Record demite câmeras, testa novo formato de trabalho e gera climão no jornalismo
Emissora mandou embora 10 repórteres cinegrafistas, a decisão gerou críticas do sindicato e ação no Ministério Público do Trabalho
Publicado em 04/04/2026 às 11:27,
atualizado em 04/04/2026 às 12:12
A Record Rio demitiu 10 repórteres cinegrafistas na última semana e, na próxima segunda-feira (06), vai iniciar um teste de contratação terceirizada. O NaTelinha apurou que, dentro da redação da emissora, se criou um clima pesado, com dúvidas sobre qual será o próximo passo nessa mudança. A situação gerou críticas do sindicato de jornalismo, que acionou o Ministério Público do Trabalho.
Os profissionais dispensados já estão buscando realocação em outras emissoras, como SBT Rio e Band Rio.
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A Record carioca contratou uma empresa que vai disponibilizar cinegrafistas e também o carro para produzir as reportagens. Na logística, essa equipe vai buscar o repórter em casa e levá-lo direto para o local da pauta. O material nem precisa ser descarregado na sede, já que pode ser enviado online, sem a necessidade de o repórter ir à redação. A medida visa economia.
Dentro da redação da Record Rio, a aposta é que isso seja apenas um teste para que, em breve, todas as equipes de reportagem, com exceção do repórter, sejam terceirizadas. O clima é de insegurança.
Decisão da Record gera críticas
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro soltou uma nota em que "repudia todas as demissões e práticas antissindicais, principalmente a terceirização", e classificou a decisão da Record como de "extrema gravidade".
O comunicado destacou ainda: "Cabe ressaltar que teremos uma Audiência Pública no Ministério Público do Trabalho, no próximo dia 8 de abril, em razão de denúncia do Sindicato sobre várias irregularidades cometidas pela RecordTV".
A Record Rio foi procurada. Caso se manifeste, a reportagem será atualizada.
Leia a nota completa do Sindicato sobre as demissões:
“A RecordTV segue aprofundando o seu processo de extrema precarização das relações de trabalho. Depois das dispensas de vários repórteres cinematográficos ocorridas pela manhã, a empresa voltou a demitir agora à tarde e o números de profissionais subiu para 10. A empresa adota a tática de demitir por grupos, para não caracterizar demissão em massa.
O fato é que as demissões realizadas nesta quarta-feira (1/4), em plena campanha salarial, são de extrema gravidade levando-se em conta que um dos itens da Pauta de Reivindicações é que as empresas não demitam durante a Campanha Salarial e no decorrer do ano.
A atitude da Record é um exemplo de que este item da pauta, uma justa reivindicação dos jornalistas, foi simplesmente jogado na lata do lixo do descaso pelo sindicato patronal e as empresas.
Em 2023 a RecordTV fez ajustes com demissões de jornalistas e repórteres cinematográficos. Portanto, não tem nenhum motivo para fazer isso em 2026, a não ser por estar buscando mão de obra barata, precarização com investimento em terceirização. A empresa vai na contramão do mercado. E tem ignorado as solicitações do Sindicato.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia todas as demissões e práticas antissindicais, e principalmente a terceirização. Cabe destacar que teremos Audiência no Ministério Público do Trabalho, no próximo dia 8 de abril, em razão do Sindicato ter denunciado as várias irregularidades trabalhistas cometidas pela RecordTV.
O Sindicato mais uma vez se solidariza com todos os profissionais demitidos, coloca o seu jurídico a disposição dos trabalhadores e denuncia o arbítrio da RecordTV em plena Campanha Salarial”.