Coluna do Sandro

Copa do Mundo na TV: Entenda a mudança histórica que tirou a exclusividade da Globo

A 23ª Copa do Mundo começa com mudanças históricas: Globo perde a exclusividade total e CazéTV transmite tudo


Montagem com Neymar e a logo da Globo e CazéTV
Neymar está entre os jogadores convocados para Copa do Mundo 2026 - Foto: Montagem/NaTelinha

A 23ª edição da Copa do Mundo, que se inicia nesta quinta-feira (11), é um marco para a história da TV aberta no que diz respeito à transmissão do torneio no Brasil. Pela primeira vez desde que se consolidou como rede, a Globo não terá os direitos de exibição de todos os jogos. Outro ineditismo é o fato de uma plataforma digital, a CazéTV, transmitir o campeonato na íntegra. Mas o que está por trás dessa mudança histórica?

A raiz dessa questão aconteceu em novembro de 2022, poucas semanas antes da Copa do Catar. A Globo renovou seu contrato de transmissão com a FIFA até 2026. No entanto, o novo vínculo trouxe uma cláusula inédita: a emissora abriu mão voluntariamente da exclusividade de exibição em todas as plataformas (TV aberta, fechada e digital).

O motivo principal foi grana. Manter o monopólio absoluto custava cerca de US$ 90 milhões anuais à emissora.

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Com a disparada do dólar no mercado brasileiro e a forte recessão publicitária enfrentada pelas mídias tradicionais após a pandemia, pagar centenas de milhões de reais para blindar o mercado ficou insustentável financeiramente. Para pagar menos à FIFA, a Globo aceitou dividir o bolo.

As mudança da Copa do Mundo 2026

Outro fator crucial foi a mudança no próprio formato do torneio. A Copa de 2026 saltou de 32 para 48 seleções, totalizando 104 partidas, contra as tradicionais 64 anteriores.

Para a Globo, encaixar 104 jogos na programação diária é um pesadelo logístico e comercial. Significa derrubar a novelas das seis, sete e nove, telejornais locais por mais de um mês, destruindo faturamentos fixos.

Ao garantir os direitos de 55 jogos (focados no Brasil, clássicos mundiais e fase final), a Globo mantém o que é nobre e altamente rentável, e também aumenta seu caixa com a venda comercial das cotas da Copa.

A ascensão da CazéTV 

A FIFA não demorou a aproveitar a brecha aberta pelo recuo da Globo. Em uma costura comercial agressiva liderada pela agência LiveMode e o YouTube, a CazéTV garantiu a transmissão de todos os 104 jogos na internet.

Copa do Mundo na TV: Entenda a mudança histórica que tirou a exclusividade da Globo

O mercado digital provou sua força financeira ao comercializar cotas de patrocínio antes mesmo do torneio começar. Na TV aberta, o SBT também garantiu um pacote de 32 jogos, fragmentando de vez a audiência.

Divisão dos jogos da Copa do Mundo

CazéTV (YouTube / Streaming) 

  • Volume de jogos: 104 jogos (Todos)
  • Modelo: Gratuito na internet

TV Globo (TV Aberta) 

  • Volume de jogos: 55 jogos
  • Modelo: Gratuito na TV  

SporTV (TV por Assinatura)

  • Volume de jogos: 55 jogos
  • Modelo: Canal pago do Grupo Globo

SBT (TV Aberta)

  • Volume de jogos: 32 jogos
  • Modelo: Gratuito na TV 

Ge TV / Globoplay (Streaming)

  • Volume de jogos: 32 jogos
  • Modelo: Sinal digital do Grupo Globo

NSports (TV paga) 

  • Volume de jogos: 32 jogos 
  • Modelo: Canal pago

Inflação dos direitos esportivos

A entrada de gigantes globais do streaming, como Amazon Prime Video e Disney, provocou uma inflação artificial e sem precedentes no mercado de direitos de transmissão esportiva no Brasil.

Antigamente, os valores dos campeonatos eram avaliados pela realidade econômica nacional e pelo teto do mercado publicitário local.

Hoje, as big techs utilizam o futebol como 'isca de luxo' para vender assinaturas globais. Como faturam em dólares, investir centenas de milhões de reais em um torneio impacta pouco seus balanços. Para empresas como Globo, SBT, Band e Record, essa cifra representa um investimento alto que pode até comprometer sua saúde financeira.

Com a fome das plataformas internacionais, confederações e ligas inflaram seus preços. Como consequência, a conta para as empresas nacionais parou de fechar: tornou-se inviável cobrir as pedidas dos detentores de direitos e ainda registrar lucro. O maior sintoma dessa crise é a Globo abrir mão da exclusividade da Copa do Mundo para dividir custos de aquisição.

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