Coluna do Sandro

Dia D: O trailer te enganou, mas o novo filme de Spielberg é muito melhor do que você espera

Steven Spielberg amadurece e choca em Dia D. Esqueça as guerras espaciais o filme é um suspense realista sobre empatia e a revelação alienígena


Cena do filme Dia D com Emily Blunt e Josh O'Connor
Emily Blunt e Josh O'Connor no filme Dia D - Foto: Reprodução

Você acha que já viu de tudo, que nenhum truque de Hollywood vai te tirar o fôlego. Aí vem um senhor de quase 80 anos nas costas e te dá um soco no estômago com pura sobriedade. Estou falando de Dia D, o novo longa de Steven Spielberg que acabou de estrear.

E já vou te dar a fita logo de cara, sem textão difícil: se você está esperando um blockbuster de nave gigante explodindo a Casa Branca ou robôs alienígenas dizimando cidades, esqueça. O trailer vendeu um peixe e o filme entrega outro. E quer saber? Que bom. Porque Dia D não é sobre guerra; é sobre o amadurecimento definitivo de um gênio.

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Para entender o tamanho de Dia D, a gente precisa olhar para trás. Spielberg sempre foi o "garoto do espaço" de Hollywood, mas a forma como ele encara o céu mudou drasticamente:

  • Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977): Tínhamos o deslumbramento puro, a inocência da descoberta.
  • Em E.T. (1982): O extraterrestre era o melhor amigo que todo mundo queria ter, a infância intocada.
  • Em Guerra dos Mundos (2005): O medo pós-11 de setembro transformou os visitantes em uma ameaça visceral e aterrorizante.

Agora, em Dia D, o diretor alcança a maturidade máxima. Ele bota o pé no chão. O filme parece menos uma ficção científica e mais uma missão de conscientização. É cinema com peso de realidade.

Dia D: O trailer te enganou, mas o novo filme de Spielberg é muito melhor do que você espera

Em vez de focar no macro, no espaço sideral, o roteiro foca no micro: no impacto humano da revelação iminente. A trama é um thriller de espionagem amarradinho, tenso, que mostra os bastidores de como governos e corporações gastaram décadas encobrindo contatos imediatos.

O filme é, essencialmente, uma grande e sufocante perseguição. Toda essa tensão culmina em um final que, pessoalmente, achei brilhante pela simplicidade: a grande revelação da existência de alienígenas para o planeta inteiro não acontece em um pronunciamento oficial da ONU, mas através de uma transmissão de um canal de TV local nos EUA. É cru, é direto, é crível.

Aqui vale um puxão de orelha na nossa própria audiência. Tive o privilégio de assistir ao filme em uma tela IMAX, e confesso, meus amigos, a experiência muda da água para o vinho, o som te joga para dentro da paranoia dos personagens.

Mas quando os créditos começaram a subir, aconteceu uma cena curiosa: parte da aplateia continuou colada nas poltronas.

Todo mundo ali, estático, esperando uma maldita cena pós-crédito. Esse hábito que a Marvel enraizou na cabeça do público criou uma dependência de que o cinema precisa entregar tudo mastigado, com uma piadinha ou um gancho óbvio para o próximo filme.

Dia D te deixa flutuando. Você pode sair do cinema com duas sensações: a de que "esse é o final definitivo" (aceite o soco no estômago) ou de que aquilo é o gancho perfeito para uma sequência que vai expandir o universo.

O filme te faz refletir justamente por não entregar a resposta em uma bandeja de prata.

Resumo do filme Dia D: empatia

Se eu pudesse resumir essas mais de duas horas de projeção em apenas um conceito, a palavra seria Empatia. Spielberg não quer que a gente olhe para o céu com armas na mão, e nem com a ingenuidade de uma criança de dez anos. Ele quer que a gente olhe para o espelho.

Dia D é um filmaço que mostra que o maior desafio da humanidade não é entender o que vem de fora, mas sim aprender a lidar com a verdade, e uns com os outros, aqui dentro.

Cinema de primeira, daqueles que te acompanham no caminho de volta para casa. Vá de peito aberto e, por favor, pode levantar da cadeira assim que as luzes acenderem. Não tem cena pós-crédito.

Assista ao trailer de Dia D:

Imagem da thumbnail do vídeo!

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