Coluna do Sandro

O que está por trás da contratação da ex-chefona da Globo pela Disney?

Monica Albuquerque assumiu nesta terça-feira (28) o cargo de Head of Original Content do Disney+ Brasil


Montagem com Monica Albuquerque e logos da Disney, Casa do Patrão e The Voice Brasil
Monica Albuquerque é a nova aposta da Disney para crescer no Brasil - Foto: Montagem/NaTelinha
Por Sandro Nascimento

Publicado em 28/04/2026 às 16:38,
atualizado em 28/04/2026 às 16:38

A The Walt Disney Company América Latina anunciou nesta terça-feira (28) a contratação de Monica Albuquerque, que esteve à frente da diretoria artística da Globo entre 2013 e 2020. Na nova fase, ela assume o cargo de Head of Original Content do Disney+ Brasil. A chegada de Monica representa mais um movimento estratégico do estúdio do Mickey Mouse para tentar reverter a baixa participação de seu streaming no mercado brasileiro, considerado um dos dez maiores do mundo.

Desde 2024, a Disney vem reestruturando sua estratégia de streaming e passou a investir em parcerias com a TV aberta, usando a plataforma como vitrine, inspirada no modelo que a Globo faz com o Globoplay.

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Nesse cenário, fechou acordo com o SBT para a co-produção de A Caverna Encantada, Troféu Imprensa e The Voice Brasil, este último sob direção de Boninho.

Já em 2025, assinou parceria com a Seriella Produções e a Record para levar novelas bíblicas e produções originais ao Disney+, além de coproduzir com a emissora o reality Casa do Patrão, que estreou na última segunda (27), transmitido 24 horas pelo streaming.

Toda essa movimentação da Disney tem como objetivo tirar o Disney+ da irrelevância no mercado do Brasil. Segundo dados do Ibope, em março de 2026 os serviços de streaming representaram cerca de 36,7% da audiência preferencial do público no país. Dentro desse universo, o Disney+ respondeu por apenas 0,4%.

Mercado brasileiro é alvo do Disney+ para crescer

Um estudo realizado em 2024 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apontou que o Brasil está entre os dez países com maior faturamento no mercado de vídeo sob demanda (VoD). De olho nesses números, a Disney vem revendo suas estratégias para expandir a presença do Disney+.

De acordo com fontes ouvidas, a Disney vem conduzindo pesquisas internas sobre o mercado brasileiro, e a chegada de Monica Albuquerque responde diretamente a essas análises.

Os levantamentos indicam que conteúdo nacional é um dos principais fatores que poderiam atrair mais assinantes para o Disney+. Caberá à executiva a responsabilidade de suprir essa demanda e em busca do crescimento da plataforma no país. O NaTelinha apurou que existe planos de produção de novelas em parceria com a TV aberta.

No comunicado divulgado à imprensa, a The Walt Disney Company América Latina destacou: “A nomeação reforça o compromisso contínuo da Disney com o investimento em produções originais locais que complementam seu portfólio global, além de fortalecer sua presença em um dos mercados mais dinâmicos e estrategicamente relevantes da região.”

O que está por trás da contratação da ex-chefona da Globo pela Disney?

"Monica é uma das executivas criativas mais respeitadas da indústria, com um histórico excepcional no desenvolvimento de conteúdos de alta qualidade e com forte ressonância cultural. Seu profundo conhecimento do mercado brasileiro, aliado à sua perspectiva regional e paixão pela arte de contar histórias, a coloca em uma posição única para elevar nossa estratégia de conteúdo original no Brasil e seguir fortalecendo nossa conexão com o público. Monica também traz uma sensibilidade ímpar em sua relação com os talentos, com uma habilidade instintiva de compreender, interpretar e nutrir vozes criativas de uma forma que valoriza tanto o trabalho quanto as pessoas por trás dele".

Daniel Burman, Head of Original Content do Disney+ América Latina - Em comunicado enviado à imprensa

Erros do Disney + no Brasil

Quando chegou em 2020, a  Disney cometeu um erro estratégico: iniciou um processo de retirada de todo o seu conteúdo da TV por assinatura e passou a não vender mais desenhos animados para Globo e SBT.

Dentro da sua avaliação, acreditava que tinha conteúdo suficiente para “bombar” no Brasil apenas com o streaming. Só que não foi assim. Avaliaram errado.

Ao retirar seu portfólio da TV aberta e da TV paga, a Disney perdeu relevância e identidade no mercado brasileiro. As crianças passaram a consumir os personagens da Nickelodeon, Cartoon Network, Crunchyroll e outras opções, enquanto o conteúdo do Disney+ ficou fora da rotina delas.

Foi um erro de leitura do mercado, já que a TV aberta sempre desempenhou um papel fundamental na formação de público.

Talvez, se tivesse mantido essa vitrine, não seria um sucesso garantido, mas certamente não estaria na situação de irrelevância que enfrenta hoje. Agora, tenta corrigir o rumo com parcerias com o SBT e a Record, além da contratação de Monica Albuquerque.

Sobre Monica Albuquerque

Monica Albuquerque tem trajetória marcada por liderança em grandes estúdios. Na NBCUniversal Telemundo Studios, foi SVP de Desenvolvimento de Conteúdo, criando estratégias para TV e streaming. Antes, atuou na Warner Bros. Discovery América Latina como Head de Scripted Content, supervisionando produções originais de destaque para HBO Max e TV paga.

Passou mais de 20 anos na Globo, onde consolidou carreira em cargos de liderança e expansão internacional. Reconhecida globalmente, integra listas e júris prestigiados como o International Emmy, além de ter recebido prêmios como Woman of the Year em 2025.

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