Coluna do Sandro

Globo mira mercado bilionário e envia executivos à China para estudar microdramas

Diretoria da emissora viaja à Ásia para mapear custos e métodos de gravação após primeiras produções no Globoplay ficarem abaixo das metas


Cena do dorama da china Amor Oculto de 2023
Cena do dorama chines Amor Oculto, estrelado por Chen Zheyuan e Zhao Lusi - Foto: Montagem/NaTelinha

A Globo mira o mercado de microdramas e busca a experiência chinesa para entender o modelo de produção, com foco no baixo custo e na velocidade de gravação. O NaTelinha apurou que executivos da emissora embarcam nos próximos dias rumo à China para realizar um estudo aprofundado sobre o setor.

Fontes ouvidas pela reportagem revelam que a Globo acompanha de perto o avanço de aplicativos de microdramas no Brasil. Entre eles destaca-se o ReelShort, do grupo digital chinês COL Group, sediado em Pequim.

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Em 2025, o aplicativo estreou sua primeira produção brasileira, A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário, que atingiu mais de 100 milhões de visualizações em apenas três dias, segundo dados da própria plataforma.

Com o crescimento do mercado, a Globo começou a investir em microdramas em setembro de 2025 com Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário e Tudo Por uma Segunda Chance no Globoplay. Porém, os resultados ficaram abaixo das metas iniciais. Diante disso, a emissora busca na China o modelo ideal para elevar a performance dessas produções.

Por outro lado, a viagem da Globo à China inclui o mapeamento das produtoras de C-dramas, os doramas chineses. O formato ganhou público fora da Ásia com tramas de romance e fantasia histórica em plataformas de streaming. A emissora quer usar a estrutura desse roteiro para produzir novelas e séries no Brasil.

O mercado de microdramas

Os microdramas verticais na China deixaram de ser curiosidade de internet para se tornarem um mercado de cerca de 5 bilhões de dólares em 2023, segundo dados da iResearch e da iiMedia Research. O valor equivale a quase 70% de toda a bilheteria dos cinemas chineses no mesmo ano.

Projeções da iiMedia indicam que o setor pode superar a casa de US$ 26 bilhões até 2030.

Conhecido como duanju, o formato surgiu por volta de 2018. Eram esquetes caseiras e adaptações rápidas de literatura digital para quem usava o metrô. A partir de 2020, virou indústria.

Como funciona a mecânica do faturamento dos microdramas? 

Os primeiros episódios de um minuto rodam de graça no feed. Para ver a continuação após os ganchos dramáticos a cada 90 segundos, o usuário compra moedas digitais. Quem consome uma temporada de 80 capítulos costuma gastar mais do que em uma assinatura mensal de streaming tradicional.

Globo mira mercado bilionário e envia executivos à China para estudar microdramas

Emissoras de TV e estúdios ocidentais passaram a estudar o modelo porque ele opera com prazos curtos. Uma produção inteira fica pronta em torno de duas semanas, com orçamento baixo e retorno em poucos dias via tráfego pago. Reduz custos de filmagem e retém a atenção de quem já não senta para assistir a transmissões lineares.

Outro dado que chamou atenção na Globo é que as instalações de aplicativos de microdramas na América Latina cresceram 913% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O índice foi o mais alto entre todos os mercados analisados pela empresa de métricas Adjust.

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