Virginia Fonseca no Domingão é um papelão que a Globo não precisava passar por "likes"
Entenda por que os 15 minutos do quadro da influenciadora foi um erro da Globo
Publicado em 15/06/2026 às 10:48,
atualizado em 15/06/2026 às 11:19
A Globo costumava ditar o padrão de qualidade da TVs, mas o que a emissora exibiu no último Domingão com Huck foi um movimento desesperado e, francamente, desnecessário. A estreia de Virginia Fonseca com um quadro teoricamente voltado para a Copa do Mundo foi um atestado de que a maior emissora do país topou se render à métrica vazia do engajamento a qualquer custo.
O pior de tudo é que a Globo simplesmente não precisava passar por esse papelão, entregando uma conta que não fecha nem no aspecto artístico e muito menos no comercial.
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O que se viu no ar foi a completa falência do conteúdo em prol de uma futilidade que já inunda as redes sociais.
Dos 15 minutos totais que a atração teve no ar, os primeiros 8 minutos foram dedicados a mostrar o dia a dia superficial e de luxo de Virginia em Nova York, culminando em um passeio de helicóptero que absolutamente ninguém entendeu o que tinha a ver com futebol ou com o público de domingo.
No restante do tempo, o programa descambou para uma conversa nitidamente forçada sobre o relacionamento da influenciadora com o jogador Vini Jr.
O objetivo ali era desenhado e transparente: forçar a barra para gerar cortes e viralizar nas páginas de fofoca da internet. A TV abriu mão de fazer um programa bom para virar refém de cliques fáceis.
Virginia Fonseca no Domingão é o tudo por engajamento
Mas o erro aqui vai muito além do mau gosto ou da falta de roteiro, atingindo em cheio o que o mercado chama de brand safety (a segurança da marca). Virginia é uma máquina de números, mas também carrega uma bagagem pesada de polêmicas e investigações.
Colocar uma figura central de investigações em andamento no horário nobre de domingo é esticar uma corda perigosa com os patrocinadores, que investem milhões na Globo justamente pela credibilidade e blindagem que a emissora oferece.

As grandes marcas não querem seus nomes colados a riscos jurídicos e, possivelmente por isso, não houve uma única ação de merchandising ou patrocínio direto durante a participação da influenciadora.
Em um programa de sucesso comercial como o de Luciano Huck, deixar um quadro inteiro sem faturamento é o sinal definitivo de que o mercado pisou no freio por medo de queimar o filme.
Com a melhor estrutura e equipe de esportes do país à disposição, trocar o jornalismo de qualidade por 15 minutos de fofoca superficial foi um tremendo tiro no pé. Na tentativa de rejuvenescer a audiência a qualquer preço, a Globo assustou seus anunciantes e esqueceu de respeitar seu telespectador. Novos tempos.