Na briga por direitos esportivos, emissoras precisam de aliança inédita
Preços astronômicos de torneios forçam redes brasileiras a abrir alerta sobre o futuro
Publicado em 18/08/2026 às 04:05
Globo, SBT, Record e Band precisam se unir se quiserem continuar no jogo dos direitos esportivos faturando. A conta não fecha mais. Atualmente, os detentores dos direitos cobram valores fora da realidade do mercado publicitário. Enquanto isso, plataformas de streaming e fundos internacionais jogam com orçamentos em dólar e absorvem esses custos sem sangrar o caixa.
A UEFA Champions League (ciclo até 2027), a Warner Bros. Discovery desembolsou cerca de US$ 100 milhões por temporada (cerca de meio bilhão de reais no câmbio da época), sublicenciando apenas um jogo por rodada ao SBT.
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Nas licitações da Conmebol (Libertadores e Sul-Americana até 2030), a projeção de arrecadação passa de US$ 2 bilhões, impulsionada por ofertas pesadas de Disney e Paramount na TV fechada e streaming.
Para a próxima Copa do Mundo, o mercado projeta que a FIFA quase dobre os preços dos pacotes de transmissão. A entidade abriu novas janelas comerciais com a oficialização das paradas técnicas de hidratação, que garantem blocos extras de inserção publicitária na TV e encarecem o produto.
Além disso, conforme o NaTelinha adiantou, a CBF quer arrecadar cerca de R$ 1 bilhão com a Copa do Brasil no ciclo de 2027 a 2030.
Emissoras operam no limite
Essa escalada esgotou o fôlego financeiro das redes brasileiras. Exibir futebol deixou de dar alto lucro. As cotas comerciais de patrocínio bateram no teto do mercado interno e não cobrem o custo das propostas. Por exemplo, a principal rival da Globo no esporte hoje é a CazéTV, bancada por capital estrangeiro.

Hoje, quem compra o torneio opera no limite e queima margem apenas para não ceder audiência ao concorrente.
Sem uma reação conjunta, as redes abertas vão perder o futebol. Insistir em modelos comerciais ultrapassados vai empurrar as grandes competições para fora do sinal aberto em poucos anos.
O debate exige até avaliar medidas duras de proteção regulatória, como obrigar plataformas a terem sócios brasileiros para entrar na disputar direitos de transmissão no país.
Talvez, o caminho comercial viável é montar consórcios de transmissão e acordos diretos de sublicenciamento. Duas ou mais emissoras compram o pacote fechado, dividem a grade de jogos e rateiam os custos técnicos de captação e sinal, mantendo equipes de reportagem e narração próprias. Algo precisa ser feito.