Farra das bets na CazéTV mostra como as regras do jogo são injustas com a TV aberta
Enquanto a CazéTV fatura alto com anúncios de bets, a TV aberta sofre com regras antigas. Entenda como esse jogo desigual afeta o que você assiste
Publicado em 28/06/2026 às 10:20
A transmissão da Copa do Mundo pela CazéTV escancarou o abismo regulatório que separa a TV aberta das plataformas digitais. Enquanto a TV tradicional, como Globo, SBT e Record, vive amarrada a restrições rígidas de horário e conteúdo, o streaming opera em um terreno livre. A farra das bets no canal que pertence à holding LiveMode Cayman é só um exemplo.
O Artigo 124 do Código Brasileiro de Telecomunicações estabelece o teto comercial da TV aberta em até 25% do tempo diário de programação. A CazéTV opera fora desse limite legal. Isso gera uma vantagem comercial na disputa pelo mercado publicitário.
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Essa desigualdade avança também sobre o financiamento e as regras de capital. A Constituição restringe a participação estrangeira em empresas de radiodifusão a apenas 30%, mas os canais baseados no YouTube, como a CazéTV, não enfrentam essa barreira.
O dinheiro internacional entra sem amarras no streaming, inflando o caixa dessas plataformas na hora de comprar os direitos de transmissão dos maiores eventos esportivos do planeta para exibição no Brasil. Fica difícil para a Globo ou o SBT competirem de igual para igual com elas.

Para piorar o desequilíbrio, a disparidade se estende às obrigações sociais. A TV aberta submete-se rigorosamente ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e às normas do Conanda, que proíbem a publicidade direcionada ao público infantil, além de ser obrigada a cumprir cotas de conteúdo informativo, cultural e regional.
Já o ambiente digital opera sem blocos obrigatórios de impacto social e com um custo fiscal infinitamente mais leve. Ou seja, o streaming compete pelos mesmos anunciantes e telespectadores, mas sem as mesmas obrigações.
A concorrência desleal da CazéTV com a TV aberta

O diagnóstico é claro: o mercado audiovisual brasileiro vive sob regras anacrônicas, onde o Estado pune a radiodifusão com restrições severas e garante liberdade comercial irrestrita aos novos competidores.
O caminho para deixar o jogo justo é duplo: primeiro, aliviar o peso nas costas da TV aberta, deixando as emissoras buscarem mais dinheiro fora e inventarem novas formas de fazer comerciais.
Segundo, trazer as Big Techs e o streaming para a realidade, mostrando que se eles faturam como TV, precisam seguir as regras de TV. Com a nova tecnologia da TV 3.0 chegando para misturar de vez a antena e a internet no mesmo controle remoto, acertar essas contas não é mais só uma birra de bastidores por dinheiro de propaganda, é o único jeito de a TV brasileira que a gente conhece não sumir do mapa. Ter a Globo, o SBT, a Band, a Record e a RedeTV! fortes é importante para a soberania nacional.