, jornal, OOH/mídia exterior, rádio, rede social, revista, TV aberta, TV por assinatura e vídeo na internet.
Mesmo diante dessa gigantesca pulverização, a televisão aberta continua sendo o meio de comunicação que mais recebe investimento publicitário no Brasil: em 2025, foram 9,7 bilhões de reais, contra 7,1 bilhões do segundo colocado, o display, mais conhecido pelo formato banner.
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Mas não foi apenas a quantidade de formatos de mídia que cresceu nos últimos 21 anos. Também explodiu uma campanha maciça, especialmente nas redes sociais, de ataque à mídia profissional. E a TV aberta, por ser a maior dessas mídias, tornou-se alvo preferencial de pessoas que agem como verdadeiros cavaleiros do apocalipse comunicacional.
Trata-se de um grupo pequeno em quantidade de integrantes, mas grande em barulho, que sustenta algo absurdo: que a TV morreu. Pior: alguns dos que propagam essa tese esdrúxula só conseguem colocar comida no prato porque falam de artistas e empresas de televisão. Como alguém pode se sustentar falando de algo que, segundo ele próprio, não existe mais?
Essa tropa de pseudogurus de marketing digital e militantes políticos disfarçados de jornalistas costuma atacar instituições, difamar pessoas e desacreditar trabalhos sérios. Em um primeiro momento, o objetivo é conseguir likes e views. Mas o que eles realmente querem é o dinheiro que agências e anunciantes continuam investindo nos canais de televisão e nos demais meios profissionais.
Essa campanha só não avançou ainda mais no Brasil porque existem veículos como o NaTelinha, que cobrem televisão com seriedade e dão espaço para analistas e profissionais de verdade se manifestarem. Também foi decisivo o aumento da produção e da difusão de pesquisas de alto nível, nacionais e estrangeiras, que atestam a popularidade e a eficiência comercial da TV.
A importância da TV aberta
É preciso defender, fomentar e proteger a televisão aberta brasileira. Apenas ela e o rádio são meios 100% nacionais e têm o Estado como protagonista em quatro papéis: anunciante, concessionário, empresário e regulador. Trata-se, portanto, de um contraponto estratégico ao avanço de corporações e interesses que atentam contra a soberania nacional.
A TV aberta é democrática, pois leva conteúdo de graça para toda a população. Não exige equipamentos sofisticados nem mesmo saber ler ou escrever. É só ligar e ver. Une o país sem intermediários sediados em Bastrop ou Menlo Park, por exemplo.
Os canais abertos são o maior lazer do brasileiro e, ao mesmo tempo, uma das fontes de informação em que ele mais acredita. De acordo com pesquisa feita pela Ponto MAP/v-tracker, 69% dos brasileiros confiam na TV aberta, 28 pontos acima das redes sociais.
Além disso, a televisão aberta é o carro-chefe da economia criativa nacional. Trata-se do setor audiovisual que mais gera empregos diretos, mais paga impostos e mais contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, conforme dados levantados pela Oxford Economics. Sem falar que, por meio das telenovelas, as emissoras contribuem para a pauta de exportações do Brasil, atraindo divisas, e constroem a imagem do nosso país no mundo, fortalecendo ainda mais o turismo.

No Rio de Janeiro, cidade que hoje concentra a maioria esmagadora da teledramaturgia brasileira, os canais abertos produzem mais horas diárias de ficção do que os grandes estúdios de Hollywood. Além de volume de conteúdo, há também qualidade, comprovada pelos prêmios conquistados. A televisão aberta nacional já recebeu duas dezenas de Emmys, o principal prêmio da TV mundial, e um Oscar, já que o filme Ainda Estou Aqui foi produzido pela Globo.
Em um mundo cada vez mais dominado por algoritmos e robôs, verdadeiras marionetes digitais das grandes corporações estrangeiras, a TV aberta segue exercendo uma função que nenhuma rede social cumpre: permitir que as realidades, os sotaques e os talentos nacionais cheguem simultaneamente a milhões de brasileiros, ocupando um papel central no cotidiano de todo o povo e formando aquilo que nós e o mundo entendem como Brasil.
Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Acesse o Instagram de Fernando Morgado.