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Semana trágica foi fechada com mais belas homenagens na televisão

Território da TV

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Fotos: Reprodução
Redação NT

Publicado em 06/12/2016 às 10:15:45

Após um sábado (3) em que o país voltou seus olhos para Chapecó, era difícil imaginar ainda mais emoções no dia seguinte. Mas a carga do desastre aéreo ainda não tinha sido totalmente digerida na TV aberta.
 
No “Esporte Espetacular”, em uma edição que ainda foi atingida pelos novos acontecimentos factuais, como os protestos de rua pelo país e a morte do poeta Ferreira Gullar, a face mais humana do dia.
 
Era do “EE” a equipe de três profissionais do esporte da Globo que estava acompanhando a Chapecoense.

Na semana anterior, matéria de Giovane Klein, da RBS, também morto no acidente, já havia mostrado a ascensão do time da Chapecoense, que era o queridinho do país antes mesmo do desastre. Era a primeira reportagem dele no principal programa esportivo do país.

Foi revelada ainda a emoção compartilhada por Guilherme Marques quando realizou um sonho na Olimpíada do Rio: poder fazer um link sendo chamado por Galvão Bueno, que no sábado acabou colocado a narrar a chegada de seu caixão ao Rio de Janeiro.

Diante de histórias tão promissoras encerradas bruscamente, a redação se uniu em um abraço, durante matéria de Glenda Kozlowski. Não deu para resistir.

Com as imagens de volta ao estúdio, Fernanda Gentil e Flávio Canto caíram em prantos.

No “Fantástico”, que teve repórteres dedicados especialmente ao programa em Medellín e em Chapecó (Álvaro Pereira Júnior e Marcelo Canellas, respectivamente), espaço para a cobertura de todos os enterros já realizados. E das homenagens que seguiram pelo planeta.

Inclusive as internas. No encerramento da edição, dois grandes momentos de comoção. Reproduzindo imagem que já havia sido publicada nas redes sociais oficiais da atração, todos os cavalinhos das equipes da série A se uniram em solidariedade ao da Chapecoense, que chorou. A cena lembrou o ursinho Misha, da Olimpíada de Moscou. Mas dessa vez eram lágrimas sem volta.

Ao final, uma narração simulada do que o Brasil deveria ouvir na realidade ao vivo nesta quarta-feira (7): a conquista dentro de campo da Chapecoense, a campeã sul-americana de 2016.

Antes, foi exibida uma entrevista com o sobrevivente boliviano Erwin Tumiri, repercutida durante toda a segunda (5) nos telejornais da casa. Nela, o comissário nega que tenha sabido sobre a situação de emergência na aeronave antes da queda.

Mas em vídeo exibido pelo “Conexão Repórter”, do SBT, ele dá uma versão exatamente contrária. Cabia a evidenciação dessa contradição, mesmo que citando uma concorrente para isso.

Aliás, Roberto Cabrini fez um bom trabalho, como de hábito. Se as imagens dele nos destroços haviam levantado suspeitas de desrespeito, o programa mostrou que ele entrou no local somente autorizado, quando camponeses da região já tomavam a área.

E além do trabalho jornalístico, um ato se destacou. Ao encontrar uma Bíblia pertencente ao zagueiro Neto, um dos sobreviventes, ele a resgatou e entregou depois em Medellín para a esposa do jogador.

Não foi o único fato da madrugada digno de nota no SBT. Na esteira do seu noticioso do horário, o canal foi a única rede aberta a mostrar ao vivo a sentença de Elize Matsunaga, condenada a quase 20 anos de prisão por assassinar o ex-marido. A Band News também mostrou a leitura da pena, enquanto Globo e Globo News optaram por boletins resumindo a situação pouco depois.

E como a emissora da Anhanguera não possui jornalismo dominical, coube ainda ao “SBT Notícias” mostrar de forma inédita as reportagens da casa sobre os funerais realizados.

Se o domingo foi recheado de especiais e audiências explosivas, a semana nova “útil” se iniciou com as primeiras tentativas de tocar a vida, seja na TV fechada, seja na TV aberta.

Voltaram, por exemplo, a serem exibidas as edições locais do “Globo Esporte”. Mas em São Paulo e no Rio, a pauta central não podia ser outra. A bola vai voltar a rolar, mas como diz o canto lançado pelos torcedores do Atlético Nacional, “sempre recordaremos a campeã Chapecoense”.
 

O colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira. Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

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