Resenha da Copa: Globo quer ser CazéTV e SBT virou a Copa da Globo no Catar
Na Resenha da Copa na TV, o colunista Sandro Nascimento analisa os estilos de narração, as estratégias de cada emissora e a qualidade das transmissões com humor
Publicado em 12/06/2026 às 11:07,
atualizado em 12/06/2026 às 11:47
Com Globo, CazéTV e SBT na briga pela atenção do telespectador, acompanhar a abertura da Copa do Mundo na última quinta-feira (11) foi mais confuso que tentar explicar regra de impedimento para quem não gosta de futebol.
A Globo é aquela tia rica que quer parecer descolada para agradar os sobrinhos. Colocaram o Gustavo Villani para narrar jogo a partida entre México e África, mas ele achou que estavam num programa de rádio FM.
Eu fiquei lá, hipnotizado, esperando o cara soltar um "e agora, na sequência, o novo sucesso de Anitta!" no meio do escanteio.
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E esse estilo ‘Poliana’? Meu Deus! Não é só o Gustavo Villani; o Everaldo Marques também. Eles veem um cartão vermelho, o estádio pegando fogo e sempre arrumam um elogio.
É tudo lindo, tudo incrível, tudo maravilhoso. Se o juiz der um soco na cara do jogador, eles devem dizer: "Olha a interação física, que gesto de aproximação entre os atletas!".
Na Copa, para tentar ficar com o ‘jeitão Cazé’, a emissora colocou repórter tomando tequila, Villani de sombrero... parecia festa de aniversário infantil na casa de gente rica.

Aquele estúdio gigante? Olha, é um luxo, mas tem aquela cara de quem comprou roupa de grife só pra postar no Instagram e mostrar que é melhor que o vizinho.
E a CazéTV na Copa?
O mais engraçado é que o mundo girou e a CazéTV resolveu virar a Globo. Eles decidiram vestir o terno e a gravata e levar o negócio a sério, fugindo das piadinhas e palavrões que fizeram o canal se destacar.
Estão lá, contidinhos, educados... é tipo ver o Seu Madruga indo trabalhar de smoking. Pelo menos a imagem estava um espetáculo, deu pra ver até a marca do suor na testa do jogador.
E o SBT? Ah, o SBT foi a grande ‘trollagem’ da estreia da Copa. Colocaram Galvão Bueno e Tiago Leifert e, de repente, o canal do Silvio Santos virou a própria Globo. O Galvão abriu a boca e o cérebro da gente automaticamente resetou: "Opa, é dia de jogo, tá no ar a Seleção!". O SBT foi competente, profissional e soube aproveitar bem seu elenco.
A pegadinha do Ibope na Copa na TV
Mas nesse começo de Copa, essa do Ibope pedir para o SBT criar um delay técnico nos jogos para conseguir medir áudios simultâneos com a NSports bateu o recorde do surrealismo. Turma do NaTelinha, isso não é um pedido, é uma pegadinha de primeiro de abril fora de época.
Resumo da ópera: a Globo quer ser o Cazé, o Cazé quer ser a Globo, e o SBT virou a Globo da Copa do Catar. Até a próxima resenha, enquanto isso, eu vou ligar o rádio pra ver se toca aquela música do Villani.